sexta-feira, 29 de julho de 2011

Verde demais

E se eu fizesse de conta que eu sou uma pessoa decidida e que eu realmente tenho o controle sobre tudo, como seria?

Talvez esse seja o melhor da imaginação...poder fazer você ser quem quiser, estar onde quiser...enfim. Hoje eu sou seguro de mim, sei onde quero chegar e qual caminho trilhar...será que ainda existe poesia? Vamos tentar...

Seus olhos eram da cor de uma manhã de verão,
quando o sol vai nascendo e iluminando
um gramado grande demais,
denso demais,
vivo demais.

Seus lábios também eram grandes.
Talvez lembrassem as dunas suaves de um deserto,
dunas rosáceas num pôr de sol do mesmo verão que iluminava o campo dos olhos.
Grandes demais,
rosas demais,
doces demais.

E eram os mesmos olhos e lábios que acompanhavam um sorriso apenas sincero demais.

Cabelos ao vento,
as vezes mais curtos,
ainda assim, lindos,
da cor da terra de um dia em que choveu, depois veio o sol e depois choveu de novo.
Não importa, o que importa é que balançavam e eram leves e espertos como a sua irremediável e adorável espontaneidade.

E assim ela apareceu,
sorriu pra mim,
se encantou.
Leu, escreveu, pensou.
E eu li, escrevi, pensei.
E ela demonstrou.
E eu me contive.
E ela adiantou. E eu esperei.
E ela se foi. E eu pensei.
E ela pensou. E eu falei, e ela pensou.

E eu agi, ela agiu.

E entre mãos que acariciavam cabelos espontâneos,
lábios que encostavam nos mais rosáceos que já viu,
olhos de mar que encontravam olhos daquele campo intenso do dia de sol,
tive a certeza de que poderia ser só nosso, por um momento, todo o tempo em que pensamos e lemos, e refletimos, e sonhamos...

E foi assim. Só assim.
Um momento.
Uma curta tarde de verão com o mesmo sol que iluminava seus olhos.
Foi ao lado do cenário que acompanhou desde a mais fútil das nossas conversas
que eu encontrei a serenidade...

ao lado da sua pra sempre querida e admirada

espontaneidade.


Gianluca di Valdo, 20/07/2011

P.S.: Desculpa por te dedicar isso só hoje, sabe que levo um tempo para certas coisas. Não quero nada com isso, que fique claro. Apenas quis retribuir o que você me deu com tanta espontaneidade, da forma que consigo fazer melhor. Esse é pra você, moça.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Enfim, respiro...

Acho que é hora de escrever

E hoje o discurso é pessoal...

Existe a mesma confusão aqui dentro.
A que me acompanha desde sempre,
A que não me deixa dormir tranquilo.

A que traz inverno às folhas verdes de uma árvore jovem,
A que balança os seus galhos,
Enfraquece suas raízes,

E se torna crucial para a sobrevivência.

E me lembro de quando não passava de um menino, deitado no piso frio da cozinha da casa antiga. Mês de Junho ou Julho, talvez Agosto, verão intenso na pequena cidade de Valdo. E o sol intenso acariciando meu rosto, primeiro devagar e depois tanto, tanto, até quase queimar, e eu, menino, ficava alí, parado, pensando, até que minha barriga começasse a dor de tanto...sol, me avisando que já era hora de entrar.

Então eu corria no mesmo chão frio (que nunca deixava de ser) e me perdia em tardes de brincadeiras de um menino sozinho. Desenhar, construir com as velhas peças de um Lego, preparar uma surpresa para a mãe que chegaria mais tarde...me envolvia dentro das possibilidades que criava a mim mesmo. E eu me bastava.

Mas também me lembro das tardes em que corria para a rua. E brincava com a Elisa, o Denis...meus amigos. Ora eu era o goleiro do time de futebol improvisado, ora eu era um aventureiro de ruas ainda inexploradas. 
Esconderijos já manjados do bom e velho pique esconde que voltam a ser usados, a igreja das velhinhas bondosas que escondiam em casa pedaços de bolos gostosos. Boas risadas, até a noite cair, o suor em nossos rostos, camisetas sujas de infância.

E nesses momentos eu não trocava nada daquilo pelo meu ser "só". A rua me bastava, os amigos, as brincadeiras e as promessas de futuro. 

E eu não me questionava de verdade sobre esse conceito tão "adulto". Futuro? Apenas o que aconteceria a partir de amanhã, depois, quem sabe. Questões "psicológicas" então seriam um tanto quanto precoces se indagadas por uma criança de 9 ou 10 anos, correto?


Mas hoje percebo que um ser se construiu. Calvado nessa dualidade de pensamento, entre a necessidade de estar só e querer estar assim e, ao mesmo tempo, precisar desfrutar daquilo que é alheio. Àquilo que o mundo está me oferecendo...E então, caio na crise do que acontece hoje, dentro dessa árvore de galhos frágeis...


E hoje (adulto) indago: existiria em mim uma busca incessante pelo que não tenho? estaria atando-me as não possibilidades do que é, de fato, possível? Acho que estou irremediavelmente doente. Doente da essência do que sou, doente do que quero e do que penso, do que sinto, almejo, insisto. Me pergunto se seria a minha vida apenas a passagem vazia de dias e dias que se repetirão até a exaustão quando, cansado demais do "repetir-se" meu corpo vai se abandonar e deixar ir essa alma tola que anseia tanto por se libertar de tudo e de todos, inclusive de si mesmo?

Anulei minha existência aos poucos, diminui contatos, distanciei relações, pessoas. Pra não falar de amores. Criei uma resistência às minhas paixões instantâneas e, oras, me tornei mais infeliz. O que achei que seria momentaneamente superficial se tornou eternamente fútil e vazio. Meus dias estão repletos de ares capitalistas, aspirações insossas, integridades corrompidas, sentimentos traidos. Me calo sempre que sou tido como o errado e deixo embora, por medo de não ter a tão tola liberdade que necessito. 

Mas, seria a tal liberdade tão tola assim?

Eis então que penso ter encontrado a resposta, do que é, que me aflige. Seria apenas esse conflito entre minha vontade de voar e minha necessidade de parar, ter e...amar? É o mesmo conflito daquele menino que deitava para se esquentar no sol e depois corria para as brincadeiras da velha rua? 

Mas eu não sou de ninguém e, ao mesmo tempo, preciso tanto do carinho de alguém. Preciso de duas mãos a mais, cabelos a mais, uma boca a mais, dois olhos sinceros a mais, um perfume diferente a mais. E preciso das asas leves da liberdade, de sentir o vento sozinho, de falar comigo mesmo, de me interpretar, me reinventar, me surpreender, me amar.

Preciso alçar vôo, decolar. Preciso pousar, parar.

Como?

Preciso encontrar a solução...

...mas eu ainda acho que apenas descobri o preço por tentar ser o que sou.


E a árvore tem a opção,
de resistir ou de ceder.
Sofrer e seguir ou apenas...

Morrer.

Demorei, mas enfim consegui escrever (quase) tudo o que queria. Mais leve.

Gianluca Di Valdo, 26 de Julho de 2011

sábado, 2 de julho de 2011

Desabafo

Existe uma aflição dentro de mim. E em parte eu sei que é por causa de um teste cabulosissimo que tenho que enfrentar na quarta, mas eu sei também que não é só por isso. É por um monte, um saco, uma imensidão de coisas que não quero citar, talvez não deva, talvez não saiba como dizer. Digamos que a vida é sempre capaz de te surpreender pro bem ou pro mal. Digamos que as vezes você não entende bem quando começa um e termina o outro. Digamos que ando relativizando (quase) tudo e o limiar entre certo e errado me parece cada vez mais tênue. Culpa das aulas de Estética? Talvez. Fato é que, agora, deveria estar estudando para o tal teste, mas não consigo me concentrar. Quero fazer qualquer coisa, menos abaixar minha cabeça para ler mais uma vez essas teorias malucas de Cálculo. E eu dependo disso e eu odeio depender, odeio ser obrigado, odeio me sentir inferior a qualquer coisa, me sentir limitado. Minha cabeça parece não querer seguir, ou talvez essa seja uma desculpa tola pra não confessar a mim mesmo meu medo de ser inferior. Meus desabafos contidos, meus medos, essa aflição toda é o que? Minha falta de capacidade que se passa por medo do que desconhece. Minha insegurança posta em jogo, meu "se expor", meu eu verdadeiro; Existe um "eu" verdadeiro? Existe uma essência? Uma razão, um motivo certo...E algumas pessoas se despedem, deixam saudades, eu fico remoendo o passado, aflito pela falta de certezas. E me obrigo a me obrigar. E eu odeio a obrigação. E eu não congio me dominar a ponto de dizer que, dentro de mim, existe a razão. Imaginação. Preciso dar asas à minha mente que quer, apenas, criar. Alcançar, sobrevoar os montes de um dia sereno. Quero ir embora, quero viajar, quero sofrer, rir, chorar. Quero ficar, acreditar, superar, entender. E agora? Não sei o que quero, pra onde ir ou o que fazer. Aliás, eu sei, mas, e aì...

Bom, o desabafo já ficou muito complexo. Desculpa. Eu precisava disso. Sem formatação, sem nada. É so.

Gianluca di Valdo, 02 de Julho de 2011