domingo, 8 de setembro de 2013

Fora e Dentro


As asas de um anjo que não voa,
Os seus sonhos esperando;
A beleza imaculada de um sorriso claro,
Perfeito e imperfeito.
Indestrutível como a alma
E frágil como o tempo.

E eu,
Fora, de aço,
Dentro, de vidro.
Aquietando as vozes do meu corpo,
Os gritos desesperados de saudade,
A indescritível sensação de estar alí, 
E não poder estar.
Não querer.
Querer.
Voar.

Poesias vazias.
Substitutas ideais da realidade.
Momentos da fragilidade de quem está aquém, 
Toques suaves dos tecidos do vento,
Como sedas coloridas, 
Doces e Intensas.

Misturas de sensações,
Sabores no ar,
A inquietude da maré,
O transporte ligeiro do se perder,
A vida que corre, 
Os amores que vêm,
O amor que fica.
As asas que não voam.
Mas as plumas que a seda do vento leva.

Eu sinto cheiro de chuva,
E vejo uma mão branca
Limpando uma janela abafada,
E então a lua vem acompanhar
Algumas lágrimas de verão
Pra que elas não se sintam sozinhas.
E escorram lentamente
Sobre as linhas fortes e seguras do meu rosto.
Que é indestrutível como a alma,
Mas frágil como o tempo.

Saudade.

Gianluca di Valdo, 08 de Setembro de 2013

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