sábado, 27 de julho de 2013

Tracejado

Havia uma eternidade mínima de silêncio,
Nas olheiras fundas de impaciência,
Olhar de profundo arrependimento,
De alegria, misturada com consenso. 
A vida se resumia 
A uma linha tracejada em branco e preto.
A cidade falava de coisas.
A palavra falava da vida.
A música cantava para a alma.
A alma voava, ao sopro de um vento.

Das cores só conhecia a saudade,
Do amor conhecia a vaidade.
Se deixou, vez ou outra, apalpar 
Milésimos sonhos de realidade.
Confusões, conflitos,
Despeitos e suspeitos.
Tantos foram os algoritmos,
Os ritmos,
Poucos os íntimos.
Muitos os ínfimos.

Entre invernos e verões
Das mesmas cores,
Perfumes e Sabores.
Não saberia diferenciar,
Não saberia caminhar.
Passar.
Percorrer.
Esquecer.
Esmaecer.
Muito menos permanecer.
Apenas contemplar,
Se deixar acariciar,
Por ventos de temperaturas parecidas,
Nem tênues, nem fortes, nem vivos.
Insípidos.

Nas ruas vivas,
Da história de momentos
Peles lívidas,
Sonhos lúdicos,
Mundos sólidos,
Desejos sórdidos.
Esquecidos na mesma poeira do destino
Perdidos entre caixas do futuro
E esperanças do passado.

Presenças firmes
Dos pés descalços do presente,
Cinzas velhas,
Pétalas queimadas.
Vidas quebradas.

O mesmo silêncio,
A cidade não mais falava,
A lua sorria,
A luz caía,
A poesia cantava.
A cor extinguia.
Continuava um caminho,
E tracejando o preto-e-branco.
A solidão era companhia,
Naquela mesma 
Eternidade Mínima dos Silêncios.
Esquecendo,
Esperando,
Resistindo.
Só,

Di Valdo, Gianluca