domingo, 17 de novembro de 2013

Sobre ninguém

enivrez_vousNenhuma mão é a sua.
Muito menos nenhum sorriso.
Ninguém, ninguém.
Não encontrei ninguém.
Ninguém que me olhou do mesmo jeito,
Ninguém que perdeu seus olhos nos meus,
Ninguém que dedilhou as notas da minha alma.
Ninguém que me acalmou.
Ninguém que me despiu de mim mesmo.
Ninguém com o coração também falido.
Ninguém sem esperanças na gaveta.

Também não.
Não procurei ninguém.
Não perdoei ninguém.
Não percebi ninguém.
Não.

Minto.
Tentei.
Tentei.

E tentei.

Não deu,
E agora meus versos frágeis.
Minhas palavras são simples.
Meu discurso monótono.
Monótono de sentimento.

E vivo de saudade.
E entendo sobre a saudade que não se vende.
E a satisfação que não se compra.
E as vozes que não se perdem.
De textos perdidos na memória.
Cansado e executado pelas milhas,
Distâncias que se medem por
milímetros de milímetros


De milímetros de.

De saudade.

A emoção de não ser ninguém.
O alguém, ninguém.
Em quem, perdido
E encontrado
No além,
Está.

E sou ninguém,
Não sou, eu
Estúpido e frágil e sem coragem
E abandonado, perdido.

Encontrado nas palavras,
Num livro envelhecido.
Do mesmo texto não escrito.
Como numa história
Que já passou,
Mas que a alma
Não deu direito ao tempo.
Seu conceito é vago, impreciso, incerto.
Inexistente.
Se trata de um momento.

Além da saudade das suas mãos que não vejo.
Dos seus olhos que não tocam os meus.
Do teu ouvido onde meus sussurros te provocam.
Onde libero as canções que não se escrevem

Onde a alma, aprisionada, se liberta
Te encontra.
Te acerta.

Onde a vida pede por vida.
O tempo pede por tempo.
Onde o momento em que lembro.
Onde a saudade que eu sinto.
Onde eu te encontro.
Onde eu não sou ninguém, 
Você tampouco.

Não encontro ninguém
Que seja ninguém, junto comigo.

Pois quando estou com você.
Me liberto de tudo.

O futuro é um dia.
A minha vida, uma noite.

A noite onde tudo se pode.
Onde a alma pode contar os seus segredos.
Onde o mundo,
O que é o mundo?
Um momento.

E no momento de não ser ninguém nesse mundo sem passado,
Sem futuro

E sem presente.
E com você

Eu me permito sussurrar, quantas vezes precisar
Que preciso,
Inevitavelmente
Deixar livre a canção
Da minha alma.

Nas suas mãos.
Nos seus sorrisos.
E nos seus olhos.

DI VALDO, Gianluca 





domingo, 3 de novembro de 2013

Primeira Parte - de uma história que não vou terminar.

Uma folha rasgada na minha frente, a enésima. Não sei quantas vezes comecei a te escrever. Sim, escrever, essa coisa antiquada e esquecida que durante tanto tempo traduziu sentimentos e comunicou coisas mais importantes e tantas outras no mínimo banais. Bom, fato é que eu tentei. Peguei um caderno velho da faculdade, daqueles que você promete guardar para consultar qualquer dia. Consultar? Que dia? Estava lá, numa entre todas as caixas que trouxe na última mudança, a enésima. Aliás, enésima também é essa minha história, louca e apaixonada. Por você. Quantas vezes parei, disse que não e recomecei, como o tempo de um verão, quando chove, o sol recomeça, as nuvens se aproximam e a chuva, a chuva recomeça. Aliás, chuva é uma metáfora interessante para a(s) nossa(s) histórias. É sempre assim né, estamos tranquilos, seguindo nossos afazeres, fazendo as contas para ver se o dinheiro vai dar até o final do mês e de repente olho pro céu, uma nuvem, parece inofensiva, assim como a mensagem que chega no meu celular: "Oi, tudo bem?". "Tudo" (que pergunta idiota). Aliás, que nuvem idiota, ela acha mesmo que vai provocar uma tempestade? Sim, ela vai. Depois do "Tudo" me dou conta que encerrei um assunto, pois não deixei uma pergunta a ser respondida. Mas eu não quero conversar, não quero respostas! Sim, eu quero: "E você?". Segunda nuvem. "Também. O que tem feito?" Céu cinza. Tá armado. Em uma dúzia de mensagens eu ou você já teremos feito a proposta do "Vamos fazer alguma coisa no fim de semana?". O outro vai responder que sim e o temporal estará definitivamente formado. Então, nosso pensamento antes voltado "tranquilamente" às contas do mês, de repente estará voltado - de novo - a tudo que já vivemos/passamos/amamos/odiamos e sobre o quanto somos pateticamente românticos. E aí...chuva! Tempestade. Que leva tudo, lava, mas também suja, da trabalho, faz usar guarda-chuva. Chuva bendita e chuva maldita. Que merda. 
Volto para o meu novo pedaço de papel: "Oi, como vai?". Não! Isso eu diria numa mensagem de celular. Fora! Milésima! Preciso ser original, preciso ser sincero. Preciso ser eu. Preciso ser mais do que chuva! Quero ser tempestade. Mas tempestade de verdade, daquelas que vem e fazem o estrago. E não voltam.

Oi. Eu te amo. Consegui. 

Pronto! É isso. É isso que eu tenho a dizer. Sem rodeios, sem formações de temporais. Taí, na lata. Escrevi e ta pronto. E você faça o que quiser com essa informação. Demorei demais. Terá sido essa a culpa de tantas idas e vindas? Deveria tê-lo dito antes? Confuso. 
Pego essa informação, dobro de um "jeito desajeitado", sou assim, você me conhece e, pronto. Amanhã passarei num daqueles lugares onde se mandam cartas (também conhecidos como Correios) e ela chegará até você. Sem mensagens, sem nuvens. Só temporais, assim, abruptos! Ou, quem sabe, um dia de sol?


domingo, 13 de outubro de 2013

E havia ele

Ele que estava ali.
Parado.
Um outono precoce,
Um gramado verde,
Um tempo passando.
Nuvens brincando de nuvens,
E o sol esquecendo de ser sol.

E ele que pensava na vida.
Pensava sobre aquele menino que cresceu
Sobre seu cabelos que escureceu.
E sobre os seus olhos que foram sempre os mesmos.
Pensava sobre a eterna dúvida de se parecia mais com a mãe ou mais com o pai.
Ou com nenhum dos dois.
Ou demais com os dois.

Pensava sobre o que já havia sonhado,
Pensado, realizado.
Pensava numa rosa amarela que gostava
Sobre as mãos que apertou,
As mãos que deixou.
As mãos que ficaram.
Lembrava de corações que bateram forte
De emoções que quis
E de emoções que criou.
E emoções que negou.
Ele olhava para o chão,
Encostava na terra,
Sujava seus dedos sujos.
Julgava escolhas,
Se arrependia.
Doía. Partia. Voltava.

E ele levantava o olhar,
Pensava no amanhã.
Chorava por dentro
Sorria por fora.
E tantas vezes fazia o oposto.
Ele que estava ali,
Naquele outono precoce,
Mas que não estava.
Ele que atravessava estações,
Situações, Dimensões.
Ele que criava realidades,
Desafiava
Brincava na neve, no mar, no gramado verde e brincava de coragem.

Ele que atravessava o vento,
Sentia o cheiro de chuva, de cobre e de incenso
Ele que se apegava a um momento
Escutava o mesmo som,
Agitava, se tornava lento.
Ele que estava ali
E não estava.

Ele que criava seu próprio mundo,
Não se limitava,
Se reinventava.
Ele que não era um só.
E que não era de ninguém.
Ele que havia amado,
Se apegado.
Apaixonado

Ele que havia deixado ir embora
Ele que havia tentado segurar
Ele que não abrira mão.
Ele que sentia tanta saudade de lhe explodir o coração
Ele que cuidava da alma de quem amava,
Ele que daria mais que si próprio pelo que desejava.
Ele que tentava ir adiante,
Entre milhões de perguntas,
Algumas certezas,
E momentos inconstantes.

Ele que acreditava no amor. Ele que não acreditava.
Era ele, ele que era ele
E que era mais.
Ele que sentia o frio da tarde daquele outono nem tão precoce
Ele que admirava apenas as folhas fracas caindo das árvores crescidas
Crescidas como ele.
A noite se aproximava devagar
O vento ficava mais frio
E soprava mais forte
As folhas caiam mais rápido
Os carros voltavam pra casa.
As pessoas iam embora.
E ele que ficava ali.
E ele que  ficava aqui.
Porque ele era eu,
E eu era ele.
E a gente era eu,
Então por um momento pensei
“Cabeça de nuvem”.

E havia ele.
E havia eu.

Ele e eu que nos sentávamos num gramado verde

E escrevíamos sobre a vida.

Gianluca di Valdo e Raone Tomazelli

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Lui che era spento

Avevo uno sguardo spento.
Aveva uma vita spenta.
Aveva um’incrocio di dita.
E non aveva nessuno.
I suoi capelli di um colore che non saprei definire,
E perché le cose devono sempre essere definite?

Se lo domandava anche lui.
Lui che era spento.
Ma era spento per gli altri.
Non si vedeva, non ci si parlava. 
Forse neanche si ascoltava.
Era quasi morto e senza parole.

Però lui sognava, aveva um mondo dentro se.
Era vivo.
Ma nessuno lo vedeva.
Nessuno lo escoltava.

Gli occhi spenti erano blu, del colore del mare.
Um mare spento però.
Fose del colore di uma mattina in Montagna, 
A Dicembre, quando la nebbia ci nasconde i piu affascinanti paesaggi.
E non vuol dire che non siano lì.

La pelle bianca. Eccessivamente.
La pelle che non vedeva il sole.
La pelle spenta di chi non há avuto mai um colore.

Le righe spente di una poesia spenta,
Che stanca di ripetere questa parola maledetta:
Spenta.

Il viso acarrezzato dal vento,
Le dita che gli sfiorano le orecchie,
Lui si sente, lui si vede.
Lui si sogna.
Le immagini di chi riesce ad andare altrove,
Di chi attraversa il mare,
Si occupa degli affari del sole...

Lui non è spento.
Lui non è maledettamente spento.
Lui è così.
Lui si vede qui.
Lui existe.
Lui si nota.
Lui è blu.
Lui è rosso.
Lui è giallo.
E non è grigio.

E le righe non hanno senso.
E le righe non bastano
Le parole si mischiano,
Confondono,
Rimangono.
Tra la confusione di essere o non essere,
Di vedersi o di ignorasi.
Lui che tutti vedavano come morto.
Lui che era spento.
Lui che era vivo.
Lui che morì da solo

E volò oltre i suoi occhi blu.

domingo, 8 de setembro de 2013

Fora e Dentro


As asas de um anjo que não voa,
Os seus sonhos esperando;
A beleza imaculada de um sorriso claro,
Perfeito e imperfeito.
Indestrutível como a alma
E frágil como o tempo.

E eu,
Fora, de aço,
Dentro, de vidro.
Aquietando as vozes do meu corpo,
Os gritos desesperados de saudade,
A indescritível sensação de estar alí, 
E não poder estar.
Não querer.
Querer.
Voar.

Poesias vazias.
Substitutas ideais da realidade.
Momentos da fragilidade de quem está aquém, 
Toques suaves dos tecidos do vento,
Como sedas coloridas, 
Doces e Intensas.

Misturas de sensações,
Sabores no ar,
A inquietude da maré,
O transporte ligeiro do se perder,
A vida que corre, 
Os amores que vêm,
O amor que fica.
As asas que não voam.
Mas as plumas que a seda do vento leva.

Eu sinto cheiro de chuva,
E vejo uma mão branca
Limpando uma janela abafada,
E então a lua vem acompanhar
Algumas lágrimas de verão
Pra que elas não se sintam sozinhas.
E escorram lentamente
Sobre as linhas fortes e seguras do meu rosto.
Que é indestrutível como a alma,
Mas frágil como o tempo.

Saudade.

Gianluca di Valdo, 08 de Setembro de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Que bosta.

Um sábado qualquer e você resolveu que não vai sair de casa. Talvez você esteja cansado das mesmas pessoas falando sobre as mesmas coisas. Talvez você queira apenas ficar em casa. Ah, foda-se. Assim foi.

Então você se planeja para um sábado à noite "perfeito para você e para você mesmo". Você ama sua companhia, seu gosto musical, as séries que você quer assistir, as coisas que quer comer, sem se preocupar com o quanto fazem bem ou mal à saúde: é sábado à noite, você está sozinho e você merece. Vai ser bom.

Mas, de repente, como alguma coisa que não consegui "metaforizar" agora, você se torna patético. Você está sozinho, você quis estar sozinho. Talvez seja culpa da próxima semana que não se mostra tão intensa. poucas preocupações, muitas justificativas, mas o fato é que você se vê a vagar em universos que já abandonou ou, melhor, quis/deveria abandonar e não está mais sozinho ¬¬. Se pega revendo algumas fotos, descortinando algumas paisagens, recriando situações. Se vê desabafando em um blog na internet na expectativa de que alguém leia a bosta do seu drama e, de alguma forma, compartilhe com você. É tudo uma droga. Culpa de ser um cara meio romântico, que se apaixona, que acredita nessas coisas. Depois desacredita, acredita de novo. Difícil não acreditar. Necessário desacreditar. O fato é que eu tô aqui, sozinho, mas não, que merda, não tô sozinho. Você me atormenta, de novo. Você ta presente, você me tira o sono, me leva pra fora desse quarto cheirando a um sábado em que não saí de casa. 

Sério, é complicado.

Queria apenas ter o auto-controle de dizer a mim mesmo: não. Mas, já entendemos que não é assim que funciona. Como sou ridículo. O mundo aí, girando, você quem sabe aonde, talvez até no espaço e eu aqui. Não que eu não tenha viajado em outros universos...mas e se só no seu eu encontrar um Planeta Terra?

E sinto falta das suas mãos tão brancas, seu cabelo macio, lábios e sorriso, sua risada inteligente, seu tom de voz de quem sabe o que é certo. Sinto falta das mãos brancas trocando sonhos, das verdades sentidas pelo olhar. Sinto falta da sinceridade, da certeza. Saudade do futuro. Saudade de momentos que foram poucos, vontade de que se eternizassem. Saudade do eterno verdadeiro incrédulo passar dos anos. Mas quem precisa falar em tempo?

Você está presente.

Queria estar bêbado, pra ter a desculpa certa a usar quando reler as linhas que estou aqui, tristemente, me dispondo a escrever. Mas não estou. É sábado à noite, eu quis ficar sozinho, mas você me encontrou.

Acho que preciso apenas deitar, me enrolar nas cobertas que já estão quentes e me transportar pro seu lado, só por um pouco. Daqui a pouco a saudade vai embora, tudo passa, volto ao normal. Fecho as portas, me mantenho seguro. Lógico que tudo isso usando uma coberta. 

Que bosta. 



sábado, 27 de julho de 2013

Tracejado

Havia uma eternidade mínima de silêncio,
Nas olheiras fundas de impaciência,
Olhar de profundo arrependimento,
De alegria, misturada com consenso. 
A vida se resumia 
A uma linha tracejada em branco e preto.
A cidade falava de coisas.
A palavra falava da vida.
A música cantava para a alma.
A alma voava, ao sopro de um vento.

Das cores só conhecia a saudade,
Do amor conhecia a vaidade.
Se deixou, vez ou outra, apalpar 
Milésimos sonhos de realidade.
Confusões, conflitos,
Despeitos e suspeitos.
Tantos foram os algoritmos,
Os ritmos,
Poucos os íntimos.
Muitos os ínfimos.

Entre invernos e verões
Das mesmas cores,
Perfumes e Sabores.
Não saberia diferenciar,
Não saberia caminhar.
Passar.
Percorrer.
Esquecer.
Esmaecer.
Muito menos permanecer.
Apenas contemplar,
Se deixar acariciar,
Por ventos de temperaturas parecidas,
Nem tênues, nem fortes, nem vivos.
Insípidos.

Nas ruas vivas,
Da história de momentos
Peles lívidas,
Sonhos lúdicos,
Mundos sólidos,
Desejos sórdidos.
Esquecidos na mesma poeira do destino
Perdidos entre caixas do futuro
E esperanças do passado.

Presenças firmes
Dos pés descalços do presente,
Cinzas velhas,
Pétalas queimadas.
Vidas quebradas.

O mesmo silêncio,
A cidade não mais falava,
A lua sorria,
A luz caía,
A poesia cantava.
A cor extinguia.
Continuava um caminho,
E tracejando o preto-e-branco.
A solidão era companhia,
Naquela mesma 
Eternidade Mínima dos Silêncios.
Esquecendo,
Esperando,
Resistindo.
Só,

Di Valdo, Gianluca

sábado, 27 de abril de 2013

História de Pequenos Oceanos, Naufrágios e Labirintos.

Que o céu de Santa Teresa é o mais bonito do mundo eu talvez já comentei, mas o mais interessante é sobre as lembranças que ele me traz. Incrível a capacidade da nossa mente em fazer "links" com coisas do passado...

E cá estou com essas lembranças ha uns 3 dias, pelo menos, quando a lua mais linda do planeta se ergueu por detrás daquele morro. Eu fazia alguma coisa, mas a minha cabeça, a partir daquele momento, se concentrou nas linhas que contornavam a luz forte da minha Lua. E então, lembrei e então escrevi.

Me dediquei romanticamente ao texto seguinte, me desculpem, talvez não seja meu perfil. Mas é o que um cara, ha algum tempo atrás sentiu por uma garota. E eu tentei me teletransportar pra lá e me permitir dizer o que o coração mandava. Bom, a meu favor tenho a velha história de que "todo poeta tem uma musa inspiradora" e a transparência como digo isso hoje, é muito parecida com a que provava o coração daquele cara de 17 ou 18 anos.

Mais uma coisa: se você, A.R., chegar a ler esse texto, me fale sua opinião. Mas tenha certeza de que perdeu o coração de um grande homem.


Olhei para a lua branca
E senti sua falta.
Talvez não falta de você,
Mas falta do que senti.
Por você.
E então...

A cor clara dos seus cabelos,
Lisos como os contornos de uma luia cheia
Frescos, acompanhando o movimento dos ventos.
Perfumados,
Perdi a sensação do tempo.

Olhei para os teus olhos,
Olhar tão doce quanto o mel,
O mel daquela lua.
Olhos perdidos de emoção,
Paraíso dos meus pequenos oceanos,
Me afogando em tentação.
Olhos da verdade que não vi.
A brancura do que perdi.
A simplicidade pura, do que escolhi.
Vidas sem destino.
Perdidos no caminho.

Suas mãos leves,
Seu rosto congelado. Emocionado.
Seu rosto indeciso.
Seu sorriso, impreciso.
Enigmas das minhas noites sem dormir.
Esperanças de um coração
Tardio em partir.
Afinal,
O que seriam das nossas vidas,
Sem canções da meia noite?

A Lua Branca,
Nossas vidas num reflexo.
Nossas mentes em um espelho,
Saudades do futuro?
Minhas palavras em garrafas jogadas ao mar,
Suas esperanças, tardias,
Talvez se deixaram naufragar.

O Naufrágio nos pequenos oceanos
Dos meus olhos.
E eu perdido nos seus verdes labirintos.
Poderia ter sido uma vida,
Ou uma hora.
E essa vai ser pra sempre nossa canção.
A nossa dúvida.
A nossa emoção.

Porque eu provei do sentimento mais verdadeiro.
E disso não me arrependo.
Eu senti de verdade,
O que senti primeiro.
E nunca mais será assim.
Porque quando o amor não é um sonho,
Ele se corrompe e se desfaz.
E então as canções da meia noite perdem o mesmo tom.
As palavras se destroem,
E os perdidos não se encontram nunca mais.

Na nostalgia branca da sua voz,
Na memória fluem as palavras do que a gente se disse.
E as coisas que não passam.
Os futuros que não vêm.
Os passados que não se apagam.
Os presentes que se vivem.
As mudanças que nos mudam.
E o seu sorriso mudo.

Meus dedos ainda percorrem
O caminho perfeito dos seus cabelos cor de trigo.
As linhas esguias do seu corpo,
A fragilidade das suas mãos.
Dedilham o seu rosto sem facetas,
Redesenham os moldes da sua alma.
Percorrem milhas e encontram guerras.
E então se aniquilam pelas esperança
De você.

E meus ouvidos te sussurram coisas nossas.
Histórias sobre pequenos oceanos
Que um dia se perderam
Em verdes labirintos.
E histórias de luas que protegem,
E regem histórias de amor.

E os caminhos que trilharmos,
Ainda, serão suficientes para
Não deixar para amanhã,
Nossa vida em caminhos marcados,
Jamais perdidos,
Jamais encontrados.

Saiba, minha querida,
Que te amei demais.
E que eu teria continuado a me perder,
Se a maré do naufrágio
Não tivesse me levado.
Me afogado e me perdido,
Em outro mundo sem sentido.

Saudações, meu único e verdadeiro amor.
Que naufragou.

Raone Tomazelli

domingo, 7 de abril de 2013

Nada de Tudo. Corredor Azul.

Um corredor escuro.
Talvez azul, escuro.
Nada de estrelas,
Nada de passos,
Nada de sons ao redor.
Nada de Nada.
Tudo de azul
Nada de Tudo.

O deserto longo
A lua fria,
O mar é morto.
O canto é cego.
O som é oco.
A escuridão vicia.

Quase nada faz sentido,
O caminhar é lento.
Esforçado,
Sufocado,
Apreensivo.
O caminhar é tudo.

Pegadas sujas,
Pó. Pó. Sujeira. Pó.
Caminhando na vertical,
Alinhando sonhos e desejos.
O vício da escuridão.
Um prosseguir indeciso.

Escalar os buracos da alma.
Se aventurar pelas trevas da vida.
Preto, Preto. Pedra. Preto.
Bruto.
Escravo do suspeito.
Inacabado no espelho,
Magia do inconsciente,
Não me vejo presente.

Aéreo.
Suspenso.
Vertical.
Escuro.
Preto.
Pó.
Preto.
Azul como o tempo.

Corredor infinito.
Espaço contido.
O pesar do amanhã,
O peso do hoje.
O sufocar do passado.
O pedaço do presente.

A alma perdida.
O sonho acabado.
O mundo esquecido.
A escada pro nada.
A armadura da vida.

Um, dois.
Passos para o nada.
Três, Sete.
Vinte e sete.
Cálculo da desgraça.
Peças da cobrança.
Tristeza da injustiça.
Justiça da esperança.

Corredor.
Caminhar, devagar.
Devanear,
Apagar,
Esquecer, Sumir.
Esperar.
Voltar.
Surgir.

Tomar mais um fôlego.
Há um pouco de azul.
Fechar os olhos de novo.
Apagar o que foi.
Esquecer o que é.

E apenas,

Permanecer.


Não é nada de nada.
Não é nada de tudo.








domingo, 31 de março de 2013

Chiaro e Buio


Fammi vedere di che colori
Possono essere le stagioni.
Insegnami che parole usare,
Che tessuti vestire,
Che macchina guidare.

Parlami del sole,
Della luna,
Delle stelle,
Di Venere e Plutone.

Guardami in Faccia,
E schiaffeggiami, se vuoi.
Sgridami, Implorami.
Riprendi la mia mano.
Portami con te.

Perche di verità
A volte ci basta il Sole.
E camminare sotto il blu,
Scambiarci sorsi di speranza,
Scoprirci intensi nella notte.

Forse sia anche ora di abbraciarsi,
Riprenderci un'instante,
Scoprirsi ancora qui.
Dove non ho ancora imparato a parlare.
Dove le vele sono ancora basse,
Dove i pianeti sono ancora sconosciuti.

Riprendimi. Riprendici.

sábado, 30 de março de 2013

Talvez

Um desafio: escrever.
Às vezes fico assustado com a quantidade de textos que tenho deixado em rascunhos nos arquivos deste Blog. Não sei se a culpa é do tempo cada vez mais restrito, da preguiça de escrever, da falta de coragem em terminar textos que começo de repente. Talvez seja uma mistura de tudo isso, misturado também à toda essa bagunça, do caos que se faz aqui dentro. Mas a expressão é sempre a de serenidade, não importa qual seja a maré e talvez seja culpa disso também.


Diante do suor escuro de uma noite sem luar.
Respirações profundas,
E reflexões injustas.
Inconstantes como a maré.

Talvez esteja perdido,
Apagado.
Talvez seja inútil ficar de pé.
Talvez seja escuro demais para seguir,
Profundo demais para arriscar,
Perpétuo como a dor da humanidade,
Incerto com a voz de quem diz dizer a verdade.

Talvez seja tempo de apagar as luzes,
Fechar os olhos.
Sonhar com futuros mudos.
Acreditar em pesadelos,
Sentar em muros.
Acreditar que existem ruas sem saída.
Becos sem saudade;
Tristezas sem consolo
E perdas sem reparos.

Talvez seja tempo de reconsiderar a fé,
Esquecer sobre um deus,
Esquecer religiosos, utópicos e ateus.
Perder chãos,
Cavar buracos,
Estampar desertos.
Se vestir de trapos.

Talvez seja a hora de parar.
Aceitar sinais vermelhos,
Insistir em sons discretos.
Ouvir violinos arranhados,
Caminhar em silêncio,
Ouvindo passos,
Desalinhados como o vento.
E Inconstantes como o tempo.

Talvez seja tempo de
Tais reflexões injustas,
Em madrugadas igualmente estúpidas
Clamando por pequenas doses de esperança.

Talvez. 

Mas a vida é curta, o tempo passa,
O poeta esquece. 
A vida apaga.
O tempo não.
A vida repete:

O suor escuro de uma noite sem luar.
E a maré é alta.

E a vida é vida.
E a vida é chata.













sábado, 16 de fevereiro de 2013

E morro

Quando eu amei, eu amei de verdade. Mas agora é nada, é pó e é solidão. E estamos imóveis, parados, empoeirados e orgulhosos. Mas eu não acredito no amor.




A rua de pessoas,
As pedras consumidas pelo tempo,
A vidraça embaçada pela vida.
O arrastar-se e consumir-se 
Entre orgulhos, piedades e saudades.

O abrir mão do que é sublime,
O encontrar pesadelos em noites antes fáceis.
Suspiros tardios 
Com cheiro de framboesa
Um outono mais amarelo,
Um morto vivo,
Um cemitério
Cemitério de esperanças.

Barcos sem vela 
Que insistem em prosseguir
Perdidos em bússolas sem norte.
Prestes a naufragar.
Mas eu estou aqui.
E a noite é mais longa do que o dia.

O caminhar passos pesados,
Pesado como chumbo,
E chumbo é a cor dessa jornada.
Letras de jornal
Uma calçada esquecida.

Apagando as estrelas,
Recostado na parede manchada.
O suor que é lágrima.
A palavra túrgida,
Vejo os meus próprios olhos
Estou dentro da alma.

E então
Entrego minhas fraquezas,
Me rendo, me apego, me apaixono,
Me apago, entristeço, desapego,
E morro.

Gianluca di Valdo, 17 de Fevereiro de 2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dos seus

Amores sem sentido,
Partidas sem destino,
Despedidas sem finais.
Minha vida,
Meu Carnaval do amor solitário
Os sonhos que me corrompem,
Os desejos que me invadem
A constante saudade do ontem e do amanhã
O toque dos dedos sensíveis como o vento,
A pele lívida, vívida e pálida,
A voz do escuro silêncio
O pleitear ações de rancor em câmera lenta
O pulsar ardente do coração imerso no suor,
A ingenuidade.
Um filme em preto e branco.
Uma sátira ao destino.
Um recomeço do futuro.
No meio de tudo,
No meio do nada.
Sozinho na multidão.
E saudade é o que eu sinto por você.
Dos Seus sonhos,
Dos Seus desejos,
Do Seu passado e do Seu futuro,
Do Seu toque,
Da Sua pele.
Da Sua escuridão,
Que junto à minha,
Se transforma em luz.
E, mesmo que por um instante,
Eu te amo.

Gianluca di Valdo, 12 de Fevereiro de 2013



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Em 2012

Faz um bom tempo que não escrevo, o ano acabou e nada registrei sobre a "retrospectiva" 2012. 
Como nunca é tarde e a regra deste Blog é sempre aquela de ter liberdade...tô em tempo e faço isso agora.

Em 2012 eu fiz uma porrada de coisa boa.
 
Em 2012 eu me esforcei demais, cansei demais, fui reconhecido por poucas e importantes coisas. Apaguei algumas luzes, reacendi outras, soprei velas, fui adiante. Venci desafios, falei verdades, machuquei e me machucaram.

Em 2012 evolui. Na profissão, avancei e me apaixonei mais e mais por aquilo eu eu sempre soube ser minha vida: a Arquitetura. Apresentei um bom trabalho num Colóquio Internacional, o que não foi tanta coisa assim, mas que me abriu (e ainda vai me abrir) algumas portas. 
Conheci caras importantes, me inspirei na carreira deles, estudei sobre eles. Em 2012 soube que nenhum esforço é em vão, soube que a vida passa sim, mas também que não tem problema nenhum nisso, se você souber como aproveitar.

Em 2012 descobri que a sinceridade machuca, que as pessoas cobram que você seja verdadeiro, mas que na verdade não sabem lidar com isso. 
Em 2012 descobri em mim mais um monte de defeitos e, ainda assim, continuei me amando. Descobri que gosto mesmo da solidão e de que devo passar boa parte da minha vida assim mesmo, sem problemas.
Descobri que as pessoas não gostam de imprevistos e tive certeza de que a maioria não é o que se diz. 

Entendi que as relações humanas são tão fracas quanto frágeis e que, porém, quando fortes, podem superar quase tudo. 

Em 2012 tive a certeza de que Laura Pausini ao vivo é sempre melhor e melhor. Descobri que eu realmente amo São Paulo e me impressionei por, enfim, me apaixonar pelo Rio. Estive em todo o sudeste, fiz milhares de viagens (mesmo se tratando do trajeto Ouro Preto-Vitória) e me planejei para algumas mais específicas.

Em 2012 correspondi olhares, me entreguei a novas paixões e conheci novas formas de dizer oi e adeus. 
Em 2012 fiquei louco, passei vergonha, bebi demais e fui fútil o suficiente para achar que até isso valeu a pena.

Em 2012 criei antipatia, intolerância e arrogância. Em 2012 me afastei. Em 2012 me aproximei, arrisquei e tive medo.

Em 2012 gastei sapatos, cantei Paradise e abracei minha mãe. 
Tive medo pelo meu pai, me espantei com minha irmã, admirei minha avó e vi uma família que nem sempre foi unida...se unir.
Em 2012 eu vivi e vivendo eu amei, chorei (pouco, mas chorei), sorri, gargalhei, estudei, brinquei...

Em 2012 tudo valeu. Em 2012.

Obrigado (inclusive por algumas coisas que prefiro guardar pra mim).