Nenhuma mão é a sua.
Muito menos nenhum sorriso.
Ninguém, ninguém.
Não encontrei ninguém.
Ninguém que me olhou do mesmo jeito,
Ninguém que perdeu seus olhos nos meus,
Ninguém que dedilhou as notas da minha alma.
Ninguém que me acalmou.
Ninguém que me despiu de mim mesmo.
Ninguém com o coração também falido.
Ninguém sem esperanças na gaveta.
Também não.
Não procurei ninguém.
Não perdoei ninguém.
Não percebi ninguém.
Não.
Minto.
Tentei.
Tentei.
E tentei.
Não deu,
E agora meus versos frágeis.
Minhas palavras são simples.
Meu discurso monótono.
Monótono de sentimento.
E vivo de saudade.
E entendo sobre a saudade que não se vende.
E a satisfação que não se compra.
E as vozes que não se perdem.
De textos perdidos na memória.
Cansado e executado pelas milhas,
Distâncias que se medem por
milímetros de milímetros
De milímetros de.
De saudade.
A emoção de não ser ninguém.
O alguém, ninguém.
Em quem, perdido
E encontrado
No além,
Está.
E sou ninguém,
Não sou, eu
Estúpido e frágil e sem coragem
E abandonado, perdido.
Encontrado nas palavras,
Num livro envelhecido.
Do mesmo texto não escrito.
Como numa história
Que já passou,
Mas que a alma
Não deu direito ao tempo.
Seu conceito é vago, impreciso, incerto.
Inexistente.
Se trata de um momento.
Além da saudade das suas mãos que não vejo.
Dos seus olhos que não tocam os meus.
Do teu ouvido onde meus sussurros te provocam.
Onde libero as canções que não se escrevem
Onde a alma, aprisionada, se liberta
Te encontra.
Te acerta.
Onde a vida pede por vida.
O tempo pede por tempo.
Onde o momento em que lembro.
Onde a saudade que eu sinto.
Onde eu te encontro.
Onde eu não sou ninguém,
Você tampouco.
Não encontro ninguém
Que seja ninguém, junto comigo.
Pois quando estou com você.
Me liberto de tudo.
O futuro é um dia.
A minha vida, uma noite.
A noite onde tudo se pode.
Onde a alma pode contar os seus segredos.
Onde o mundo,
O que é o mundo?
Um momento.
E no momento de não ser ninguém nesse mundo sem passado,
Sem futuro
E sem presente.
E com você
Eu me permito sussurrar, quantas vezes precisar
Que preciso,
Inevitavelmente
Deixar livre a canção
Da minha alma.
Nas suas mãos.
Nos seus sorrisos.
E nos seus olhos.
DI VALDO, Gianluca










