Os segredos contados atrás de árvores esguias,
Onde pessoas pensam que se escondem,
As palavras são grandes, apesar de sussurradas.
Nem precisam de vento, caminham sozinhas.
Se encontram sozinhas.
E no pérfido encontro de palavras ditas sem querer,
Formam-se frases capazes de mudar alguns rumos,
Ou simplesmente a duração da caída das folhas do velho bosque,
Ditam seu ritmo,
Ameaçam seu curso.
Pretendem mudar o rumo das estações,
Pouco modestas,
Pouco seguras.
Propensas e intensas.
As idas se tornam longas
E as primaveras indesejadas.
Chegadas sem querer não tem sentido,
Partidas sem dor não tem graça.
E no corre e corre ligeiro
De silhuetas tristes pelo bosque,
Na troca de esconderijos revelados,
Correm junto a elas
As palavras de segredos.
Os mimos das vaidades,
As dramáticas ansiedades.
As carências mais banais,
Desejos menos e mais carnais.
São cenários cinza claro,
Da cor do gelo, quase branco.
É a realidade que padece,
A vitrine que se mostra,
A beleza de uma imagem,
E a crueldade para quem não pode fechar os olhos.
É tudo frio, trivial, desejado, essencial.
É o velho contraste,
Uma velha memória.
Um apelo tradicionalmente fracassado.
São segredos da culpa,
São palavras toscas. Discursos crus.
Patologias da fé.
É cruel.
São segredos.
São verdades.
Cenários e vitrines.
São vaidades.
São carnais.
Existenciais.
Finais.
E cinzas, cinzas demais.