segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eternità

Siamo nell'anima di noi stessi come le goccie del mare sono immerse eternamente dentro se, nell'indivisibile oceano. Siamo così, noi stessi, stretti dentro noi, per sempre. Indivisibili. Per l'eternità. Ed è bello sentirsi così. In noi, per noi. Come il mare.

Dia de nada, dia de tudo


E você pára.
O mundo,
de repente,
no silêncio.

Suspiro.

Inconfundível
Dia sem chuva,
Sem vento
E sem sol.
Sem cheiro.
Dia de nada.
Dia de tudo.
Dia em que apenas se é.

Auto-suficiente.

Sobrevivente.

Levado,
Embriagado,
Pelas esperanças foscas
De passados sem futuro
E futuros dos presente.
Momentos sem sabedoria.

Reflexão.

De nada.

De tudo.

Crucial.


Dia de perguntas.
Dia de respostas.
Vidros agora,
Se desembaçam.

Além de perguntas,
Respostas.

Esperanças.

Sim, respostas.

Reorganizando.
Revivendo.

Não apanas mais,
Sobrevivendo.

Dia de nada,
Dia de Tudo.
Chuva,
Sol,
Vento,
Calor,
Frio,
Mais nada e

Poesia.

Cheiro de nada,
cheiro de tudo.

Crucial.

Meu momento é,
por que não?

Agora,

No dia do nada.
No dia do tudo.


Gianluca di Valdo, 27/09/2010.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Settembre




Quero dedicar um pouco do meu tempo a lembrar dos Setembros. Sim, Setembros, no plural, os Setembros de quando eu era apenas um garoto de cabelo engraçado, óculos de fundo de garrafa e uma vontade louca de viver. Setembro que era, na época Settembre, no melhor estilo italiano, com consoantes duplas e aquela sonoridade que poucas línguas nesse mundo conseguem imitar.

Bem, Settembre sempre foi um mês muito característico na minha infância, muito particular. Settembre era mês em que iniciaria o Outono, começariam as aulas e mãos habilidosas começariam a colher mais uma safra de uva. No meu mundo, no meu pequeno enorme mundo.
Os dias ainda eram longos, embora já se encurtassem devido à aproximação das estações frias do ano. Eu e Elisa corríamos, desesperados, aproveitando os últimos raios de sol. Corríamos, animados, antes do começo das aulas que tornariam nossos encontros mais difíceis. Amizades. Sorrisos cúmplices. Olhares confidentes. Palavras, momentos, felicidade. Inocência. Uma inocência esculpida pela maneira simples e original de viver. Uma felicidade que bastava. Passeios intermináveis acompanhados de longas conversas a respeito dos mais variados assuntos como a música do momento ou o sabor do ultimo sorvete que tínhamos provado. Eu, Elisa, e nossos vira-latas. Rex, Sissi, no bosque úmido, entre atalhos que para nós eram secretos. Entre curiosidades e mistérios. Entre o nosso mundo e a realidade.

Em Settembre as folhas das árvores já começavam a trocar de cor. Já não era o verde que o sol estava acostumado a refletir nos escaldantes meses de Julho e Agosto. Agora era amarelo, laranja, vermelho...e, como que por despeito, parecia que o sol não queria brilhar tanto, parecia infeliz. E as folhas caiam, se despediam, cansadas. Retornavam à terra, de onde recomeçariam o ciclo e se tornariam um dia folhas novamente, a serem iluminadas pelo Sol.

O cheiro da uva sendo colhida. Característica forte de Settembre. Pessoas encantadas, envolvidas, preparadas para outra longa e compensatória safra. É nítida na minha mente a imagem. Cestos sendo carregados pelas colinas, para cima, para baixo, ora vazios, ora cheios. Settembre.

E ainda, em Settembre, recomeçavam as aulas da Sra Bachini. 80 e alguns anos que, na época, pareciam para mim, muito mais do que hoje, uma eternidade. E ela tinha toda a paciência do mundo em me ensinar algumas notas em seu piano velho, cansado, como ela. Viviam ela e seu piano, naquela casa grande, repleta do luxo em que vivera outrora. Uma senhora nobre, casada com seu ilustre Piano. E ela tocava de olhos fechados, como se isso fosse prolongar seus anos de vida...se embebedava nas notas de uma partitura incompreensível. E eu a admirava tanto. E era Settembre.

Por fim, começavam as aulas. Os colegas, as novas risadas, o que iríamos aprender em mais um ano. Os professores. O italiano, a matemática, a Geografia que pra mim parecia tão complicada. As aulas da professora de Inglês que mandou eu cuspir um chiclete por estar parecendo, segundo ela, uma vaca ruminante. Não importa. Era Settembre.

E de Settembre em Settembre, cheguei hoje aqui, em mais um Settembre. Sei que sou hoje a soma de vários que já aconteceram e espero ser parte da soma de muitos outros que estão por vir. Que Settembre seja sempre assim. Um mar de recordações e uma inspiração para continuar.


Gianluca di Valdo (mais do que mais do que nunca), 21/09/2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Vidro quebrado, pés descalços




Como não poderia se diferente, hoje tenho "necessidade" de postar. E faço isso ao som de uma música que, em alguns momentos da minha vida, me ajudou a encontrar as palavras. Me ajudou a traduzir o que acontecia, por fora, por dentro. Já repararam que o ser humano não consegue colocar em palavras tudo o que quer comunicar? A melodia de uma música contribui bastante. Pensei em mais uma vez moderar o que ia escrever aqui, mas o blog é "meu mesmo" como me disse Paula...então, aí vai.
Vidro quebrado, pés descalços

Já não é.
Já não faz mais sentido.
Já acabou.
Já se foi,
Se despediu,
Já.
E é ridículo.

Esperanças estraçalhadas,
Cacos, do verde de uma velha garrafa.
Garrafa verde,
Esperança quebrada.
Garrafa, esperança.

Nós,
Nas gargantas de quem,
Tem a verdade.
A verdade em,
Poetas de Ferro.
Corações de Ferro.
Poeta. Ferro.

Liberdade,
Ridícula liberdade.
Ilusão ao poeta.
Ridícula ilusão.
Perfeições,
Sinceridades,
Verdades,
Iludidas.

Sentimentos
Sem nome,
Melodias enfraquecidas,
Razões incompreendidas.
Prioridades.
Infelicidades.
Inverdades.

Existem cacos,
Da velha garrafa verde
Da esperança,
Estraçalhados.
Poetas de ferro
Podem se Machucar
Quando resolvem,
Tentar sentir o chão,
Descalços.

Já não é.
Já não faz mais sentido.
Já acabou.
Já se foi,
Se despediu,
Já.
E é ridículo.
E foi o que foi.
O que foi?

Não há como saber,
A garrafa se quebrou,
Tudo se espalhou,
Restam apenas pés descalços.

Perigo de se machucar.

Poeta, seja novamente,
completamente de Ferro.

Gianluca di Valdo, 18/09/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rosa rossa e Rosa gialla


Rose rosse, di rossi pomeriggi.

Rose gialle, di gialle estati.

E ricordarsi,
Di pomeriggi caldi,
Corpi sdraiati al sole,
Risate senza colpa.

Riprendersi,
A proferire discorsi,
Senza senso.
A riflettere.
A non importarsi.

Rivivere,
I balconi verdi di una vecchia finestra.
Le notti stellate,
Che ora sono appena,
Ricordi spezzati.

Lo squillo di un telefono,
Le amicizie.
I coriandoli.
I muri, gattini persi.
Felicitá.
Bastava poco.
un girogirotondo...

Mi manca l'aria,
solo a pensare,
Come sarebbe
Rivevere tutto ciò.

E c'era una rosa rossa.
E c'era una rosa gialla.

E mi bastava.

Gianluca di Valdo (più che mai) 07 de Setembro de 2010

Inquieto


Não sei bem, não sei ao certo. Uma sensação estranha, novamente, se vê no direito de invadir a tranquilidade dos meus pensamentos. Não consigo entender porque tudo tem que ser assim, tão complexo, tão intenso, tão verdadeiro. Fico imaginando se, para as pessoas que encontro pela rua, a vida se revela assim, como a mim, tão "intensa".

É isso que se passa hoje em mim. Fico pensando se não preciso de um pouco de frugalidade no que vivo, no que penso, no que quero. O meu dia-a-dia me avassala de responsabilidades, de demandas, de presenças. São tantos Raon..oh, perdão, Gianlucas! Fico dividido, partido, impotente. Nada é simples. Nada é fácil.

E então, são trabalhos que não sei para onde vão me levar. São valores, prioridades, tudo posto em jogo. Qual é minha prioridade? Qual é o meu "projeto"? Chego à conclusão que, apesar de "projetos", nada é exatamente como eu gostaria que fosse e é tão difícil me adaptar, me enquadrar. Não quero me enquadrar, quero que seja do meu jeito. E eu posso sofrer, mas nunca me farão realmente acreditar que não depende de mim.

Existe um vazio, no peito. Existe um "querer mais", um "e agora?". Jovem, olhos apontados para o horizonte e, ainda assim, perdido. É estranho.

Não sei o que é o "vazio". Sei apenas que existem pequenos intervalos felizes entre tantos mais suspiros daquilo que eu não poderia ousar chamar de infelicidade, porém que é mesmo assim, triste. Não tem um nome. É o que sinto. É estranho.

E depois são silêncios, segredos, problemas. São angustias alheias, são deveres de felicidade. São amores de minuto, são eternidades corrompidas, são altos e baixos do que não se ouve e não se diz. São reflexos de uma alma sem espelho. São insanidades de olhos alheios que observam o que não existe em você. São expectativas a atender. São esperanças a desafiar. São dias de branco e preto, cores ao acaso, disturbios. Silêncios. Barulho e, silêncio de novo. Inqueito. Onde está o bom e velho equilibrio?

E existe a nostalgia. A nostalgia de quando era apenas um garoto de 9 ou 10 anos, e meu mundo era tão meu. A janela do meu quarto era tão minha e tanto de mim sabia. O vento a quem confiava meus segredos. As nuves a quem dava os formatos. Era meu, um mundo só meu...Hoje são choros abafados, gritos de uma alma inquieta. Inquieta porque ela quer ser o que era. A alma do menino livre. Livre. Livre!

Choros abafados.

Explosão de sentimentos.

Quem me dera voltar no tempo e ser, apenas um menino.


Gianluca di Valdo, 7 de Setembro de 2010