domingo, 25 de julho de 2010

Aí vou eu

Se um dia eu pudesse voltar atrás e, quiçá, fazer outras escolhas, acho que apenas perderia meu tempo tentando encontrar os possíveis erros cometidos. Se ou quem sou hoje, isso é resultado de escolha por escolha, etapa por etapa, momento po momento... Dessa forma se contrói o indivíduo e lamento muito para aqueles que, em vão, remetem ao passado tentando pensar em como poderia ser. As coisas não podem ser, elas são e assim são, sem pedir a a sua autorização. O máximo que você pode fazer é interferir no caminho até elas. Mas quando chegar, chegou.

Hoje refleti muito a respeito de tantas questões. Foi um dia longo, extremamente cansativo, porém proveitoso. Aprendi que posso chegar onde quero, e que vou continuar escolhendo e escolhendo e tentando acertar o caminho. Descobri que caminhos realmente não são belas autoestradas européias, bem sinalizadas no qual se pode ultrapassar os 180 km/h e chegar rapidamente ao destino. A realidade é uma estrada tipicamente brasileira, aquela que leva ao interior de alguma comunidade esquecida, no qual predominam buracos, subidas ingremes, terra de chão. Estradas longas, sinuosas, cansativas de se percorrer. Eu descobri que é assim que o meu percurso deve ser. É assim que valorizarei a chegada, se existir, a algum lugar.

Hoje não tento voltar atrás e querer que algo seja diferente. Aqui estou, aqui eu sou, aqui vou eu. Daqui eu parto, mais uma vez, e em algum lugar eu chego. Eu sei onde quero chegar. Eu sei como deve ser.

Gianluca di Valdo, 25/07/2010

P.S. A partir de hoje começarei a assinar os textos com o pseudônimo Ginaluca di Valdo. Vou modificar as postagens antigas em breve.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Tempo, espaço, poesia.


O mistério
é
O relógio,
Que esconde,
Por detrás de seus ponteiros,
A inacreditável capacidade
De subornar o tempo.

Seria insensato dizer
Que a culpa disso não é minha.
Eternalmente responsável,
Pelo que cativei.
já dizia
O livro
Cujo protagonista
Era um pequeno membro
De uma determinada realeza.

Invariavelmente ferido,
Por tudo o que não se propaga,
Além do espaço
Que lhe é permito alcançar.

É mais um conflito.
De idéias,
Palavras e
Emoções
Que norteiam dias
Contra a bussola desesperada
da realidade.

Em mim.

No tal jovem principe.

Em mim, jovem principe do meu mundo.

A realidade de horas,
Que demoram anos,
E de minutos,
Que sequer duram
Milésimos de segundo.

Criei minhas próprias
Noções de tempo.
E saber que,
A vida
E sua capacidade
De se regenerar,
Depende exatamente
Do tempo e do espaço
Que lhe disponibilizo
À expansão.

Sou,
Novamente,
O autor da minha
própria história.
O incansável poeta
De dias cinzas e chuvosos,
Que enxerga no tempo,
E no espaço,
As condições
Físicas e emocionais
para que sua poesia
se perpetue.

Razão
Emoção

Tudo em função
Do tempo

e

Do espaço

Pequeno princípe
De seu próprio,
Pequeno ou grande.
Mundo.

Raone Tomazelli 09/07/2010