Vou aproveitar minha "onda de inspiração" e escrever algumas linhas. Na verdade nunca sei se o que aparece primeiro é a vontade de escrever ou se essa vontade é precedida de uma necessidade, num momento em que o limite entre guardar pra si e colocar pra fora é tão tênue que a busca por formas de expressão não é nada além de um escapar da loucura, nem que seja momentânea.
Não acredito mais no amor. O amor nada mais é que uma ideia vaga entre ter alguém por perto quando você precisa, usufruir (sexualmente ou não) do outro, suprindo carências (que também são sexuais ou não) e permitindo que, num momento de suposta subserviência, esse alguém faça parte da sua estúpida (e ainda assim egoista) vida.
Não estou falando que isso ruim. Pelo contrário. Falo de fatos. E fatos são bons.
O que me ocorre, porém, agora, é que, se digo que o amor não existe e logo depois digo que ele é alguma coisa, eu entro em contradição. Se ele é alguma coisa, ele existe, portanto minha primeira afirmação, norteadora de todas as palavras fúteis deste texto, é falsa. Então, sim, equivoquei-me.
Logo, o amor existe. O que não o torna mais nobre do que descrevi pouco acima. O amor é um pretexto, uma forma de dividir seus problemas, suas aflições. Uma forma pouco altruísta de se sentir menos sozinho. O amor é um jogo. Um jogo onde existem peças, manipuladas, mantidas em posições estratégicas. O amor é útil, é prático, é conveniente. O amor é ensinado, não é sentido. O amor é calculista, embasado, pouco emocional. O amor é o jogo consciente da inconsciência que te leva a decidir, insconscientemente, pelo que vai te trazer maiores benefícios. O amor é uma relação individual. É cada um por si. O amor é uma embalagem cara para uma relação barata, de poucos escrúpulos. O amor é uma forma civilizada de reproduzir, de nos afastar da nossa inegável natureza animal. Somos animais que amam e, exatamente por isso, somos ainda mais animais.
Preciso dizer que, sim, tive dificuldades em desacreditar do amor. O amor é fácil e tudo que é fácil nos atrai. O amor é como a fé, é como a luz, é como o silêncio. O amor é lógico.
O amor é utópico. É frágil, ou forte, depende do interesse. O amor é vantajoso, a não ser que uma separação o seja mais. O amor é esperto e é forte. O amor é eterno ou é um momento. O amor é mérito.
O amor é de palavras dóceis, de cumplicidades uteis. O amor é sexo em cativeiro.
E antes que venham as mentes condenadas pelo ensinamento do amor a me questionar sobre o quanto estou
ou não "azedo", permito-me dizer que não estou sofrendo deste mal.
Porque o amor do qual vos falo é o amor que aprendestes. O amor que vos ensinaram. O amor que declarastes ao primeiro que vos olhou. Vós, aprendizes do amor, não conheceis seu verdadeiro significado. Não sabeis o que é. O amor que pregais é tudo isso que descrevi, é mesquinho, útil e ganancioso.
Ninguém sabe o que é o amor. Ninguém descobre o que é o amor. As pessoas apenas se rendem àquilo que aprenderam a classificar como tal. Porque o amor, o verdadeiro, é para poucos. É para os que não se doutrinaram, apenas sentiram, apenas viveram. O amor verdadeiro é, resumidamente, verdadeiro. É puro, é único, é essência. O amor verdadeiro é um sonho. É inocente e se deixa levar com o vento. E eu preciso continuar acreditando nisso.
SIm, o amor é estúpido.
E eu que me considerava o último dos românticos...

O amor é tudo isso. O amor não é nada disso.
ResponderExcluirO amor...
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