Um sábado qualquer e você resolveu que não vai sair de casa. Talvez você esteja cansado das mesmas pessoas falando sobre as mesmas coisas. Talvez você queira apenas ficar em casa. Ah, foda-se. Assim foi.
Então você se planeja para um sábado à noite "perfeito para você e para você mesmo". Você ama sua companhia, seu gosto musical, as séries que você quer assistir, as coisas que quer comer, sem se preocupar com o quanto fazem bem ou mal à saúde: é sábado à noite, você está sozinho e você merece. Vai ser bom.
Mas, de repente, como alguma coisa que não consegui "metaforizar" agora, você se torna patético. Você está sozinho, você quis estar sozinho. Talvez seja culpa da próxima semana que não se mostra tão intensa. poucas preocupações, muitas justificativas, mas o fato é que você se vê a vagar em universos que já abandonou ou, melhor, quis/deveria abandonar e não está mais sozinho ¬¬. Se pega revendo algumas fotos, descortinando algumas paisagens, recriando situações. Se vê desabafando em um blog na internet na expectativa de que alguém leia a bosta do seu drama e, de alguma forma, compartilhe com você. É tudo uma droga. Culpa de ser um cara meio romântico, que se apaixona, que acredita nessas coisas. Depois desacredita, acredita de novo. Difícil não acreditar. Necessário desacreditar. O fato é que eu tô aqui, sozinho, mas não, que merda, não tô sozinho. Você me atormenta, de novo. Você ta presente, você me tira o sono, me leva pra fora desse quarto cheirando a um sábado em que não saí de casa.
Sério, é complicado.
Queria apenas ter o auto-controle de dizer a mim mesmo: não. Mas, já entendemos que não é assim que funciona. Como sou ridículo. O mundo aí, girando, você quem sabe aonde, talvez até no espaço e eu aqui. Não que eu não tenha viajado em outros universos...mas e se só no seu eu encontrar um Planeta Terra?
E sinto falta das suas mãos tão brancas, seu cabelo macio, lábios e sorriso, sua risada inteligente, seu tom de voz de quem sabe o que é certo. Sinto falta das mãos brancas trocando sonhos, das verdades sentidas pelo olhar. Sinto falta da sinceridade, da certeza. Saudade do futuro. Saudade de momentos que foram poucos, vontade de que se eternizassem. Saudade do eterno verdadeiro incrédulo passar dos anos. Mas quem precisa falar em tempo?
Você está presente.
Queria estar bêbado, pra ter a desculpa certa a usar quando reler as linhas que estou aqui, tristemente, me dispondo a escrever. Mas não estou. É sábado à noite, eu quis ficar sozinho, mas você me encontrou.
Acho que preciso apenas deitar, me enrolar nas cobertas que já estão quentes e me transportar pro seu lado, só por um pouco. Daqui a pouco a saudade vai embora, tudo passa, volto ao normal. Fecho as portas, me mantenho seguro. Lógico que tudo isso usando uma coberta.
Que bosta.