Uma folha rasgada na minha frente, a enésima. Não sei quantas vezes comecei a te escrever. Sim, escrever, essa coisa antiquada e esquecida que durante tanto tempo traduziu sentimentos e comunicou coisas mais importantes e tantas outras no mínimo banais. Bom, fato é que eu tentei. Peguei um caderno velho da faculdade, daqueles que você promete guardar para consultar qualquer dia. Consultar? Que dia? Estava lá, numa entre todas as caixas que trouxe na última mudança, a enésima. Aliás, enésima também é essa minha história, louca e apaixonada. Por você. Quantas vezes parei, disse que não e recomecei, como o tempo de um verão, quando chove, o sol recomeça, as nuvens se aproximam e a chuva, a chuva recomeça. Aliás, chuva é uma metáfora interessante para a(s) nossa(s) histórias. É sempre assim né, estamos tranquilos, seguindo nossos afazeres, fazendo as contas para ver se o dinheiro vai dar até o final do mês e de repente olho pro céu, uma nuvem, parece inofensiva, assim como a mensagem que chega no meu celular: "Oi, tudo bem?". "Tudo" (que pergunta idiota). Aliás, que nuvem idiota, ela acha mesmo que vai provocar uma tempestade? Sim, ela vai. Depois do "Tudo" me dou conta que encerrei um assunto, pois não deixei uma pergunta a ser respondida. Mas eu não quero conversar, não quero respostas! Sim, eu quero: "E você?". Segunda nuvem. "Também. O que tem feito?" Céu cinza. Tá armado. Em uma dúzia de mensagens eu ou você já teremos feito a proposta do "Vamos fazer alguma coisa no fim de semana?". O outro vai responder que sim e o temporal estará definitivamente formado. Então, nosso pensamento antes voltado "tranquilamente" às contas do mês, de repente estará voltado - de novo - a tudo que já vivemos/passamos/amamos/odiamos e sobre o quanto somos pateticamente românticos. E aí...chuva! Tempestade. Que leva tudo, lava, mas também suja, da trabalho, faz usar guarda-chuva. Chuva bendita e chuva maldita. Que merda.
Volto para o meu novo pedaço de papel: "Oi, como vai?". Não! Isso eu diria numa mensagem de celular. Fora! Milésima! Preciso ser original, preciso ser sincero. Preciso ser eu. Preciso ser mais do que chuva! Quero ser tempestade. Mas tempestade de verdade, daquelas que vem e fazem o estrago. E não voltam.
Oi. Eu te amo. Consegui.
Pronto! É isso. É isso que eu tenho a dizer. Sem rodeios, sem formações de temporais. Taí, na lata. Escrevi e ta pronto. E você faça o que quiser com essa informação. Demorei demais. Terá sido essa a culpa de tantas idas e vindas? Deveria tê-lo dito antes? Confuso.
Pego essa informação, dobro de um "jeito desajeitado", sou assim, você me conhece e, pronto. Amanhã passarei num daqueles lugares onde se mandam cartas (também conhecidos como Correios) e ela chegará até você. Sem mensagens, sem nuvens. Só temporais, assim, abruptos! Ou, quem sabe, um dia de sol?
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