sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

31 de Dezembro de 2010



Estou quase saindo de casa já, mas antes precisava deixar registrado aqui meu último dia de 2010.
Foi um ano um pouco "complicado", muitas surpresas, momentos bons, outros nem tanto. Muitas dúvidas, perguntas, porquês, satisfações, decepções...foi um ano "muito". 
Não posso deixar de agradecer a todos os que esiveram do meu lado, de uma forma ou de outra, me dando apoio, me incentivando, acreditanto em mim, me criticando, me odiando...agradeço realmente a todos que passaram pela minha modesta história em 2010. Pois é de bem e de mal que nos construímos, aproveitamos ou descartamos de acordo com o que nos parece mais conveniente. Enfim, obrigado. 

Tentei fazer um vídeo para postar aqui hoje, mas o tempo não vai dar pra postar. Deixa pra amanhã ou domingo.

E lá vou eu...

2011, vem aí!

Gianluca di Valdo, 31 de Dezembro de 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Voar, respirar, o ar


Quero encontrar o ar
Que existe nos Pulmões
Somente de
Quem aprendeu a voar.

Preciso encontrar o respiro
De quem conseguiu
Ir além,
Teve coragem,
Bravura,
Sem medo das Verdades.

Verdades de quem
Teve Coragem,
De quem desafiou
O tempo
E o destino.
De quem construiu
De quem fez,
De quem caminhou,
De quem se construiu, fazendo caminhos.

Os caminhos
De quem deixou
Marcas,
De quem coloriu
Fardas.

De quem deus esperança,
A olhos já perdidos,
De quem regou uma planta,
Sem poder sobre o destino.

Tenho vontade desse ar,
Selvagem,
E de me sentir
Como diante
De uma platéia,
Numerosa, atenta,
Me observando respirar.
Esperando, em mim,
A verdade, o sopro,
A esperança, o alcançe,
A admiração,
Pela minha vontade
De querer voar.

Quem me dera eu,
Fazer além, de admirar.
Eu preciso desse ar
E aí sim,
Quiçá, aprender mesmo
A Voar.

Gianluca di Valdo, 27 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Tentei

Sonhos são universos tentadores,
Insensatos invasores,
Destruidores de realidades,
Criadores de possibilidades.

Sonhos são fantasias
De um dia-a-dia,
Esperanças do ir e vir;
Justificativas,
Do ser e não ser.

Máscaras da realidade,
Empossados de liberdade,
Criadores de cometas.
Incentivadores,
Articuladores de poetas.

Sonhos se atrevem,
Irrompem os ares,
Transformar verdades,
Preto e Branco em Cores,
E nós, expectadores.

Atingidos pelo que não pode ser,
Argumentando contra a fé,
Estimulando a imaginação,
Mas tudo pode ser agora, não?

Os sonhos cultivam mágicas,
Colocam as vidas em páginas,
Diários velhos são escritos,
Adeus, Tchau, até logo existo.

Mas sonhos não constroem,
Apontam caminhos,
Se escondem,
Rosas não são só espinhos.

E trilhar é possível,
A realidade, imprevisível.
O sonhar é preciso,
O reviver improvável.

Porque os sonhos,
Nos protegem da verdade,
Acalmam a alma,
No seio das possibilidades.

Apenas um passo
E depende de nós,
Separar o que é concreto,
Ares e pós.

Tentei, Arrisquei.
Se ainda assim não for,
Eu sei exatamente,
Como não deixar,
Meu sonho virar pó.


Gianluca di Valdo, 22 de Dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Blog com nova cara...

                                               ...reconstruindo.                         

                                                                                   Aguarde.




Gianluca di Valdo, 25 de Novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Desconstruindo




Segredos de uma madrugada cor de rosa.
Momento em que a verdade, nua,
Invade as nossas mentes
E nos faz perguntar por quê.


    Poderíamos apenas ignorar, passar, ultrapassar.

Fingir que não é conosco. Esquecer. Mas nem sempre dá e é bem complicado isso. São momentos em que ou você se torna realidade, ou continua só sonho, na esperança de não confirmar uma ilusão.

São as vezes em que você se permite ser você para o outro. É tudo um segredo, uma conspiração que você 

faz a você mesmo.

São silêncios que falam, palavras que silenciam...São gestos que chamam, cativam...poesia.
São pedaços de nuvem azul anil...são flocos de algodão, uma gota de chuva no sertão, febril.


É você dentro de si mesmo questionando verdades, impondo valores, desconstruindo e reconstruindo canções,

Num quebra-cabeça interminável. Na esperança de poder ver ele montado, pendurado na parede.

                                                                              E sabe?


                                                                                                               Palavras ao vento, não mais.

Choros contidos, não.
                                                                                        
                                                                                                  Risadas forçadas, não.

                       Falso desentendimento, não mais.

Ilusões de momento, não.

                                
                               Supérfluo e Passageiro, não.


Sincero e verdadeiro.

Eterna desconstrução.

Gianluca di Valdo, 22 de Novembro de 2010




terça-feira, 16 de novembro de 2010

Falso pudor


Você e a sua capacidade insana de dilacerar corações, num jogo sujo de infidelidade e manipulação.
Trocou dias claros por noites rubras e sem pudor. Elegeu o sexo como sua dádiva e não o amor.
Incendiou os caminhos da verdade, destruiu as pistas de um possível reencontro. Acabou com a esperança, da chegada, extinguiu os sinais da partida. Apagou certezas. Encobriu com nuves a esperança pelo sol. Colocou água de chuva em vidros sem cor. Poesias falsas. Palavras apenas de rancor. Ódios e desafetos. Corações inquietos. Perplexo.

Inqueito,
Perplexo,
Inqueito,
Perplexo.

Ir pra onde?

Não sobrou nada, além da nostalgia, noites em claro e falso pudor.


Minhas palavras não tem destintário. Mas existe um discurso. Subcoscientes, consciências incompletas, insensato como o dia que quer nascer sem ser percebido. Sim, é ilógico, irracional e ainda assim é meu mas é para alguém. Quem? Se descobrir, me conte.


Gianluca di Valdo, 16 de Novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cattttedrali

Bom dia,

Seguindo a linha do texto de ontem, ainda me sinto um pouco que deseperançoso. Uma sensação de que não estou fazendo nada certo as vezes invade a minha tranquilidade e me joga contra a parede. Preciso de soluções que me tornem realmente o que prego ser. Uma crise de identidade? Talvez. Não sei de muita coisa, só sei que quero escrever. E que tudo vai dar certo. E que eu sou um covarde. E que, em alguns aspectos, a vida é muito generosa comigo. Admito. E que em alguns outros...

Os sinos de uma Catedral,
As flores, em um Mural,
A caravana da Esperança,
A decadência da Justiça.

Expedições sem missões válidas.
Caravelas, ao mar,
Sem o objetivo de chegar.
São abismos de tristeza
E solidão,
Que antecipam
O desejo do pôr do sol.

Caminharia estradas,
Atento às pegadas,
Dos que o mundo atravessaram,
Na expectativa
Do que não realizaram.
Expectativas,
Por sonhos foscos que
Não se perpetuam.
A quebra do encanto,
Do exaustivo repetir,
Da falsa certeza de
Viver.

Sobreviver, Viver.
Sonhar, Realizar.
Querer, Ter.
Desejar, Amar.

Contastes .

Como julgar,
Como conter,
Como prever.

Os sinos de uma catedral
Ecoam por entre paredes de concreto.
Flores brancas de um mural
Apenas enfeitam o sentimento.

E forma-se a trilha sonora
Embelezada pela ilusão
De apenas uma hora.
Tanto para
As emoções que decidi escrever
E para aquelas que não consegui viver.

Desafios de um "Eu lírico" real e imaginário.

Gianluca di Valdo, 09 de Novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Detalhe técnico

Acho que estou ficando cansado da cara desse blog. Aguardem mudanças.

Ridículo

Existe uma porta que não se fecha, mas não se abre.
Existe algo de interessante atrás dela, alguma coisa que eu sei mais ou menos o que é, que anseio por ter de verdade, mas a porta que me divide desse tesouro não consigo abrir.
Parece que vai ser sempre existir alguma coisa, me impedindo de chegar nesse quarto.
Lembrei de uma música, mas dizer qual é seria revelar demais e hoje não estou disposto a ser transparente.
Não com quem me lê. Se bem que, para algumas pessoas preciso falar pouco. Elas entendem, mesmo as vezes fingindo que não. Segue então o texto de hoje (que ainda não fiz).

Ridículo.

Meu obejtivo é viver.
Crescer,
Alcançar.

Meu objetivo é desbravar.
Abrir caminhos,
Tocar alguns hinos.

Minha felicidade consiste
No arriscar
Em me aventurar.

Conhecer terras distantes,
Torná-las próximas de mim,
Me tornar parte delas e,
Nelas, ser sempre e
Para sempre,
E apenas, Eu.

Que ridículo...

Na realidade, nada disso faz sentido.
Na contradição entre os meus versos
Incertos,
O meu coração segue, iludido.

Pois minhas palavras são
Apenas o parafrasear
De atos incompletos,

O enganar a mim mesmo,
De que posso
Ser mais do que sou.

A tentativa frustrada
De encontrar as rimas certas.
De ser soberano,
No que penso,
E faço.

Não posso abrir a porta,
Será possível?
O quarto que existe alí
Talvez não possa pertencer a mim.

Mero mortal, de versos incompletos.

Gianluca di Valdo, 08 de Novembro de 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O que conseguir me roubar o ar

Dedicaria minha vida inteira
Àquilo que me tirasse o ar.
Me deleitaria em sonhos infinitos,
À realidade que não me despertasse;
Dedicaria versos, cantos inglórios,
Justiças injustas,
Falas sem sentido,
Vôos sem direção,
Versos esquisofrênicos,
Desespero de palavras
Em serem eternizadas
Em frágeis folhas de papel.
Por aquilo que me tirasse o ar.

Branco.
Tudo é branco.
Rabiscos de tinha preta.
Como lágrimas
Dos olhos de uma noite
Que anseiam por sentimento,
Daqulio que lhe tirasse o ar.

Enganaria a vida,
Ludibriado por
Sinceras mentiras,
Daquilo que me tirasse o ar.
Me perderia
Em jardins secretos,
Louco para,
Perdido
Não me encontrar.
Se o proprietário fosse,
Aquilo que me tirasse o ar.

Saltaria Penhascos,
Os mais altos,
Esperando
Pelos teus abertos braços,
Fosse onde fosse.
Me bastaria a certeza,
De que estaria lá,
O que me tirasse o ar.

Seria a sinceridade.
A lealdade.
Corpos que se amam
Luzes que se roubam.
Gestos que se completam,
Sons que se perpetuam,
Pela eternidade,
Dos sentimentos,
Entre meu ser,
E aquilo que me tirasse o ar.

Seria a perfeição.
Um sonho de verão.
A Paixão.
E adeus à solidão.
Seria assim,
Se eu encontrasse,
O que me tirasse o ar.

Branco.
Tinta.
Lágrimas de tinta.
Uma folha em branco.
As palavras que
Não sei escrever.
Dependo do que,
Um dia,
Conseguir, enfim,
Me roubar o ar.

Gianluca di Valdo - 05 de Novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Capítulo 1 - Laura

Boa tarde,

hoje tem novidade no blog! Uma idéia que tive faz algum tempo, mas que nunca tive tempo para começar a colocar em prática. A idéia é a seguinte: a exemplo do que acontecia no passado, em jornais e publicações semanais e/ou mensais só que adaptando para o meio eletrônico, estarei publicando, mensalmente, capítulos daquilo que, no final, quem sabe se torne um livro. Pode ser que antecipe, ou atrase alguns cápítulos, mas estarei sempre aqui pensando nessa história. Espero que gostem e aguardo opiniões/sugestões. O titúlo para essa história eu ainda não tenho, até porquê, o título fica para o final. Só sei que a história é sobre uma menina chamada Laura. O que vai acontecer, eu também não sei. Vamos começar?


CAPÍTULO 1

Laura

Ela tinha cabelos longos. Castanhos e longos. Seu rosto tinha um formato elegante, porém simples. Enigmático. Seus olhos também castanhos chamavam a atenção por como conseguiam atravessar a alma de quem a olhasse fixamente. Laura era assim. Uma menina de 16 anos com muitos sonhos, muitos objetivos, muita vivacidade, inteligência e simpatia, um conjunto que causava, ao mesmo tempo, admiração e espanto. Como alguém poderia ser "tanto"? Laura fugia do estereótipo de que "uma garota bonita não pode ser inteligente". Laura era linda e inteligente. E complicada.

Ninguém sabia muito bem o que se passava na cabeça dela quando a porta do quarto era trancada e nele a jovem menina passava horas e horas sozinha, imersa em si mesma ao som altissimo da mais variada seleção de músicas que se pode imaginar. Apenas sabia-se que Laura escrevia. Perdia-se em escritas sem fim, de vocabulário difícil, de profundidade inquestionável. Laura escrevia cartas endereçadas a um destinatário que nunca ninguém conseguiu identificar.

Pela pacata rua da cidade londrina, em Setembro de 1962, na casa branca de janelas verdes e tijolinhos no muro da frente, Laura passava seus dias em companhia da mãe viúva e da irmã Carolina. Eram uma família feliz, apesar de todas as dificuldades advindas com a morte do pai dois meses antes. A situação financeira não era das melhores, porém contavam com a ajuda de familiares que viviam numa cidade vizinha e do exaustivo trabalho da mãe em um restaurante no centro da cidade. Aos poucos esperavam recuperar a situação financeira que tinham antes da morte do Sr. Carlini. Ainda não sabiam como isso aconteceria, mas a mãe de Laura garantia isso todos os dias para as filhas:

- Minhas filhas, a mãe de vocês está trabalhando muito, para que tudo volte a ficar bem.

A Sra. Carlini era uma mulher muito dedicada à família. Na verdade, e em resumo, a família era sua vida.
Laura admirava muito sua mãe e ajuadava a cuidar da irmã mais nova sempre que as atividades escolares e alguns afazeres domésticos não lhe ocupavam o tempo. Depois disso escrevia e escrevia. Escrevia sem vontade de parar. Escrevia até o momento que os olhos não aguentavam mais e se fechavam para que no outro dia tivesse forças para começar tudo de novo. E essa era Laura. Era?

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Poeta Cinza

O cinza desta manhã, como geralmente acontece, veio me "inspirar". Coloco aspas pois, na verdade, não sei se posso chamar de inspiração o fato de estar aqui faz uns 10 minutos tentando começar um texto, mas, enfim, tive uma grande vontade de escrever. Espero que eu coloque para fora alguma coisa digna da vossa leitura....

Em si só.



Não preciso de sóis
Para iluminar os meus versos.
Não preciso do perfume de jasmin.
Não preciso de belas paisagens.
Não preciso de beijos,
Abraços e,
Poéticos encontros.
Só preciso de mim.

A alma do poeta só,
O livre se sentir,
Solto em si,
É, em si, a mais completa
Forma de inspiração.
Apenas só.
Em si só.

Sérá verdade que,
De tanto em tanto,
Alguns fatos alegrarão,
Ou entristecerão
O meu dia.
Ainda assim,
Será de mim,
A minha Inspiração.
De mim,
Em mim,
Sim, sim,
De mim.
Só.
Em mim só.

Uma fonte inesgotável
De sensações,
Palavras,
Gestos,
Alegrias e,
Provocações.

Emoções profundas,
Tensões superficiais.
Fantasias imundas,
Notícias de jornais.

Só, em mim,
Sim,
Em mim,
Só.
Para mim,
Em mim,
Inesgotável,
Como o cinza
Eterno desta cidade só.

Sozinho.
Inspirado.
Cinza.

O poeta só.
O poeta cinza.
Em si só.


Poeta Cinza, 03 de Novembro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A despedida

As vezes o sol se põe de forma diferente daquela que estamos acostumados a assistir em filmes que contam o drama de soldados em algum país, em alguma época em guerra ou em flivros de utópico romantismo.

As vezes o sol se põe apenas da forma mais simples. E, exatamente por isso, é um pôr do sol lindo em sua simplicidade.


É o sol que simplesmente diz "até amanhã", se escondendo por detrás de uma mistura de modernos prédios espelhados e o cimento bruto e sempre cinza da cidade em construção.

É o sol que se vai. O calor deste dia sufocante alivia um pouco. Serenidade. Paz. Transito. Construção. O sol se vai e diz "até breve" para o caos, a balança desequilibrada constituída pelo homem e a natureza.

A noite vai caindo. Aos poucos aparecem estrelas. As poucas que se conseguem ver no céu de uma cidade em construção. Barulho de avião. O sol já foi, se escondeu, foi embora.

A lua ainda é tímida. Ainda não sabe se tá na hora de entrar em cena ou se deve aguardar mais um pouco. Momento de transição.

E, enquanto isso, vejo que já são 18 e 21. Passei muito tempo observando o ir do sol e o vir da lua...devo me apressar...embora não queira pois,

Pelas grades da janela desta biblioteca consigo me animar. Consigo ver que o sol hoje se foi, mas amanhã ele volta. Ele deve voltar. E isso me mostra que, dia após dia, posso sim renovar as esperanças e acreditar sempre em mim. Eu também sou como o sol. Eu também posso e devo voltar. E não desisto.

Gianluca di Valdo, 25 de Outubro de 2010



P.S.: Para aqueles que questionarem alguma coisa do tipo "Mas não é a Terra que gira em volta do Sol?" eu os tranqulizo dizendo que não faltei a essa aula de ciências/geografia...mas a ciência nunca terá verdadeiro sentido, quando se falar do que vem de dentro.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Descontrolando


Que ondas levem o meu barco. Que me ajudem a encontrar a minha rota. Que a consciência seja a minha bússola e que a inconsciência o meu leme. Dividido entre a razão, a emoção e o meu eu.




Descontrolando.

Rascunho

Pegando um lápis sem ponta,
Rabiscando rios, montanhas,
Palavras,
Caminhos.
Tentando delinear,
Definir,
A paisagem a me inserir.

E surgem linhas
Que contornam
Corpos iluminados pelo sol.
Nos traços de sorrisos incompletos.
Nas figuras de momentos 
Que não se podem classificar.
Lágrimas de chuva.
Um guarda-chuva vermelho.
A asa de um pássaro ferido.

Rascunho.

É colorido.
E são pincéis
Colorindo passos
Riscos,
Definindo porquês.

É preto e branco.
E é uma borracha.
Apagando sentimentos.
Lápis,
Desenhando momentos.

São riscos,
Rabiscos.

Rascunho de uma paisagem
Que não se pode definir.
Apenas se redesenhar.
O tempo todo.

Preto. Cinza.
Azul. Vermelho.
Verde. Roxo.

Rabisco. Rascunho.

Gianluca di Valdo, 12 de Outubro de 2010.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eternità

Siamo nell'anima di noi stessi come le goccie del mare sono immerse eternamente dentro se, nell'indivisibile oceano. Siamo così, noi stessi, stretti dentro noi, per sempre. Indivisibili. Per l'eternità. Ed è bello sentirsi così. In noi, per noi. Come il mare.

Dia de nada, dia de tudo


E você pára.
O mundo,
de repente,
no silêncio.

Suspiro.

Inconfundível
Dia sem chuva,
Sem vento
E sem sol.
Sem cheiro.
Dia de nada.
Dia de tudo.
Dia em que apenas se é.

Auto-suficiente.

Sobrevivente.

Levado,
Embriagado,
Pelas esperanças foscas
De passados sem futuro
E futuros dos presente.
Momentos sem sabedoria.

Reflexão.

De nada.

De tudo.

Crucial.


Dia de perguntas.
Dia de respostas.
Vidros agora,
Se desembaçam.

Além de perguntas,
Respostas.

Esperanças.

Sim, respostas.

Reorganizando.
Revivendo.

Não apanas mais,
Sobrevivendo.

Dia de nada,
Dia de Tudo.
Chuva,
Sol,
Vento,
Calor,
Frio,
Mais nada e

Poesia.

Cheiro de nada,
cheiro de tudo.

Crucial.

Meu momento é,
por que não?

Agora,

No dia do nada.
No dia do tudo.


Gianluca di Valdo, 27/09/2010.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Settembre




Quero dedicar um pouco do meu tempo a lembrar dos Setembros. Sim, Setembros, no plural, os Setembros de quando eu era apenas um garoto de cabelo engraçado, óculos de fundo de garrafa e uma vontade louca de viver. Setembro que era, na época Settembre, no melhor estilo italiano, com consoantes duplas e aquela sonoridade que poucas línguas nesse mundo conseguem imitar.

Bem, Settembre sempre foi um mês muito característico na minha infância, muito particular. Settembre era mês em que iniciaria o Outono, começariam as aulas e mãos habilidosas começariam a colher mais uma safra de uva. No meu mundo, no meu pequeno enorme mundo.
Os dias ainda eram longos, embora já se encurtassem devido à aproximação das estações frias do ano. Eu e Elisa corríamos, desesperados, aproveitando os últimos raios de sol. Corríamos, animados, antes do começo das aulas que tornariam nossos encontros mais difíceis. Amizades. Sorrisos cúmplices. Olhares confidentes. Palavras, momentos, felicidade. Inocência. Uma inocência esculpida pela maneira simples e original de viver. Uma felicidade que bastava. Passeios intermináveis acompanhados de longas conversas a respeito dos mais variados assuntos como a música do momento ou o sabor do ultimo sorvete que tínhamos provado. Eu, Elisa, e nossos vira-latas. Rex, Sissi, no bosque úmido, entre atalhos que para nós eram secretos. Entre curiosidades e mistérios. Entre o nosso mundo e a realidade.

Em Settembre as folhas das árvores já começavam a trocar de cor. Já não era o verde que o sol estava acostumado a refletir nos escaldantes meses de Julho e Agosto. Agora era amarelo, laranja, vermelho...e, como que por despeito, parecia que o sol não queria brilhar tanto, parecia infeliz. E as folhas caiam, se despediam, cansadas. Retornavam à terra, de onde recomeçariam o ciclo e se tornariam um dia folhas novamente, a serem iluminadas pelo Sol.

O cheiro da uva sendo colhida. Característica forte de Settembre. Pessoas encantadas, envolvidas, preparadas para outra longa e compensatória safra. É nítida na minha mente a imagem. Cestos sendo carregados pelas colinas, para cima, para baixo, ora vazios, ora cheios. Settembre.

E ainda, em Settembre, recomeçavam as aulas da Sra Bachini. 80 e alguns anos que, na época, pareciam para mim, muito mais do que hoje, uma eternidade. E ela tinha toda a paciência do mundo em me ensinar algumas notas em seu piano velho, cansado, como ela. Viviam ela e seu piano, naquela casa grande, repleta do luxo em que vivera outrora. Uma senhora nobre, casada com seu ilustre Piano. E ela tocava de olhos fechados, como se isso fosse prolongar seus anos de vida...se embebedava nas notas de uma partitura incompreensível. E eu a admirava tanto. E era Settembre.

Por fim, começavam as aulas. Os colegas, as novas risadas, o que iríamos aprender em mais um ano. Os professores. O italiano, a matemática, a Geografia que pra mim parecia tão complicada. As aulas da professora de Inglês que mandou eu cuspir um chiclete por estar parecendo, segundo ela, uma vaca ruminante. Não importa. Era Settembre.

E de Settembre em Settembre, cheguei hoje aqui, em mais um Settembre. Sei que sou hoje a soma de vários que já aconteceram e espero ser parte da soma de muitos outros que estão por vir. Que Settembre seja sempre assim. Um mar de recordações e uma inspiração para continuar.


Gianluca di Valdo (mais do que mais do que nunca), 21/09/2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Vidro quebrado, pés descalços




Como não poderia se diferente, hoje tenho "necessidade" de postar. E faço isso ao som de uma música que, em alguns momentos da minha vida, me ajudou a encontrar as palavras. Me ajudou a traduzir o que acontecia, por fora, por dentro. Já repararam que o ser humano não consegue colocar em palavras tudo o que quer comunicar? A melodia de uma música contribui bastante. Pensei em mais uma vez moderar o que ia escrever aqui, mas o blog é "meu mesmo" como me disse Paula...então, aí vai.
Vidro quebrado, pés descalços

Já não é.
Já não faz mais sentido.
Já acabou.
Já se foi,
Se despediu,
Já.
E é ridículo.

Esperanças estraçalhadas,
Cacos, do verde de uma velha garrafa.
Garrafa verde,
Esperança quebrada.
Garrafa, esperança.

Nós,
Nas gargantas de quem,
Tem a verdade.
A verdade em,
Poetas de Ferro.
Corações de Ferro.
Poeta. Ferro.

Liberdade,
Ridícula liberdade.
Ilusão ao poeta.
Ridícula ilusão.
Perfeições,
Sinceridades,
Verdades,
Iludidas.

Sentimentos
Sem nome,
Melodias enfraquecidas,
Razões incompreendidas.
Prioridades.
Infelicidades.
Inverdades.

Existem cacos,
Da velha garrafa verde
Da esperança,
Estraçalhados.
Poetas de ferro
Podem se Machucar
Quando resolvem,
Tentar sentir o chão,
Descalços.

Já não é.
Já não faz mais sentido.
Já acabou.
Já se foi,
Se despediu,
Já.
E é ridículo.
E foi o que foi.
O que foi?

Não há como saber,
A garrafa se quebrou,
Tudo se espalhou,
Restam apenas pés descalços.

Perigo de se machucar.

Poeta, seja novamente,
completamente de Ferro.

Gianluca di Valdo, 18/09/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rosa rossa e Rosa gialla


Rose rosse, di rossi pomeriggi.

Rose gialle, di gialle estati.

E ricordarsi,
Di pomeriggi caldi,
Corpi sdraiati al sole,
Risate senza colpa.

Riprendersi,
A proferire discorsi,
Senza senso.
A riflettere.
A non importarsi.

Rivivere,
I balconi verdi di una vecchia finestra.
Le notti stellate,
Che ora sono appena,
Ricordi spezzati.

Lo squillo di un telefono,
Le amicizie.
I coriandoli.
I muri, gattini persi.
Felicitá.
Bastava poco.
un girogirotondo...

Mi manca l'aria,
solo a pensare,
Come sarebbe
Rivevere tutto ciò.

E c'era una rosa rossa.
E c'era una rosa gialla.

E mi bastava.

Gianluca di Valdo (più che mai) 07 de Setembro de 2010

Inquieto


Não sei bem, não sei ao certo. Uma sensação estranha, novamente, se vê no direito de invadir a tranquilidade dos meus pensamentos. Não consigo entender porque tudo tem que ser assim, tão complexo, tão intenso, tão verdadeiro. Fico imaginando se, para as pessoas que encontro pela rua, a vida se revela assim, como a mim, tão "intensa".

É isso que se passa hoje em mim. Fico pensando se não preciso de um pouco de frugalidade no que vivo, no que penso, no que quero. O meu dia-a-dia me avassala de responsabilidades, de demandas, de presenças. São tantos Raon..oh, perdão, Gianlucas! Fico dividido, partido, impotente. Nada é simples. Nada é fácil.

E então, são trabalhos que não sei para onde vão me levar. São valores, prioridades, tudo posto em jogo. Qual é minha prioridade? Qual é o meu "projeto"? Chego à conclusão que, apesar de "projetos", nada é exatamente como eu gostaria que fosse e é tão difícil me adaptar, me enquadrar. Não quero me enquadrar, quero que seja do meu jeito. E eu posso sofrer, mas nunca me farão realmente acreditar que não depende de mim.

Existe um vazio, no peito. Existe um "querer mais", um "e agora?". Jovem, olhos apontados para o horizonte e, ainda assim, perdido. É estranho.

Não sei o que é o "vazio". Sei apenas que existem pequenos intervalos felizes entre tantos mais suspiros daquilo que eu não poderia ousar chamar de infelicidade, porém que é mesmo assim, triste. Não tem um nome. É o que sinto. É estranho.

E depois são silêncios, segredos, problemas. São angustias alheias, são deveres de felicidade. São amores de minuto, são eternidades corrompidas, são altos e baixos do que não se ouve e não se diz. São reflexos de uma alma sem espelho. São insanidades de olhos alheios que observam o que não existe em você. São expectativas a atender. São esperanças a desafiar. São dias de branco e preto, cores ao acaso, disturbios. Silêncios. Barulho e, silêncio de novo. Inqueito. Onde está o bom e velho equilibrio?

E existe a nostalgia. A nostalgia de quando era apenas um garoto de 9 ou 10 anos, e meu mundo era tão meu. A janela do meu quarto era tão minha e tanto de mim sabia. O vento a quem confiava meus segredos. As nuves a quem dava os formatos. Era meu, um mundo só meu...Hoje são choros abafados, gritos de uma alma inquieta. Inquieta porque ela quer ser o que era. A alma do menino livre. Livre. Livre!

Choros abafados.

Explosão de sentimentos.

Quem me dera voltar no tempo e ser, apenas um menino.


Gianluca di Valdo, 7 de Setembro de 2010

sábado, 28 de agosto de 2010

Passos e Sorrisos



Risos.
Passos.
Passos sorridentes.
Sorrisos que não passam.

Sorrindo.
Passageiro.

Pessoas.
Sorrisos.
Pessoas e mais...
Sorrisos.

Nada se enquadra.
Não faz sentido.
Não.
Nada mais.

Sorrisos e mais,
sorrisos,
e passos e passos e,
sorrisos.

Não.

Sentido não há.

O desafio de viver
entre o passar,
o sorrir
e o passar.

Repetição.
Alienação.
Sorrir.
Sobreviver.

E assim será,
até o momento que,
diferente me sentir.

Enquanto isso,
vivo sob a mesma
e cansada
luz âmbar
que ilumina
o meu
sorriso amarelo.

Passageiro.

Gianluca di Valdo, 29/08/2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Luminária cansada



O post de hoje é simples. A mensagem é subjetiva e, ao mesmo tempo clara.

fato é que existem momentos na vida em que você apenas precisa parar tudo o que você está fazendo e então...

Refletir a respeito do seu caminho.


Luminária cansada


A luz âmbar de uma velha luminária já não parece ter forças para iluminar o caminho que percorro. Cansado.

Não consigo perceber como posso ir em frente, sem luz.

Luminária velha. Combustível. Onde ir, como ir. Ir?

Não sei se posso seguir no escuro ou se preciso alimentar minha luminária.

Ela é velha. Adquiri em um antiquário. Alimentada a querosene. Preciso sentir o cheiro do querosene, se consumindo. Me consumindo e alimentando meus passos, em direção a um lugar.

Sei para onde quero ir. Preciso apenas dessa luz. Melhor. preciso do querosene.

Preciso daquilo que alimenta a luz que me faz enxergar por onde ando, por onde passo e por onde tenho que passar.

Sei onde quero chegar. Preciso apenas de luz. A minha luminária é velha. A minha luminária está cansada. Precisa de combustível.

Vou alimentá-la, sim, eu vou.

Gianluca di Valdo, 27/08/2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Em transe

Não consigo dar mais um passo, não sem antes escrever.

Preciso mais do mundo, o mundo precisa mais de mim. A mim, em mim, em nós. Sorrisos de pó de estrelas que não fazem sentido em existir. Infelicidades escondidas por detrás de falsas promessas, votos e palavras. Insipidez. Insensatez. In. É um manto pesado, porém aveludado, como o manto de um rei. O veludo apenas ameniza a dor, o peso, de um manto que não consigo carregar. Arrastado. Poder. Pesado.

Não preciso de versos, de métrica alguma, nem de rimas. Não posso limitar a minha fala, meu grito, meu canto...

Clamo por ajuda. Não, não estou bem. Aqui dentro existe algo estranho. Uma estranha e interminável melancolia. Tristezas. Mantos. Não é eterno, mas é presente. Ainda não supera a minha alegria, porém existe e se faz presente.

"Per me, Il dolore di giorni senza pioggia è come il dolore dell'amore senza gioia".

Mil e uma atividades hoje me esperam. Mil e uma perguntas a responder. Mil e duas a fazer. Ninguém me responde, não consigo entender. Não sei como perguntar, entender, responder. E tudo pareceria tão simples...

Acho que já consigo ir adiante.

Gianluca di Valdo, 23/08/2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Encontro


E eu subiria até o galho da árvore mais alta para tentar alcaçar a estrela que você me pedisse, mesmo sabendo ser inútil.

Seria o suficiente para ver seu sorriso e me dar as forças de seguir mais um dia.
Dia-a-dia.
Sou movido a você.
Aos teus gestos únicos,
seus olhos sem fim,
seu sorriso ensaiado.
Ensaiado pra mim.

Me leva para onde estejamos apenas nós dois
e o vento possa passar por entre nossos cabelos,
e sintamos o frescor de manhãs que não terminam.

Serei eternamente seu, embriagado
pela seiva doce do tempo que nos guia,
pelas estradas que deixaremos,
e pelo orvalho na flor que não de despede da primavera.

Ouvirei cada palavra,
em silêncio. Apenas murmurando, consentindo.

Te deixarei escrever o meu destino,
jogar tudo para o ar, se for necessário.

Deixarei que sejamos apenas um.
Eu e você.

Bem,
Agora devo ir.

Qual é mesmo a estrela que você quer?

Encontrei você.

"Prazer, meu nome é Raone.
E o seu?
-Gianluca di Valdo"

Hoje me apaixonei pela minha alma.
E ainda descobri o nome dela.

Gianluca di Valdo, 01/08/2010.


P.S.: Viu que sou romântico?

Em transição...



Falta de inspiração dá nisso. Prometo fazer mais da próxima vez.

Gianluca di Valdo ainda um pouco Raone Tomazelli, 01/08/2010

domingo, 25 de julho de 2010

Aí vou eu

Se um dia eu pudesse voltar atrás e, quiçá, fazer outras escolhas, acho que apenas perderia meu tempo tentando encontrar os possíveis erros cometidos. Se ou quem sou hoje, isso é resultado de escolha por escolha, etapa por etapa, momento po momento... Dessa forma se contrói o indivíduo e lamento muito para aqueles que, em vão, remetem ao passado tentando pensar em como poderia ser. As coisas não podem ser, elas são e assim são, sem pedir a a sua autorização. O máximo que você pode fazer é interferir no caminho até elas. Mas quando chegar, chegou.

Hoje refleti muito a respeito de tantas questões. Foi um dia longo, extremamente cansativo, porém proveitoso. Aprendi que posso chegar onde quero, e que vou continuar escolhendo e escolhendo e tentando acertar o caminho. Descobri que caminhos realmente não são belas autoestradas européias, bem sinalizadas no qual se pode ultrapassar os 180 km/h e chegar rapidamente ao destino. A realidade é uma estrada tipicamente brasileira, aquela que leva ao interior de alguma comunidade esquecida, no qual predominam buracos, subidas ingremes, terra de chão. Estradas longas, sinuosas, cansativas de se percorrer. Eu descobri que é assim que o meu percurso deve ser. É assim que valorizarei a chegada, se existir, a algum lugar.

Hoje não tento voltar atrás e querer que algo seja diferente. Aqui estou, aqui eu sou, aqui vou eu. Daqui eu parto, mais uma vez, e em algum lugar eu chego. Eu sei onde quero chegar. Eu sei como deve ser.

Gianluca di Valdo, 25/07/2010

P.S. A partir de hoje começarei a assinar os textos com o pseudônimo Ginaluca di Valdo. Vou modificar as postagens antigas em breve.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Tempo, espaço, poesia.


O mistério
é
O relógio,
Que esconde,
Por detrás de seus ponteiros,
A inacreditável capacidade
De subornar o tempo.

Seria insensato dizer
Que a culpa disso não é minha.
Eternalmente responsável,
Pelo que cativei.
já dizia
O livro
Cujo protagonista
Era um pequeno membro
De uma determinada realeza.

Invariavelmente ferido,
Por tudo o que não se propaga,
Além do espaço
Que lhe é permito alcançar.

É mais um conflito.
De idéias,
Palavras e
Emoções
Que norteiam dias
Contra a bussola desesperada
da realidade.

Em mim.

No tal jovem principe.

Em mim, jovem principe do meu mundo.

A realidade de horas,
Que demoram anos,
E de minutos,
Que sequer duram
Milésimos de segundo.

Criei minhas próprias
Noções de tempo.
E saber que,
A vida
E sua capacidade
De se regenerar,
Depende exatamente
Do tempo e do espaço
Que lhe disponibilizo
À expansão.

Sou,
Novamente,
O autor da minha
própria história.
O incansável poeta
De dias cinzas e chuvosos,
Que enxerga no tempo,
E no espaço,
As condições
Físicas e emocionais
para que sua poesia
se perpetue.

Razão
Emoção

Tudo em função
Do tempo

e

Do espaço

Pequeno princípe
De seu próprio,
Pequeno ou grande.
Mundo.

Raone Tomazelli 09/07/2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

E agora, história de olhares

Boa noite,

faz algum tempo que não apareço por aqui e justifico tudo isso devido a dias muito corridos. Muita coisa aconteceu nesse mês e pouco que não posto. Mas, enfim, estou de volta. Vou tentar não sumir de novo e eu devo isso, mais que a todo mundo, a mim mesmo.
Outro dia me diziam que sou muito transparente. Gostei de ouvir isso. A intenção, em escrever, é ser o mais transparente possível. Hoje, através do que segue, talvez o tenha sido demais. Talvez exagerei. Talvez...mas, sabe...decidi que devo postar. Torço pra que estes versos sejam lidos e que a pessoa certa também o leia um dia...

Quero causar emoção. As lágrimas que em mim, se convertem em palavras.

Aí está.


E agora, eu ouço a musica que me inspira viver você,
Pra sempre, em mim.
Tanto tempo se passou,
Muito se disse,
Pouco se fez.
Sentimentos sem nome.
Unilateral,
Bidirecional,
Palavras sem direção.
Palavras que,
Ditas assim, ao vento,
Dotaram de sentido...
Que não posso explicar.
Não sei decifrar,
Imortalizadas
Em pedaços de corações
Sem a impureza,
De que,
Automaticamente,
Assumem a partir de uma certa idade.

Saudades da sua mão, fria,
Do seu vestido de Festa Junina,
De quão ridículo fui ao me inscrever,
Só pra dançar com você.
Sinto falta das noites em que sentei em uma ponte, no meio do nada, no frio,
A contemplar uma lua cheia,
Um céu de estrelas infinitas
E eu penas almejando um pedacinho seu.
Longe, talvez pra sempre.

Mensagens.
Textos em branco.
Lágrimas.
Você e a capacidade de conseguir me fazer chorar.
Por detrás dessa muralha que existe em mim,
A fragilidade perante o poder de qualquer coisa que vem de você.
O sorriso que desmorona,
O olhar que abala, destrói.
Minhas tentativas vãs de fazer
Com que tudo se tornasse apenas,
E unicamente,
Passado de um amor de infância.
Talvez não fosse a minha intenção,
Talvez quisesse insistir,
Em te ter, pra mim,
Em mim,
Pela eternidade de olhares congelados
E palavras não ditas.

E o tempo se passou.
De novo ouço a musica que balançava meu espírito,
Sinto até o cheiro do meu quarto,
Quando a noite vinha, eu me deitava
E pensava em onde você estaria.

Porém, um dia chegou o momento de saber.
Mentira.
Mentira que causa Dor,
Falsidade.
Falsidade que causa Medo.

Eu, o garoto inocente e puro
De concepções talvez utópicas e,
Também por isso, lindas,
Despedaçado diante de saber.
Que sua vida tinha ido adiante,
E a minha não.

As mentiras ditas a mim mesmo,
Alimentadas pela fragilidade,
Da sua concepção de felicidade.

Quanto medo.

Estaria para sempre preso ao sentimento único
E inimitável de te amar.
Minha vida e a sua
Estariam pra sempre unidas,
Mais uma vez,
Pelas palavras que esqueceram propositalmente
De se proferirem.
Revolta.
Suicídio da alma.
Esperanças de dias que não se repetiriam.
Estava só. Pra sempre.
E com o mais belo sentimento que já experimentei.
Tudo me lembrava você.
Mensagens,
Recados.
Vai e vem de idiotas
Que se humilham por aquilo que chamam de amor.
Adoráveis idiotas.

Aniversários, natais...
Esperando motivos
Que justificassem as minhas ligações desesperadas
Desesperadas por um sopro da sua voz,
Pela luz da sua presença,
Em qualquer lugar que fosse.

Esperei você, mesmo sabendo
Que era um idiota
Adorável idiota.
Quis quebrar o que estava aqui fora,
Talvez pra tornar mais semelhante ao que existia por dentro.
Me tornei o escravo.
Momentos e momentos, e nada a dizer.
Nenhum motivo apenas para ouvir sua voz.
Natal e o mês do seu aniversário,
Sempre estiveram distantes demais para que meu coração aguardasse em paz.

Desculpas.
Chegou o dia de um pedido de desculpas,
Em que eu apenas pude dizer que,
Era em você que toda a noite eu dedicava a possibilidade dos meus sonhos,
Era você a única pessoa para o qual eu diria: eu te amo.
Você quis assim.
Você chorou,
Me disse que chorou.
E eu chorei.
Porque, sim, te amava.
O sol se pôs,
E eu dormi mais leve,
Pois você levou com você
Um pouco do peso que havia em mim.
Estava livre da revolta, da mentira.
Não estava livre do amor.
Mas decidi que não queria mais que fosse assim.
Você que não me procurasse. Não.
Apenas era suficiente ser assim.
Eu, você.
E a distância dos mundos que nos separaram.
Você longe, eu aqui.
Evitando.
Revivendo.
Musicas.
Momentos.
Saudades.
Um dia, sem saber o porquê,
Te encontrei,
Na impossibilidade de um encontro,
Que só se justifica pelo que tantos chamam de Destino
E eu chamo apenas de fato.
Você estava lá.
Quanto tempo que não te via.
O coração bateu tão forte.
Saltou à boca, explodiu no meu peito frágil,
Débil,
Que ansiava por amor.
Você não iria me ver.
Eu não te procuraria.
Nossos olhos se encontraram...
Você me chamou.
Direções opostas,
Em encontro um ao outro.
Tanto tempo, sem nem um sorriso.
Sem ver aquela seu moletom amarelo,
Que era só seu.
Nós, ali,
Mais uma vez.
Perguntas fúteis voltadas àquilo que nenhum dos dois estava tão interessado em saber.
Eu sei que não estava.
História longa.
Meu abraço foi seco. Você entendeu.
Eu fui na minha direção.
Unilateral.
Você na sua.
Sem saber pra onde ir. Alguém te esperava.
Estava lá a segurança que você sempre quis.
Ia embora o amor que você deixou escapar.

De lá em diante,
Nossos encontros se resumem a “acasos”,
De ano em ano,
Em que nossos olhares se encontram sim,
E se dizem muito mais do que ousamos proferir.
O seu coração bate mais forte quando me vê.
Eu sei, você disse. Não a mim, você não tem coragem.
Mas você disse.
E seus olhos ainda confirmar toda a vez que querem tanto de mim
E nada posso dar.
Nada além da esperança do que não deve existir.
É, não faz sentido.
Não tem que fazer.
Nunca te beijei. Não sei nem qual é o verdadeiro cheiro da sua pele.
Minha alma é pura, em relação a você,
O será pra sempre.
Entre tanto ir e vir,
Acostumei meu coração.
Ele está em paz, e segue seu rumo.
Se encanta de vez em quando,
Toma alguns sustos, se recompõe.
Erro, acerto...espero, ajo.
Venho e vou.
Vou e venho.
E não penso mais constantemente em você.
Você vive a sua vida.
Eu vivo a minha.
E eu posso agradecer todos os dias,
Por ter permitido a mim mesmo,
Ser encantando pelo sentimento
Do qual critico a essência todos os dias.
O amor só é amor,
Quando é puro.
Apenas puro.
Só se quer o outro
Pela simples idéia
De ter ao lado.
Não precisa de nada.
Nem de um pôr-do-sol.
Nem de uma céu com estrelas.
Apenas a luz de olhos que se amam,
De suspiros de vozes que se entendem
E de gestos que se tornam universais...
Levarei comigo,
Sempre e sempre,
A importância de ter
Conhecido você.
E a cada vez que te ver.
Nossos olhares se encontrarão novamente,
E dirão um ao outro, o quanto se amam
E o quanto não puderam estar lado a lado.

Melhor assim.

E então,
Eu escreverei versos como estes,
Triste e,
Feliz.
Na confusão, no conflito,
Do que sempre foi,
Meu amor por você.
Não posso mais dizer que te amo.

Mas posso com certeza afirmar,
Que é a primeira história de amor
Entre olhares
Que eu já ouvi.

29/06/2010 Raone Tomazelli

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Entre mundos



A estrela mais sozinha,
Uma luz que não tem fim
E ninguém perto o bastante
Para admirá-la.

A força de uma lágrima quente e úmida,
Que atravessa os relevos e cavidades,
Suavemente dispostos,
De um rosto um tanto angelical.

A expressão do sentimento,
A emoção,
Extravasa. Êxtase.
Momento de purificação.
Desespero.
O poder de uma voz rouca e cansada
Que clama, ecoa...se impõe,
Na tentativa de mostrar o quão desesperada está.
Cansou de esperar. Esperar pra quê?
Esperar pelo quê?

O som da ilusão,
A ilusão da emoção.
Esperança jogada ao ar,
E pisada,
Quando chegada ao chão.

Gritos sufocados.
Emoções impossíveis.
Tristezas incompreendidas,
Sorrisos forçados.

Uma fortaleza a se quebrar,
Uma alma a alçar vôo.

O momento em que a noite cai,
O sol se vai,
E cada um é apenas pra si.
Refugiado na conversa
Com um travesseiro branco.
Admirando algumas estrelas,
E, de repente,
Em meio a toda a tristeza,
As quentes lágrimas,
E à voz rouca de solidão...
Existe apenas uma estrela no céu,
E ela brilha mais que qualquer uma.
Admiração.
Fascinação.

Hoje, uma estrela só, encontrou a admiração,
E pode, enfim, brilhar mais e mais,
Sem se sentir só.
Hoje, uma alma sem consolo,
Encontrou refúgio.
E pode sorrir,
Mais e mais.
Se sentindo única.

E então aconteceu o que um homem chamou de amor,
E a estrela,
De eternidade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vetro Rotto



Tra le nuvole rosse di cieli che non possono colorirsi d'altro colore.
Tra profumi dolci di mattini freschi che non osano farsi sentire d'altro modo...
Tra parole gialle di notti scure, perse, senza un ruolo esatto.
Tra singoli numeri, sparsi e, allo stesso tempo, ordinati in qualche sequenza logica.

Appena oso affrontare il tempo
E,
Pazzamente,
Vivere ogni secondo di questa vida stupidamente mia.

Ho il diritto di guardare il cielo rosso,
Sentire il profumo dolce
Scrivere le parole gialle,
Ordinarmi tra i numeri sparsi...

Voglio il diritto di rompere suoni,
Rompere vetri,
Schiacciare il male,
Farmi del male...

Voglio il diritto di odiare,
E parlare ad alta voce.

Voglio il diritto di rispettare.
Voglio il rispetto come diritto.

Voglio la vita come è,
La gioventù di sabato sera...

Voglio la mia voglia,
Il mio diritto.
Voglio il diritto.
il diritto della voglia.

Voglio,
pazzamente,
Essere così.

E,
Sperso
Tra il Rosso,
Il Dolce e
Il giallo

Suonerò
Le più belle canzoni
Che nella mia vita
Potrebbero essere
Suonate.

Raone Tomazelli, 07/05/2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Post inútil

Não consigo pensar em nada de bom. Os dias continuam cinzas. Cinzas nada! Pretos. Não se vê luz, saída...sinistro.

Ha muito não me sentia assim. Parece que os dias são meses. O que me alivia é o estudo. Acredite. O trabalho me estressa. O futuro incerto me estressa.

Já falei sobre isso, mas precisava falar de novo. Continuo falando e revelo o que está me fazendo sentir assim:

- O término de uma faculdade;
- A formatura e seus gastos;
- O fato de ser "pobre". Odeio ser "pobre";
- A pressão do cursinho pré-vestibular. (Sim, eu coloquei na cabeça que vou fazer arquitetura).

A soma desses fatores no meu cotidiano está me enlouquecendo, por mais que pareça pouco e que talvez devesse pensar na "paz mundial" (clichês...).Se tudo estivesse correndo bem, nas datas previstas, de acordo com o planejado...mas não! Tudo resolveu ser mais difícil. O que me relaxa, repito, e por mais absurdo que isso pareça, é o estudo. Atualmente, estudar é a atividade mais prazerosa do meu dia...as tardes na UFES me animam e me fazem seguir em frente...

Além disso, outros fatores atormentam minhas idéias e não me deixam seguir em paz. Eu apenas queria que esse mês acabasse logo...e que o incerto deixasse de ser incerto. Não sei o que será da minha vida a partir de Junho e isso me aflige. Tenho planos. Eles vão dar certo? (acho que já me abri demais por hoje...).

I'll believe.

P.S. Perdão pela inutilidade do post. Preciso disso.

Raone Tomazelli, 06/05/2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Desabafo e 05/05


Não sei o que se passa aqui dentro hoje. Ou talvez saiba e não queira dizer. Não queira admitir. Talvez seja um tremendo desespero pelo rumo que minha vida foi levando e o medo de não dar conta de tudo. O medo de perder a proteção. De mergulhar no incerto mundo da...incerteza. Oportunidades. Caminhos. Coisas a fazer. Uma sociedade capitalista louca pra me fazer adorá-la. Um sonho muito grande para ser vencido pela sociedade capitalista. A vontade de ter, e o sonho de ser. E depois ter. Estarei disposto a esperar? Quero esperar. Não, não quero, preciso. Não posso desistir e tenho medo de querer insistir. Mas eu insisto e vai ter que ser assim. Preciso disso. Isso me alimenta. Meus sonhos me alimentam e o que seria da minha alma sem seus anseios?

Vontade de esquecer. Parar? Ir? Pensar...refletir. Não. Eu não paro pois acredito em mim mesmo. Digo e repito: autor da minha própria história. Eu vou aguentar, eu vou superar. Eu vou vencer. Custe o que custar...

Meu blog que me ajude...

Aproveito pra deixar os meus parabéns ao homem que contribuiu para eu ser (mesmo sendo pouco ainda) quem sou hoje em dia. Parabéns PAI, seus 50 anos são, para mim, seu filho que muitas vezes você não compreende e que, de tanto em tanto, você "bate de frente", um exemplo e um motivo de orgulho. Se tantas vezes não nos entendemos é exatamente porque sempre fomos e seremos muito parecidos. Teimosos. Tomazelli Teimosos.

Deixo aqui as palavras que talvez não tenha coragem de te dizer. Quem sabe um dia você leia ou, alguém te conte...

Um grande abraço a esse cara que eu tanto admiro...MEU PAI!

Raone Tomazelli (cansado) 05/05/2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Frondoso


Frondoso

Um mundo de sentimentos.
Sofrimentos.
Emoções que não podem ser...
Que não têm razão de ser,
E, exatamente por isso,
São emoções.

Estou parado, congelado.
Espectador.
Não me arrisco,
Não me atrevo.
O salto é grande, imenso,
Abismo.
O salto é impossível.
Impossível?

Distância.
Saudade.
O vento continua envolvendo
Os ramos frondosos
De uma árvore retorcida.

A emoção está aqui.
Poderia me esconder,
Ou poderia me envolver,
Assim como o vento faz,
Com a mesma árvore frondosa;

Sobreviver não é preciso.

Amar não é preciso

E mesmo assim,
Luto e desejo
A sobrevivência e o amor
Do qual poderia me alimentar.

Viver além do conceito cru
E púrpura de um livro de auto-ajuda.
Porque comigo é mais.
Em mim é maior.
Eu sou eu.
E estou aqui.
Não quero o vento e...
Preciso do vento.

Sou uma árvore frondosa que
Precisa ser envolvida pelo vento.
Meus galhos retorcidos
Precisam sentir a suavidade
Da pureza deste vento de verão
E é o vento que traz a esperança
De ser além da sobrevivência.
De poder alçar vôo,
Partir e nunca mais voltar,
Guiado pela emoção
Do momento
Que ainda não me atrevo a arriscar.

Raone Tomazelli (escrito em 27/04/10)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Abstração

Boa noite!

enfim, chega ao fim, finalmente e por fim mais um dia. (que ênfase hein?!)

E é com ênfase mesmo que quero terminar mais um dia. E hoje foi um dia bom. Dia em que consegui realizar tudo o que me propus, mesmo que na mesma maré de idas e vindas de idéias e pensamentos que me atormenta, e ao mesmo tempo, fascina todos os dias.

Queria dar boas vindas aos novos leitores do blog. Ainda são poucos, mas considero cada um de vocês. Pra mim, compartilhar é preciso e ter vocês aqui, me acompanhando, me garante um gás fantástico pra escrever.

Bem, o texto de hoje se intitula "Abstração"

A solidez inexistente de ventos abstratos.
O proferir loucuras,
sem nexo
deixando as palavras fluirem
livres,
únicas,
loucas.

Este é o momento
O momento a que me propus
O dia que se encerra e,
Aqui dentro,
A inesgotável
Capacidade de querer fazer fluir...

Foi hoje.
O dia em que o sol amanheceu em silêncio
Mas não me deixou dormir mais um pouco.

Foi hoje,
Que a Lua manifestou indecente
As suas formas cândidas
O seu luar "luástico",
O seu ser..."fantástico".

É hoje, foi hoje e ainda será
o dia que minha poesia não tem
Sentido <---->
Não tem direção.
Não sabe onde ir.
Não tem pontuação.
Correta Pontuação.

Porque,
Me propus
A ser liver.
O incansável caçador
de Pipas.

O louco amante
de noites traiçoeiras
As mesmas que, de forma traiçoeira,
se tornam também amantes.

Não busque um sentido.
Não existe.
Não existe no "além-mim".

É meu.

E mais uma vez...

É hoje.

E Eu estou Feliz.

Raone Tomazelli (louco) 26/04/2010


(tive que ir...)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Frase

"Para os dias inutilmente azuis que tentaram encorajar meus passos, eu peço desculpas, mas a feliz tristeza de gotas de chuva prateadas fizeram sempre em mim, melhor efeito"

Raone Tomazelli 12/04/2010

sábado, 10 de abril de 2010

Sonho e Realidade


Num misto de momentos doces e amargos,
suaves e...
rudes.

Bondade, Maldade,
Tudo se confunde,
e nada é tão simples.

Mas também,
não tão complicado assim.

A realidade não é real,
a partir do momento
que sonho não é sonho.

O real, então,
pode ser sonho.
Da mesma forma que,
o sonho,
pode ser real.

Um misto de sensações,
direções, caminhos a seguir.
Uma estrada, um caminho.
E eu sei pra onde ir.
E eu não sei pra onde seguir.

Mas o que é sonho,
O que é real?
O que é realmente sonhável
e o que é um sonho em potencial realidade?!

Mais uma vez no mesmo ponto. Fugindo dos conceitos simplórios, insuficientes para explicar o que se passa aqui dentro. Talvez tenha que inventar meu próprio "dicionário" dos sentimentos...

Raone Tomazelli 10/04/2010

domingo, 4 de abril de 2010

Palavra jogada na cara



Uma palavra a mais.
Nenhuma palavra a menos.
Demais, tudo demais.

As palavras jorram,
Enfurecidas,
Escapam,
Saltam,
Insanas,
Loucas,
Atravessam o pequeno espaço
Que existe entre duas pessoas
Que gritam e dilaceram
A vida uma da outra.
As palavras são armas que machucam, muito.
Entram na alma, acabam com tudo.
Fazem perder a noção da realidade.
As palavras ecoam. Acabam. Piedade não há.
São como cães ferozes, instigados a destruir.

As palavras ferem.
Causam feridas sem cura.
Apenas o tempo faz com que a dor seja suportável.
Apenas suportável.
Fragilidade. Impotência.
Lágrimas quentes que escorrem de olhos em chamas.
Suspiros, gemidos.
Dor, apenas a dor.
Culpa das Palavras,
culpa do tempo.
Um coração acelerado,
um sentimento espremido.
Ausência de voz.
Ausência de paz.

Apenas se diz,
Apenas se ouve.
É a dor.

da palavra jogada na cara.

Raone Tomazelli 04/04/2010

sábado, 20 de março de 2010

Hoje eu parei


Sabe.

Hoje é um dia particular.
Olho a cidade. O céu é cinza. As luzes estão acesas, os carros vão e vem. As pessoas correm, sobem em ônibus, descem alguns quilômetros depois, olham umas para as outras, falam, discutem, se vão de novo. O céu é sempre cinza e uma estrela ainda resiste apesar da nuvem de fumaça que nós, adoráveis e desenvolvidos seres, criamos e reforçamos a existência todo dia (tudo bem, esse não é um texto sobre a defesa do meio-ambiente...). Com estrela, sem estrela, as pessoas não param. As pessoas parecem estar sempre indo encontrar alguém ou fazer alguma coisa. O tempo todo.

Apesar de ser uma dessas pessoas, hoje eu parei. Parei e olhei ao meu redor. Hoje é um dia particular. Hoje é dia de mudança, de um novo "ir e vir". Hoje começa a parte do caminho que decidi trilhar.

O som é alto, as pessoas gritam, se confudem, nunca se entendem. Pagam, compram, entram, saem. As pessoas gesticulam insistentemente como se essa fosse a necessidade mais "necessária" (bem reforçada mesmo) de suas existências. Um carro a 120 Km por hora. Uma ponte de 200 metros. Uma luz de 200 W. As pessoas não param, e contam, somam, diminuem...correm. O tempo é curto, o tempo custa e pesa.

Hoje eu parei de contar. Hoje o caminho é novo. O peso eu já sei qual é. Vale mais que qualquer dinheiro, pois se trata do valor inestimável de satisfazer a própria alma. De alimentar o próprio sonho. De ir sempre adiante.

O céu é cada vez mais cinza. Placas, letreiros. Imagens esparsas, novidades, promoções. Propagandas, rostos famosos, gostos dos cheiros. Palavras ricas, Palavras pobres. Sons que não se ouvem. Venda do que não existe.

Mas eu parei, pelo menos hoje. Não vejo nada, além do que escolhi. Decidi ver apenas a estrada, que se abre, como que por mágica. Só me resta saber trilhar o caminho e chegar. O final da estrada ainda não consigo ver. Sei que o caminho é longo e que o que está no final dele me pertence.

A cidade me disse tantas coisas hoje, e ao mesmo tempo não me disse nada. Eu quis que fosse assim. Ouvindo um rock melódico americano, sabia que, desde que vi o resultado daquela prova, de manhã, eu já poderia começar a traças...

...o futuro daquele que decidiu ser o autor de sua própria história.

Raone Tomazelli 20/03/2010