E o próximo post seria para comemorar.
E ele está atrasado, o próximo post está atrasado. Bom, queria comemorar de uma forma mais feliz do que como eu escreveria no momento em que estou. Então, vamos adiar.
Fato é que 2011 começou e as mesmas perguntas que me assombraram em 2010 continuam me perseguindo. E me questiono se não vai existir nada sólido, nada que me conquiste, me cative de verdade. Será que vou passar todos os meus dias nessa ilusão de que o amanhã será como nos meus sonhos? Ah, não sei. Só sei que tem muita a coisa a se dizer e poucas palavras que possa (e queira) proferir. Então, vamos a mais um dos enigmáticos textos que, de alguma forma, traduzem aquilo que o homem ainda não conseguiu colocar no dicionário de qualquer língua. E só para constar, bem sei de tudo que muitos amigos vão querer me aconselhar. Sei de que muito ainda tenho a decidir, e que algumas oportunidades tendem a se apresentar. Sei de tudo, mas nada me impede (muito menos minha ansiedade) de escrever "Poréns em meus porões".
Aqui, no Porão,
As noites são eternas.
A guerra,
A sede,
O suspiro,
A tristeza que assopra,
Um vento gelado.
Um desespero exagerado.
Um sonho, cansado.
Um ser, desanimado.
Pois as folhas continuam a cair,
A primavera tarda,
As estações do ano se redefinem.
A vida, estática, passa.
As relações, as ilusões,
As esperanças, os amores,
Os lençóis.
Tudo de um tênue branco.
Cheiro de algodão,
Mas lançado às traças.
Partes de mim,
Lançadas aos Poréns,
Sozinho,
Escondido em meus Porões,
Poréns,
Porões.
Porões,
Poréns.
E Porém são Perguntas minhas,
Indagadas por outrem.
Perguntas de Porões.
E as vezes o coração pulsa,
Acredita, vai. Alguém pode estar lá,
Esperando, Apoiando.
Porém,
O porão.
Abrir a porta ?
Falar,
Já não é suficiente.
É uma mistura de nostalgia, saudades, melancolia.
No conjunto do que mais deprimido existe.
E que considerem meu canto,
Do porão,
Injusto.
Sim, que seja,
Um canto insípido.
Porém,
Não tenho mais a lembrança do céu,
A cor do verão,
Porém, Porão.
Aqui dentro,
Sou a esperança que morre,
O destino da pétala de uma rosa murcha.
A cor desbotada da blusa de cetim.
Sozinho, no porão,
Enfim.
Gianluca di Valdo, 25 de Janeiro de 2011
