domingo, 17 de novembro de 2013

Sobre ninguém

enivrez_vousNenhuma mão é a sua.
Muito menos nenhum sorriso.
Ninguém, ninguém.
Não encontrei ninguém.
Ninguém que me olhou do mesmo jeito,
Ninguém que perdeu seus olhos nos meus,
Ninguém que dedilhou as notas da minha alma.
Ninguém que me acalmou.
Ninguém que me despiu de mim mesmo.
Ninguém com o coração também falido.
Ninguém sem esperanças na gaveta.

Também não.
Não procurei ninguém.
Não perdoei ninguém.
Não percebi ninguém.
Não.

Minto.
Tentei.
Tentei.

E tentei.

Não deu,
E agora meus versos frágeis.
Minhas palavras são simples.
Meu discurso monótono.
Monótono de sentimento.

E vivo de saudade.
E entendo sobre a saudade que não se vende.
E a satisfação que não se compra.
E as vozes que não se perdem.
De textos perdidos na memória.
Cansado e executado pelas milhas,
Distâncias que se medem por
milímetros de milímetros


De milímetros de.

De saudade.

A emoção de não ser ninguém.
O alguém, ninguém.
Em quem, perdido
E encontrado
No além,
Está.

E sou ninguém,
Não sou, eu
Estúpido e frágil e sem coragem
E abandonado, perdido.

Encontrado nas palavras,
Num livro envelhecido.
Do mesmo texto não escrito.
Como numa história
Que já passou,
Mas que a alma
Não deu direito ao tempo.
Seu conceito é vago, impreciso, incerto.
Inexistente.
Se trata de um momento.

Além da saudade das suas mãos que não vejo.
Dos seus olhos que não tocam os meus.
Do teu ouvido onde meus sussurros te provocam.
Onde libero as canções que não se escrevem

Onde a alma, aprisionada, se liberta
Te encontra.
Te acerta.

Onde a vida pede por vida.
O tempo pede por tempo.
Onde o momento em que lembro.
Onde a saudade que eu sinto.
Onde eu te encontro.
Onde eu não sou ninguém, 
Você tampouco.

Não encontro ninguém
Que seja ninguém, junto comigo.

Pois quando estou com você.
Me liberto de tudo.

O futuro é um dia.
A minha vida, uma noite.

A noite onde tudo se pode.
Onde a alma pode contar os seus segredos.
Onde o mundo,
O que é o mundo?
Um momento.

E no momento de não ser ninguém nesse mundo sem passado,
Sem futuro

E sem presente.
E com você

Eu me permito sussurrar, quantas vezes precisar
Que preciso,
Inevitavelmente
Deixar livre a canção
Da minha alma.

Nas suas mãos.
Nos seus sorrisos.
E nos seus olhos.

DI VALDO, Gianluca 





domingo, 3 de novembro de 2013

Primeira Parte - de uma história que não vou terminar.

Uma folha rasgada na minha frente, a enésima. Não sei quantas vezes comecei a te escrever. Sim, escrever, essa coisa antiquada e esquecida que durante tanto tempo traduziu sentimentos e comunicou coisas mais importantes e tantas outras no mínimo banais. Bom, fato é que eu tentei. Peguei um caderno velho da faculdade, daqueles que você promete guardar para consultar qualquer dia. Consultar? Que dia? Estava lá, numa entre todas as caixas que trouxe na última mudança, a enésima. Aliás, enésima também é essa minha história, louca e apaixonada. Por você. Quantas vezes parei, disse que não e recomecei, como o tempo de um verão, quando chove, o sol recomeça, as nuvens se aproximam e a chuva, a chuva recomeça. Aliás, chuva é uma metáfora interessante para a(s) nossa(s) histórias. É sempre assim né, estamos tranquilos, seguindo nossos afazeres, fazendo as contas para ver se o dinheiro vai dar até o final do mês e de repente olho pro céu, uma nuvem, parece inofensiva, assim como a mensagem que chega no meu celular: "Oi, tudo bem?". "Tudo" (que pergunta idiota). Aliás, que nuvem idiota, ela acha mesmo que vai provocar uma tempestade? Sim, ela vai. Depois do "Tudo" me dou conta que encerrei um assunto, pois não deixei uma pergunta a ser respondida. Mas eu não quero conversar, não quero respostas! Sim, eu quero: "E você?". Segunda nuvem. "Também. O que tem feito?" Céu cinza. Tá armado. Em uma dúzia de mensagens eu ou você já teremos feito a proposta do "Vamos fazer alguma coisa no fim de semana?". O outro vai responder que sim e o temporal estará definitivamente formado. Então, nosso pensamento antes voltado "tranquilamente" às contas do mês, de repente estará voltado - de novo - a tudo que já vivemos/passamos/amamos/odiamos e sobre o quanto somos pateticamente românticos. E aí...chuva! Tempestade. Que leva tudo, lava, mas também suja, da trabalho, faz usar guarda-chuva. Chuva bendita e chuva maldita. Que merda. 
Volto para o meu novo pedaço de papel: "Oi, como vai?". Não! Isso eu diria numa mensagem de celular. Fora! Milésima! Preciso ser original, preciso ser sincero. Preciso ser eu. Preciso ser mais do que chuva! Quero ser tempestade. Mas tempestade de verdade, daquelas que vem e fazem o estrago. E não voltam.

Oi. Eu te amo. Consegui. 

Pronto! É isso. É isso que eu tenho a dizer. Sem rodeios, sem formações de temporais. Taí, na lata. Escrevi e ta pronto. E você faça o que quiser com essa informação. Demorei demais. Terá sido essa a culpa de tantas idas e vindas? Deveria tê-lo dito antes? Confuso. 
Pego essa informação, dobro de um "jeito desajeitado", sou assim, você me conhece e, pronto. Amanhã passarei num daqueles lugares onde se mandam cartas (também conhecidos como Correios) e ela chegará até você. Sem mensagens, sem nuvens. Só temporais, assim, abruptos! Ou, quem sabe, um dia de sol?