sábado, 8 de outubro de 2011

Veneno

Escreva palavras ardentes,
Envenene almas indecentes,
Entorpeça vaidades esquecidas,
Iluda, desmascare,
Apele para falsas justificativas.
Guarde nas gavetas empoeiradas,
Do sotão do seu existir,
Liberdade impregnada de conter, 
Largado ao consumo lento
E visceral do seu aspecto deprimente.
Encurte a duração dos seus dias,
Envenene as gotas do seu suor,
Se embebede com o absinto da infelicidade,
Seja o algoz, o fétido o selvagem.
Curve seu corpo lúgubre,
Até a posição do esquecimento,
Apague os vestígios imundos
Do seu curto, piedoso e fétido momento.
Porque a vida esqueceu de te sorrir.
Não importa o que fizer,
A qualidade do seu veneno,
A cor do seu suor,
A vontade dos teus olhos sujos.
O calor do seus braços fracos.
O padecer dos seus ossos fracos
Calcados no cálcio fosco e desgastado.
Vai ser sempre
A falsidade de uma existência sem motivo,
Segredos contados ao vento,
Inverdades, divindades,
Apagar de luzes, indelicadas ao se despedir.
Sensação de não precisar dormir,
A vida conccebida num caixote,
Na mesma forma, na mesma nota,
Na mesma fragrância, na mesma incerteza.
Não importa.
Onde estiver, o que for, o que quiser.
E que se envenene, por si só.
O mundo sujo, da felicidade
Sem motivo.

E o que faço com o meu sonho?
Pense nele amanhã.

Gianluca di Valdo, 09 de Outubro de 2011