sábado, 31 de maio de 2014

Quando. E quando.

Quando não precisei de palavras.Você tampouco.
Quando inventamos nosso jeito de contar as horas.
Quando senti o toque dos teus olhos,
Que devagar acariciava minha alma,
Como plumas penteadas pelo vento.
O mesmo vento tropical que me trouxe até você.

Quando nossos sorrisos se tornaram cumplices,
As palavras se tornaram complementos,
E não necessidades.
Quando eu adivinhei as falas do seu próximo discurso.
Quando meus lábios tocando a pele do seu rosto,
Se inspiraram no movimento do teu sorriso.

Quando nossas mãos criaram vida própria,
E se encontraram sempre que puderam,
Se sentiram, se abraçaram e andaram juntas.
Quando eu percebi que era tarde
E mesmo assim não te deixei dormir.
Pela ansiedade e vontade de você.

Quando meu pensamento se confundiu com o teu,
Quando perdi cabelos no seu lençol,
Nossos pés arriscaram passos juntos
E descobri sua pose preferida numa foto.

Quando perdidos nos nossos silêncios provocados
Encontramos nossa essência,
Nos entregamos a ela,
Nos libertamos de tudo
E ouvimos a voz do nosso sentimento
Que ousadamente resolvemos chamar de

Felicidade. (?)

Gianluca di Valdo, 01 de Junho de 2014.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Escorrido

Fim de tarde.

E eu esperei a música certa,
Pra poder falar de mim.
Esperei que as notas certas servissem de fundo,
Pra que meus discursos pesassem menos,
Como se a melodia aliviasse o peso
E camuflasse as imperfeições
De quem sou de verdade.

Pensei que esperei.
Esperei que o tempo passasse.
Acumulei erros,
Que gentilmente chamei de aprendizagens. 
Escolhi coisas que também não quis.
Escolhi sobre as verdades que quis contar
Da verdade de ser quem sou, ou era, ou fui.
Ora perdido,
Ora trazido pela maré,
Ora caminhando sozinho.
Os passos que me fizeram companhia.
Ora dividindo momentos.
E mais algumas mãos que me trouxeram alegrias

Resolvi esperar pra falar de mim,
Dividindo o sol com a tarde que se ia
E a lua com a noite que começava
A vida era rápida
Lenta
Ou passava depressa?

Escolhi ser lento.
Fui depressa.
Escolhi não falar de mim.
Aumentei o som.

As imperfeições se tornaram mais sutis,
O tempo gentilmente fez mudar a estação
E não havia o mar à minha janela.
A luz continuava apagada.
A lua não era gentil como o tempo.
Apagada.

O último gole,
O último recurso.
A vida me escapava.
Cheiro de temporal.

Pingo de chuva,
Janela molhada.
Escolhas escorrendo diante dos meus olhos também molhados.
Escolhi esperar pra falar de mim.
Escolhi uma janela escorrendo minhas escolhas.

Virei as costas.

Já havia escolhido. 
E escorrido.

Desliguei a música. Não fazia sentido.