sábado, 28 de julho de 2012

Como?

Acho que é hora de escrever

E hoje o discurso é pessoal...

Existe a mesma confusão aqui dentro.
A que me acompanha desde sempre,
A que não me deixa dormir tranquilo.

A que traz inverno às folhas verdes de uma árvore jovem,
A que balança os seus galhos,
Enfraquece suas raízes,
Entristece.

Existira em mim uma busca incessante pelo que não tenho? estaria atando-me as não possibilidades do que é, de fato, possível? Estou irremediavelmente doente. Doente da essência do que sou, doente do que quero e do que penso, do que sinto, almejo, insisto. Seria minha vida apenas a passagem vazia de dias e dias que se repetirão até a exaustão quando, cansado demais do "repetir-se" meu corpo vai se abandonar e deixar ir essa alma tola que anseia tanto por se libertar de tudo e de todos, inclusive de si mesmo?

Estou em prantos dentro de mim. Anulei minha existência aos poucos, diminui contatos, distanciei relações, pessoas. Pra não falar de amores, criei uma resistência às minhas paixões instantâneas e, oras, me tornei mais infeliz. O que achei que seria momentaneamente superficial se tornou eternamente fútil e vazio. Meus dias estão repletos de ares capitalistas, aspirações insossas, integridades corrompidas, sentimentos traidos. Me calo sempre que sou tido como o errado e deixo embora, por medo de não ter a tão tola liberdade que necessito. Eis então que penso ter encontrado a resposta, do que é, que me aflige. Seria apenas esse conflito entre minha vontade de voar e minha necessidade de parar e...amar? Mas eu não sou de ninguém e, ao mesmo tempo, preciso tanto do carinho de alguém. Preciso de duas mãos a mais, cabelos a mais, uma boca a mais, dois olhos sinceros a mais, um perfume diferente a mais. E preciso das asas leves da liberdade, de sentir o vento sozinho, de falar comigo mesmo, de me interpretar, me reinventar, me surpreender, me amar.

Preciso alçar vôo, decolar. Preciso pousar, parar.

Como?

Gianluca di Valdo (texto que estava arquivado) 29 de Julho de 2012