Escancare a janela
Solte a cortina azul e pesada,
Deixa o vento brincar com suas estampas,
Observe as estrelas maiores,
A Lua convidado para um sonho.
Os formatos suaves e os mais rudes,
De uma noite de verdade.
Complete a noite com o sorriso,
Cúmplice de quem sonha,
Introvertido numa prece,
Extravasando sensações,
Permitindo-se paixões.
Esquecendo paredes velhas,
Choros encolhidos.
Sonhos repartidos.
Sinta o veneno suave de quem sonha,
Entrando pela mesma janela escancarada.
Sons do piano cansado de uma senhora.
Que toca para o mundo
Que dela não se lembra.
Mas que opera pela saudade do que já se foi,
Pelas lembranças completas e únicas
De sonhos de janelas abertas,
Abertas para o vento.
De azul e negro o céu se colore,
De prata e ouro, o céu se faz brilhar,
De cores e sonhos seus olhos enxergam,
A esperança, o sonho do que virá.
A paisagem recolhida até o amanhecer,
Apenas ouvindo sons do que não se ouve
A olho nú.
E do que não se vê.
A ouvido vendado.
A noite contradiz,
Se contrapõe,
Se esquece,
Se amanhece.
O perfume de uma noite,
De janela escancarada.
Aberta para a paisagem sem fim,
De um campo negro,
Emprateado pelo vento...
Coberto do orvalho doce do pensamento.
Vento, vento.
Momento. Vento.
Sem tempo para deixar cabelos longos de abaixarem,
Continuam curvados, penteados,
Pelo vento.
Iluminados pela Lua Azul.
Pela cor prata das estrelas vivas.
Pelo som do piano esquecido.
E entre vento, cores únicas,
sons particulares e luzes infinitas,
A janela recolhe sua cortina azul de estampa,
E a luz da noite melancólica e misteriosa,
Feliz em sua maneira,
Se fecha,
Termina o encanto.
E o corpo desce.
Adormece.
E sonha.
Gianluca di Valdo, 03 de Outubro de 2011

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