domingo, 11 de novembro de 2012

Não acredito mais no amor

Vou aproveitar minha "onda de inspiração" e escrever algumas linhas. Na verdade nunca sei se o que aparece primeiro é a vontade de escrever ou se essa vontade é precedida de uma necessidade, num momento em que o limite entre guardar pra si e colocar pra fora é tão tênue que a busca por formas de expressão não é nada além de um escapar da loucura, nem que seja momentânea.

Não acredito mais no amor. O amor nada mais é que uma ideia vaga entre ter alguém por perto quando você precisa, usufruir (sexualmente ou não) do outro, suprindo carências (que também são sexuais ou não) e permitindo que, num momento de suposta subserviência, esse alguém faça parte da sua estúpida (e ainda assim egoista) vida. 

Não estou falando que isso ruim. Pelo contrário. Falo de fatos. E fatos são bons.

O que me ocorre, porém, agora, é que, se digo que o amor não existe e logo depois digo que ele é alguma coisa, eu entro em contradição. Se ele é alguma coisa, ele existe, portanto minha primeira afirmação, norteadora de todas as palavras fúteis deste texto, é falsa. Então, sim, equivoquei-me. 

Logo, o amor existe. O que não o torna mais nobre do que descrevi pouco acima. O amor é um pretexto, uma forma de dividir seus problemas, suas aflições. Uma forma pouco altruísta de se sentir menos sozinho. O amor é um jogo. Um jogo onde existem peças, manipuladas, mantidas em posições estratégicas. O amor é útil, é prático, é conveniente. O amor é ensinado, não é sentido. O amor é calculista, embasado, pouco emocional. O amor é o jogo consciente da inconsciência que te leva a decidir, insconscientemente, pelo que vai te trazer maiores benefícios. O amor é uma relação individual. É cada um por si. O amor é uma embalagem cara para uma relação barata, de poucos escrúpulos. O amor é uma forma civilizada de reproduzir, de nos afastar da nossa inegável natureza animal. Somos animais que amam e, exatamente por isso, somos ainda mais animais.

Preciso dizer que, sim, tive dificuldades em desacreditar do amor. O amor é fácil e tudo que é fácil nos atrai. O amor é como a fé, é como a luz, é como o silêncio. O amor é lógico.

O amor é utópico. É frágil, ou forte, depende do interesse. O amor é vantajoso, a não ser que uma separação o seja mais. O amor é esperto e é forte. O amor é eterno ou é um momento. O amor é mérito.

O amor é de palavras dóceis, de cumplicidades uteis. O amor é sexo em cativeiro. 

E antes que venham as mentes condenadas pelo ensinamento do amor a me questionar sobre o quanto estou  
ou não "azedo", permito-me dizer que não estou sofrendo deste mal.




Porque o amor do qual vos falo é o amor que aprendestes. O amor que vos ensinaram. O amor que declarastes ao primeiro que vos olhou. Vós, aprendizes do amor, não conheceis seu verdadeiro significado. Não sabeis o que é. O amor que pregais é tudo isso que descrevi, é mesquinho, útil e ganancioso. 

Ninguém sabe o que é o amor. Ninguém descobre o que é o amor. As pessoas apenas se rendem àquilo que aprenderam a classificar como tal. Porque o amor, o verdadeiro, é para poucos. É para os que não se doutrinaram, apenas sentiram, apenas viveram. O amor verdadeiro é, resumidamente, verdadeiro. É puro, é único, é essência. O amor verdadeiro é um sonho. É inocente e se deixa levar com o vento. E eu preciso continuar acreditando nisso.

SIm, o amor é estúpido.

E eu que me considerava o último dos românticos...







sábado, 29 de setembro de 2012

E então

Tenho preferido a beleza imaculada dos meus silêncios.
Tenho compartilhado da minha prazerosa companhia.
Tenho evitado palavras desnecessárias.
Tenho escrito a mim mesmo poesias.
Tenho olhado a lua crescer,
A luz apagar,
O sol sumir,
A tarde cair.

Tenho observado o tempo passar.

E os dias me presenteiam
Com sua interminável repetição,
Sua ausência de monotonia,
Sua vivacidade, tristeza, paz e alegria.
Num contexto dúbio de felicidade,
Numa certeza plena e feliz de realidade.
Porque nem todas as marés são de calmaria,
Nem todas as estações fazem flores germinar
E nem todos sorriem ao me ver chegar.

Tenho abandonado costumes antigos,
Me permitido queimar as mãos,
Sentir o sol invadindo minha pele fria,
Descongelando meu sorriso.
Me expulsando pro paraíso.

Tenho perdido lágrimas no abismo,
Batido as asas num céu sem vento,
Esquecido livros em gavetas velhas,
Perdido a chave de diários superados.

Subo as escadas rumo ao infinito,
Me solto, solto, num chão de vidro.
Me apego na saudade,
Agarro minha vontade,
Mordo meus desejos,
Sigo sem os velhos medos.
Me permito ter saudade,
Crio, recrio, invento e supero
Realidades.

E então eu sentiria.
E então eu seria.

E então.

sábado, 28 de julho de 2012

Como?

Acho que é hora de escrever

E hoje o discurso é pessoal...

Existe a mesma confusão aqui dentro.
A que me acompanha desde sempre,
A que não me deixa dormir tranquilo.

A que traz inverno às folhas verdes de uma árvore jovem,
A que balança os seus galhos,
Enfraquece suas raízes,
Entristece.

Existira em mim uma busca incessante pelo que não tenho? estaria atando-me as não possibilidades do que é, de fato, possível? Estou irremediavelmente doente. Doente da essência do que sou, doente do que quero e do que penso, do que sinto, almejo, insisto. Seria minha vida apenas a passagem vazia de dias e dias que se repetirão até a exaustão quando, cansado demais do "repetir-se" meu corpo vai se abandonar e deixar ir essa alma tola que anseia tanto por se libertar de tudo e de todos, inclusive de si mesmo?

Estou em prantos dentro de mim. Anulei minha existência aos poucos, diminui contatos, distanciei relações, pessoas. Pra não falar de amores, criei uma resistência às minhas paixões instantâneas e, oras, me tornei mais infeliz. O que achei que seria momentaneamente superficial se tornou eternamente fútil e vazio. Meus dias estão repletos de ares capitalistas, aspirações insossas, integridades corrompidas, sentimentos traidos. Me calo sempre que sou tido como o errado e deixo embora, por medo de não ter a tão tola liberdade que necessito. Eis então que penso ter encontrado a resposta, do que é, que me aflige. Seria apenas esse conflito entre minha vontade de voar e minha necessidade de parar e...amar? Mas eu não sou de ninguém e, ao mesmo tempo, preciso tanto do carinho de alguém. Preciso de duas mãos a mais, cabelos a mais, uma boca a mais, dois olhos sinceros a mais, um perfume diferente a mais. E preciso das asas leves da liberdade, de sentir o vento sozinho, de falar comigo mesmo, de me interpretar, me reinventar, me surpreender, me amar.

Preciso alçar vôo, decolar. Preciso pousar, parar.

Como?

Gianluca di Valdo (texto que estava arquivado) 29 de Julho de 2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um momento (azul) qualquer

Um dia me olhei no espelho e percebi que alguns traços tinham mudado. Talvez seja cedo pra falar em gravidade, talvez seja tarde pra falar em cansaço, stress, depressão, todos esses termos que ganharam força nos discursos sobre qualidade de vida no começo do novo milênio. Talvez eu devesse apenas me certificar de que o tempo passara sim, e continuaria passando, mas achei a ideia antiquada e romântica, tragicamente romântica. Então pensei que apenas mudara. Pensei que algumas ideias mudaram de direção, alguns pensamentos deixaram de existir, outros se esconderam, outros nunca estiveram tão presentes. Algumas maneiras de pensar eramo novas e vivazes. Algumas melancolias permaneceriam. Alguns brilhos brilhariam ainda mais, uns se apagariam. Alguns textos continuariam tendo concordância verbal e talvez até sentido lógico, racional. Outros não.

Quando me olhei no espelho e fitei meus olhos azuis daquele tom que sempre gostara tanto e me deparei com meu excessivo, senão cansativo narcisismo do momento, pensei ter me tornado fútil. Poderia ter me tornado escravo de jogos estúpidos de vaidades. Talvez teria começado a acreditar nas verdades que criaram pra mim mesmo. Naquele momento, naqueles olhos, me sentia fugaz. Me sentia vazio como o céu sem graça, sem sol e sem vento e sem cheiro e sem nada. Um céu sem estação. Pensei sobre a vida, o passado, talvez o destino. Pensei sobre o presente. Pensei sobre alegrias, sobre como observara as folhas caindo da velha árvore aquela manhã. Pensei na importância que teria dado a isso. Pensei em mudanças. Em julgamento de valores que mudaram tanto. Pensei em propostas sem sentido. Pensei em personalidades em conflito. Pensei que meus olhos perderam o tom. Pensei que o gastara perdido no profundo fervor da juventude.

Silêncio. Daqueles que você consegue ouvir detalhadamente o tique-taque do coração. Quase possível ouvir a pressão arterial a "ouvido nu".

Pensei então que isso tudo era uma grande bobagem. Pensei que meus olhos estavam eram vividos. Jovens, mas vividos. E que nem tudo era perfeito, muito menos para o bem. Pensei em quantas vezes eles tinham se arriscado buscando verdades em olhares alheios. Em quantas decepções, ilusões e em quantas vezes tiveram sorte. Pensei que muitas imagens tinham sido capturadas, na melhor qualidade, superior a qualquer 20 ou 30 megapixels. Pensei em paisagens e estradas afora, caminhadas em areias, nuvens sem formato. Pensei em quantos romances e notícias de internet foram lidos, em quantas mensagens de celular, em quantos papéis trocados em bancos de escola. Pensei em aventuras, em olhares de desejo. Pensei em inocências e em malícias. Pensei em desenhos que desenhei, em paredes que pintei e em olhares que guardei.

Mais um momento de silêncio. Dessa vez só me distraia o barulho de uma torneira mal fechada. Pensei. Pensei de novo. Me olhei no espelho.

E vi que meus olhos continham tudo o que já tinha vivido. E que eles eram extremamente bonitos, naquele momento, narcisticamente falando ou não. Eram azuis, do melhor tom. Aquele era o melhor tom. O tom dos sonhos, dos desejos que se realizavam, das histórias que agora era capaz de contar, Do bem e do mal, do céu e do inferno, do amor e do ódio. 

Fiquei contei e pensei então que eu poderia fechá-los por um pouco, dormir, e deixar que no dia seguinte capturassem mais um pouco do que o mundo poderia me mostrar.




Gianluca di Valdo, 21 de Junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Epífano



Lá onde se contavam histórias de mentira,
Onde o céu, com ou sem estrelas, servia de destino.
Onde se falava sobre tudo. 
E sobre nada.
Onde se contava, se esperava,
Se ria, gargalhava.

Lá onde se plantavam choros de saudade.
Onde as árvores verdes da esperança
Demoravam pra crescer,
Onde as alegrias, 
Os girassóis da felicidade,
Se espalhavam por campos infinitos,
Se arrasavam por furacões enfurecidos,

Onde a água escoava as sujeiras da vaidade.


Lá onde perfeição e feio,
Se confundiam com amor.
Onde jorravam como sangue, 
ódio, mágoa e rancor,
Sujavam cortinas brancas do vermelho intenso,
Cheiro de podre, mas vivo, suspenso.

Lá onde a escuridão era questão de tempo.
Longo, inconstante, perverso e intenso.
Mas apenas tempo.
Onde caia pó de estrelas consumidas,
Onde luzes ora se apagavam,
Oram se acendiam,
Ora se esvaiam.
Onde o tempo de um piscar de olhos parecia imenso.

Lá onde as palavras
Tinham poder de transformar o valor do ouro.
Onde terras duras se tornavam férteis,
Onde era possível cultivar orquídeas em desertos,
Onde tudo não passava de momento.

Lá, lá onde estive por tanto tempo.
Lá onde se vomitavam as sinceras e estúpidas nostalgias de uma vida,
Onde era tudo preto e branco, ou magenta, ou anil, 
Onde a mistura fazia a forma,
Onde o sabor fazia a vida,
Onde o pensamento fazia o vento,
Onde o sol fazia medo,
Onde a lua brilhava como brilho,
Onde as mentiras me faziam companhia.
Estive lá, por tanto tempo.
Incerteza, confusão e nostalgia,
Criando uma estúpida e doce harmonia.
E era cruel, estranho, incerto.
E era apenas e sempre,
Já disse,
Um eterno e rápido momento.

Epífano.


Gianluca di Valdo, 07 de Junho de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Luz amarela, céu escuro

Fazia tempo que não escrevia nada e eis que encontro perdido um texto de algum tempo atrás. Só não vou comentar nada a respeito, mas merece ser postado.


Queria saber como começar.
E queria saber, mais ainda, como terminar.
Queria varrer as folhas dos ventos de primavera.
Fechar as portas, 
Apagar as luzes,
Aquecer a água para um café,
Me sentir de novo sozinho,
Fechado, tanto quanto apagado.
Melancólico.
Talvez esteja cansado de tantas cores,
De quadros vivazes,
De músicas felizes.
Seria o momento bom 
Para se recolher na escuridão.
No aconchego de uma coberta,
Na esperança de um amanhã sereno.
E respirar, aliviado,
A retomada da razão.
Queimando alguns papéis,
Algumas lágrimas inúteis,
Alguns perfumes
Que não valem tanto assim,
Quero paz de espírito.
Esquecer alguns números,
Dados, 
Talvez eu tenha demorado.
Talvez eu esteja exagerando.
Estou sentindo um frio na barriga.
Talvez varrer faça doer.
Encaixotar, guardar.
Aguardar.
É o que sei fazer de melhor.
E enquanto não chega 
Uma nova estação,
Uma nova música na rádio,
Um novo filme no cinema,
Um novo cheiro de café,
Me contento em ler,
Cantar, sorrir, 
Talvez chorar.
E me acostumar.
Que eu nunca deveria ter deixado
De achar que estava bem.
E nunca mais vai ser assim,
Nunca vai ser pra mim.
Nasci pra ver o sol se pôr sozinho,
Pra ser brega sozinho,
Pra escrever sozinho.
Nasci pra dizer adeus 
Somente a mim mesmo.
Enquanto isso,
Posso me contentar em
Algumas noites de prazer,
Algumas noites sem dormir,
Alguns papos ao vento.
Algumas risadas,
Xícaras vazias.
Alguns momentos.
Passatempos.
Já é hora de voltar a sentir a brisa,
O cair da noite,
A lua amarela,
No céu escuro.

Gianluca di Valdo (algum dia aí)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Madrugada



Queria poder controlar melhor alguma coisas, principalmente sentimentos. Não que não saiba fazê-lo, mas é que odeio me sentir fraco perante coisas que parecem mais fortes do que eu. E nem é mais um desses discursos clichês sobre o amor ou coisas afins (não apenas). Estou falando de quando se trata de ódio, de raiva, de tristeza, de felicidade. Queria ser mais contido quanto a isso. Queria que nunca ninguém entendesse o que se passa por dentro. Queria que fosse de fato tão pouco transparente quanto me cobro, mas sei que não sou assim. Alguns irão questionar, hesitar, dizer que sou um cara fechado, confuso, difícil. Eu protesto! Sou mais facilmente compreensível do que parece. Talvez esteja faltando a maneira certa de chegar até a mim, a melhor palavra, o melhor gesto. Talvez falte simplicidade, correspondência, paciência. Ou talvez eu sou confuso mesmo e tenha dificuldade em admiti-lo. Ou não, sei lá, ah, só sei que as vezes fico cansado de remoer tanta coisa e me deter diante de muitas outras. Tá vendo? Olha a contradição...ha pouco dizia que queria ser contido, agora reclamo da minha contenção e isso se torna mais um dos meus desabafos inúteis. Ok, vai lá, sou confuso. Sou hesitante, impaciente. Gosto das coisas do meu jeito. Orgulhoso, às vezes prepotente. Melhor escrever em forma de poesia...


Madrugada.
Temperatura amena.
Respiração cansada.
Lembrança estúpida.
Arrependimento.
Saudade.
Inconsistente como o vento.
Intangível como o sol.
Impossível como a paz.
Estagnado como a rocha.
Ameaçador como o tempo.
Metafórico como este momento
Em que tão pouco o espelho pode refletir
Tanto a se falar
Inexplicável verdade,
Questionável realidade.

Madrugada.
Chuva fina.
Batimento estável.
Vaidade estúpida.
Entristecimento.
Saudade.
Inatingível como a alma,
Insubstituível como a brisa;
Intrínseca como o mal,
Estampada como o céu;
Enlouquecedora como a vida;
Eufórica como este sentimento.
Em que tanto pode-se dizer,
Tanto a se fazer.
Inexplicável razão
Questionável emoção.

Madrugada.

Gianluca di Valdo, 10 de Abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Tela Estranha

Um dia pensei ter me perdido.
Atravessei a malha criada por linhas vermelhas e amarelas,
Me permiti quebrar a ordem, espalhar o azul.
Recolhi o verde, rearranjei da minha maneira.
Apaguei rabiscos duros de carvão. 
Espalhei um pouco de branco, um pouco de rosa. 
Um pouco de um vermelho venenoso.
Arranquei os espinhos de um fúcsia desbotado.
Deixei fluir as águas de um azul, até então sem graça e amarrado.
Esculpi num amarelo de solstício,
Rasguei marrons de folhas de um outono errado,
Rabisquei laranjas, desperdicei cinzas.
Abusei do preto, depois apaguei.
Depois usei, re-usei e apaguei de novo.
Então cobri tudo de anil,
Desenhei círculos magentas e imperfeitos.
Reestruturei. Reedifiquei. Recriei as regras,
De uma paleta de cores qualquer.
Estudei as proporções, as relações.
Amarelo com Lilás,
Vermelho da paixão, com o verde da relva primaveril.
Complementando, segurando.
Limitando.
Cansei.
Recriei.
Amarelo, Vermelho,
Paixão, Veneno.
Um girassol.
Um sol sem céu.
Um azul sem mar.
Uma vida sem o verde do pinheiro de natal.
Um amanhã sem o cinza do passado.
Um cavalo sem o branco da coragem.
Uma vida sem bravura, sem paisagem.
Espalho o laranja do mediterrâneo.
Escrevo com o verde da janela.
Com o cinza do futuro.
O preto do presente,
O vermelho do amanhã,
Às águas anis da eternidade...
E tudo é uma grande confusão,
Um mundo sem maré.
Uma maré sem humanidade,
Uma humanidade incompleta de.
vaidade.
Alma sem limite.
Paleta de cores.
Tela incompreensível.
Mistura de emoções, regras e sabores.
Reflexo da minha alma.
Sou eu, hoje.
tela cheia. 
Tela estranha. 
Amarrada, solta
Ou desbotada?

Gianluca di Valdo, 05 de Abril de 2012



sexta-feira, 16 de março de 2012

30 milhões de coisas pra escrever e sem nenhuma criatividade pra colocar isso em poesia. Então...boa noite.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Muro de Pedra

Bom, tô tentando manter um pingo de racionalidade no meu discurso, mas sinto muito: a emoção geralmente toma conta de mim e eu fico feliz por isso. Que minha modéstia me permita, mas é assim que funciona o coração de um artista.

coração de pedra em uma parede de pedraE lá vem você.
no silêncio de uma noite sem graça,
Enquanto procuro o imprevisível para me dar algum direito.
Algum direito de desejo,
Desejo branco de um carnaval em fracasso.
Mas basta muito pouco,
Pra que minha busca seja encerrada.
Minha voz, sufocada.
Então posso recolher as pedras de uma rua antiga,
O sopro de um vento quente de verão,
Fazer a leitura de um livro nos seus olhos
Que pouco revelam,
Mas tanto interpreto.
Talvez queiram atravessar o muro que criei,
Com as mesmas pedras cinzas
Que apoiam seus pés.
Os seus,
Pois eu estou sem chão.
E fico tonto,
Neste jogo que estou cansado de jogar,
No rodopiar eterno de um pião mágico,
Encantado pelas fabulas que me convenci
A acreditar.
E que me fizeram imaginar,
E ao mesmo tempo me esconder.
A realidade está além das pedras.
E existe uma armadura,
Mais real que a de um conto de fadas,
Que me reveste por inteiro,
E que resisto a retirar.
Armadura disfarçada por palavras.
gestos, desculpas e rancores.
E é meu medo e meu modo de ser fraco,
E sim, eu tenho um cavalo branco.
E fujo, fujo, fujo
E não culpo pela dificuldade em me alcançar.
Estou correndo.
As vezes voltando.
E quiçá...
Encontre você em mais uma noite sem graça.

Gianluca di Valdo, 26 de Fevereiro de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

P.S.:


Sempre que venho aqui tenho duas opções, distintas e que, de uma certa forma, se completam. Bom, eu posso chegar e falar sobre tudo, abertamente. Eu posso colocar as cartas na mesa, deixar você ver meu jogo. Mas geralmente a estratégia não é bem essa, nem a minha vontade. Afinal aquele lance de que uma roupa não tão vulgar deixa uma mulher mais interessante (por instigar a curiosidade para o que tem debaixo dela), faz todo sentido, em todas as áreas imagináveis, inclusive no abandonado mundo dos poetas. A magia consiste em ler nas entrelinhas, levantar suspeitas. Se arriscar, ou não. Não posso apenas escrever em crônicas. Preciso deixar uma mensagem, uma interpretação, um código, uma lembrança, um "podemos ir além" que, em outro momento, pode ser interpretado como um "é melhor pararmos por aqui".
Não se iluda, tudo que aqui escrevo tem motivo e proprietário, por mais que as vezes sejam textos resgatados de rascunhos antigos ou que eu me recuse a querer me lembrar de alguém. Esse espaço é o lugar onde o inconsciente toma para si o direito de falar e cuspir algumas verdades, que, se você não é capaz de entender, lamento, mas não posso fazer nada para explicar. Meu mundo é de interrogações, as perguntas que nunca vou responder e que me mantem vivo para que perpetue na minha incessante vontade de sempre reinventar, recriar, relembrar. De emoções se faz o sol, de saudades se faz uma paisagem, de alegria se colore um cobertor. E é de emoções e curiosidades que se faz uma vida. Pelo menos é assim que se faz uma vida que vale a pena ser vivida.



Gianluca di Valdo, 25 de Fevereiro de 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

21 de Fevereiro de 2012

E hoje é meu aniversário. Algumas coisas prometem dar certo, outras nem tanto. Nâo estou com vontade de escrever, mas me dispus a passar alguns minutos aqui falando sobre qualquer coisa. Afinal se trata de um registro e registros são interessantes.
Completo hoje 24 anos e a situação é um pouco grave. Sequer sei quem sou, muito menos para onde ir, o que fazer, pensar ou decidir. Minha vida é sempre a mesma confusão. As mesmas perguntas imbecis. O mesmo vai-e-vem. E eu chego à conlusão de que sempre vai ser assim, porque, no fundo, é assim que quero que seja. Com as mesmas indagações vagas e necessárias, os mesmos porquês entediantes e vitais. A mesma música, as vezes remixada, que toca, toca, toca, não cansa de tocar e me leva adiante, para frente, para além.

Espero até o fim do dia ter uma poesia, prometo me esforçar.

Gianluca di Valdo, 21 de Fevereiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Boa noite

Quero desejar boa noite.

Mas não é assim, falar, por falar, por conveniência e ir, como o boa noite que você da ao porteiro, ao vizinho, à sua mãe, num processo infinito de ação e reação. Você já se perguntou quantas coisas deseja aos outros, sem de fato nem pensar no que estás a desejar? E até que ponto seria mal educado o silêncio...

Boa noite escravo.
O Sujo, cheirando à cana. 
Não a que bebeu, e sim à que cortou. 
Boa noite ao seu olhar fadigado, 
Ao seu traço cansado,
À sua pele áspera, 
Ao seu suor escondido.
Ao seu sorriso impossível.

Boa noite à mãe doente,
Ao filho perdido, 
Ao desafeto do destino.

Boa noite ao pai aidético,
Ao coquetel de piedade,
À tentativa frustrante de combate.
À felicidade escondida atrás da porta.

Boa noite ao homossexual,
Ao seu sorriso transviado,
Ao seu rosto de suposto pecado,
À sua súplica de perdão,
Á sua famosa vida de perdição.

Boa noite à prostituta
Ao seu cheiro de sexo 
Ao seu entender de puta,
Ao longínquo barco que perdeu.

Boa noite ao vagabundo escondido,
Ao seu intragável e esmagado,
Mundo de descuido.
À sua concepção indefinida de realidade,
À sua morte, à antecipação de suas batalhas.
À indagável esperança da sua força.

Boa noite ao moribundo,
À sua súplica de permanecer,
À sua vontade de talvez
Apenas ir
Deixar esse mundo amargurado,
Entendendo por si só,
Qual o verdadeiro significado do pecado.

Boa noite ao estúpido, ao cético,
Ao feio, ao imperfeito,
Ao budista, ao terrorista.
Ao cínico, ao solitário pianista.

Boa noite ao acaso.
ás rugas de um escravo.
Ao escravo sujo.
Ao escravo que fede.
Ao escravo negro, branco,
homossexual, 
À escrava prostituta,
Ao indefinível papel daquela tremenda
De uma filha da puta.
Boa noite ao escravo moribundo,
Ao seu suor de quem trabalha,
À sua tristeza, de quem batalha.

Boa noite a você,
A você que é o Escravo,
Que fede à cana.
À cana que plantou, 
E à cana que bebeu.
Pois Somos todos escravos do que plantamos,
Eternos exploradores do que não temos
E Eternos julgadores do que não possuímos.
E a vida se torna arrastada.
E é preciso dizer Boa noite,
Mas não é preciso mendigar.
É preciso merecer,
Interpretar,
Quebrar as correntes e dizer verdades,
respeitar o silêncio,
Esquecer vaidades.
Sem conformismos ou suposições.
Sem a maldita história de padrões...

Escravo, diga boa noite
Porque sente vontade.
Se não sentir, 
Continuo preferindo
A minha sincera, eterna e absoluta
Realidade.

Ou apenas arraste-se,
entorpecido pelo vago e impreciso orgulho de quem vive...
Ação e reação. 
Padrão.

Gianluca di Valdo, 10 de Janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Entre o inferno e o paraíso, texto sem juízo

Está tarde,
Não quero dormir.
Porque sempre penso que,
enquanto durmo,
a vida passa.
Intensamente
E de intensamente,
eu só quero que seja meu viver.

E viver significa ir adiante,
dar um tempo
Quando tudo parecer assim,
Sufocante.
E dar valor a alguns detalhes,
Seja ao sabor de lábios sem juízo,
Ou me lembrar do puro inferno
Ou do libertino paraíso.
Significa saborear o vento,
Valorizar o menor, o pior,
O talvez único intento.
Viver significa absorver
O cru azul anil de um céu anilmente cru e...
azul, desse verão perdido
Entre um e outro século escondido
O detalhe de ser grão.
Perdido no deserto do Universo,
Entristecido, Feliz, Disperso.
Quem se importa? Esforço em vão.
Perguntas sem respostas,
Respostas sem juízo.
Inferno, paraíso?
Lábios azuis, tempo adiante,
palavra sufocante.
Mistura de letras sem sentido.
Subconsciente aflorando,
deixando-se ir
no maremoto da pedição
Na absoluta negação,
Na infinita tradição
Do querer, do poder,
Do se colorir de azul.
De se tornar anil.
De ser grão.
E a vida é a contemplação da extasia,
Da eterna, indispensável e romântica
melancolia.
Quero dormir,
Preciso fechar os olhos,
Pensar no amanhã,
mas...
Eu já não escrevi esse texto?
Me libertando das paredes,
Me envolvendo,
Crucificando meus próprios medos,
Mártires da incompetência,
Da injustiça, da prepotência.
São desejos do além verão.
São saudades, confusões,
Beijos sem juízo.
Estou perdido
Entre o inferno, e o Paraíso.
Em vão.

E o que a vida tem a ver com isso?

Gianluca di Valdo (com sono), 10 de Janeiro de 2012



domingo, 8 de janeiro de 2012

Amanhã


Gostaria de saber 
Que dia é amanhã.
Pois pretendo me levantar,
Olhar para fora, viajar,
Pensar em nada e pensar em tudo.
Escutar o ruído dos passos pesados 
Da tristeza da saudade,
Da felicidade inconstante.

Quero abrir a janela, 
Contemplar que tempo faz,
Um dia de sol,
Um dia de chuva
Sinto frio, calor,
Uma mistura.

Quero saber o que devo contemplar,
Até onde devo ir.
Se está nublado,
Se está nevando.
Ou se está num tempo neutro.
Sem sol.
Sem chuva.
Sem calor.
Sem vento.
Sem nada.
Paradeiro.

Quero prever o dia de um abraço verdadeiro
Ou a despedida de um pássaro viajante.
Quero acordar e entender
Até que ponto falamos em saudade
Até quando entenderei como verdade
Até quando posso confundir tempo e paisagem.

Quero saber se a vida quer que eu pare,
Se quer que eu siga,
E se quero, de fato,
Corresponder à sua vontade.

Quero que a cortina voe com o vento,
Me traga uma lembrança singular,
Me envolva,
Me esconda,
Me esqueça.

Enfim, quero saber que dia é amanhã,
Mas amanhã é longe demais.
E hoje?

Gianluca di Valdo, 08 de Janeiro de 2012