
A rua de pessoas,
As pedras consumidas pelo tempo,
A vidraça embaçada pela vida.
O arrastar-se e consumir-se
Entre orgulhos, piedades e saudades.
O abrir mão do que é sublime,
O encontrar pesadelos em noites antes fáceis.
Suspiros tardios
Com cheiro de framboesa
Um outono mais amarelo,
Um morto vivo,
Um cemitério
Cemitério de esperanças.
Barcos sem vela
Que insistem em prosseguir
Perdidos em bússolas sem norte.
Prestes a naufragar.
Mas eu estou aqui.
E a noite é mais longa do que o dia.
O caminhar passos pesados,
Pesado como chumbo,
E chumbo é a cor dessa jornada.
Letras de jornal
Uma calçada esquecida.
Apagando as estrelas,
Recostado na parede manchada.
O suor que é lágrima.
A palavra túrgida,
Vejo os meus próprios olhos
Estou dentro da alma.
E então
Entrego minhas fraquezas,
Me rendo, me apego, me apaixono,
Me apago, entristeço, desapego,
E morro.
Gianluca di Valdo, 17 de Fevereiro de 2013
