domingo, 25 de setembro de 2011

Amanhã

Escrever sobre o que hoje, ainda não sei. Mas vamos lá que já passei por isso e, as palavras simplesmente saem. E é assim que tem que ser. Tô tentando pensar em algo diferente da música que estou ouvindo, mas parece complicado. Vou tentar mesmo assim, pois não canso dela.


E amanhã acordo cedo,
Talvez tome um café quente,
Talvez não dê tempo.
Talvez ouça algum pássaro rouco cantar,
Talvez tenha a cabeça ocupada com outras coisas.
Ou talvez algo faça mais barulho.

Com pássaros ou não,
Vou levantar, sair, e vai ser mais um dia.
Vou começar com algumas promessas que não vou cumprir.
Vou terminar arrependido, ou, aliviado. 
Talvez eu arrisque mais do que deva.
Talvez arrisque o necessário.
Talvez não deva nem levantar.
E não arriscar definitivamente nada.
Mas esse não é meu feitio.
Todo dia é dia de acordar e,
Encarar.
Seguir caminhos as vezes mais difíceis,
Tantas outras vezes, mas fáceis do que se pensou.

É aquela história de pedras no caminho sabe...
Ou talvez não sejam pedras...
Vai saber.
Só sei que é difícil falar do amanhã,
Mas mais difícil ainda é
Apenas dormir.
Fechar os olhos e esperar.
Sou ansioso demais.

Mas amanhã,
Ah, amanhã...
Alguns navios levantarão suas âncoras,
E outros atracarão.
Mas navios são grandes demais.
Crianças irão para a escola de mãos dadas,
Outras irão colhendo folhas pelo caminho.
Uns vão soltar lágrimas quentes,
Outros vão apenas mostrar sorrisos bonitos.
Uns se amarão,
Muitos outros se odiarão,
Alguns pedirão perdão.
Uns morrerão.
E eu?
Acho que apenas vou acordar.

E mal posso esperar.

Gianluca di Valdo, 25 de Setembro de 2011


sábado, 24 de setembro de 2011

Lanterna Verde

Um menino com manias sinceras.
Opiniões formadas e, nem por isso,
Difícil de se influenciar.
Como quase todo menino...
Brincava de pique-esconde,
Apagava o quadro para a professora,
Esquecia a merenda,
Levava nem tudo na brincadeira.
Gostava de desenhar, pensar no futuro,
Sonhar de olhos abertos.
Abertos para o mundo.
E criava viagens infinitas.

Depois o menino virou rapaz, 
Aos poucos.
Talvez mais devagar que a maioria.
Porque ele ainda pensava no futuro
E se perdia olhando as nuvens,
E continuava criando viagens infinitas.
Começou a acreditar em muitas coisas,
Desacreditou de outras.
Pensou seguir, 
Raramente também em desistir.
Pensou ser feio demais.
Bobo demais. Inocente demais.
Vulnerável demais.
Fechou os olhos e criou uma armadura que o tornou invencível.

E o rapaz virou homem.
Aos poucos.
Talvez mais devagar que a maioria.
Poque ele ainda pensava no futuro
E contemplava paisagens da varanda,
E continuava criando viagens infinitas.
Desejou o amor. 
Passou pela dor.
Quis se desapegar, quis voltar atrás,
Quis entender a vida. Quis escalar o Everest.
Quis se perder em alguma rua deserta.
Quis apagar as luzes,
Deitar. Chorar.
Quis enfeitiçar, 
Quis acreditar.
Quis que o mundo o amasse.
Quis que tudo se resolvesse.
E ele usou sua armadura.
E se tornou invencível.

E hoje, o menino é também rapaz e também é homem.
Afinal ele sempre continuou criando viagens infinitas.
O menino que se faz rapaz e o rapaz que se faz homem
E é menino, homem e rapaz,. 
Deixa de lado um pouco a armadura invencível.
E se torna primeira pessoa e pensa...

Penso que é sempre a mesma situação.
Penso que é difícil me entender.
Penso que poucos se arriscam de verdade.
Penso que nem sempre é uma questão se sorte.
E penso que sinceridade assusta.
Penso que o mundo gira rápido demais,
E as vezes esquece de girar.
E eterniza momentos desnecessários.
Penso que sorrisos verdadeiros
Crescem nas terras férteis de almas fortes,
E anseiam pelo caminhar entre eles, desvendando-os.
Um caminhar sincero.
Penso que não posso mudar muito.
Penso que não vou agradar a todos.
Penso ser justo em ser franco.
Penso que preciso de oportunidades.
E penso que as vezes sou apenas um tolo...
Um menino influenciável,
Um homem invencível,
Um coração tenro,
Uma alma verdadeira.
Penso que tenho muito a dizer,
Pouco a criticar
E nada a reclamar.
Mas mesmo assim reclamarei.
Pois o menino, rapaz e homem que sou,
Apenas deixou a armadura por um segundo.

E tudo volta ao normal em 3,2,1.

"No dia mais claro,
Na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença.
Todo aquele que venera o mal há de penar,
Quando o poder do Lanterna Verde enfrentar!"

Gianluca di Valdo, 25 de Setembro de 2011

P.S.: influências de um filme de sábado!



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Destino

No ritmo de uma nova canção,
Nos braços, quem sabe de uma nova direção.
Procurando um olhar de cumplicidade,
Desejando palavras, sonhos, realidades.
Ou que não seja nada disso.
Que seja apenas sensação,
Fixação, entorpecentes,
Vivendo quase loucamente,
Sedento por amoras silvestres,
Espinhos ou sabores envolventes.
O amor que espera na esquina
Deserta
Ou seria uma avenida movimentada,
Entre táxis amarelos, um céu de nuvens,
Paisagens isoladas?
O rancor, a dor,
A tristeza, a beleza e a felicidade,
A feiúra, ou as vezes apenas a realidade,
A esperança, a desgraça,
O apego, a solidão,
Perdão, ódio, razão...
Entre a pureza da morte e
A sarjeta da vida,
As flores desbotadas,
As lágrimas de chuva,
Vidros quebrados,
Corações expostos,
Palavras doces,
Venenos melosos,
Canção de ninar,
Barulho de rockstar.
Uma guitarra quebrada,
Um violino sem cordas,
Um piano de cauda,
Uma pavilhão sem auditório.
Uma voz, que as vezes se faz ouvir,
As vezes se faz sentir,
E as vezes se faz falar.
E se resolvesse...
Apena escutar?
Neblina da manhã,
Sangue da ferida
De um mês atrás,
Cheiro da saudade.
É um bosque de sensações,
Uma pacata ambição de querer...
Sobreviver e aproveitar.
E descobrir o melhor caminho
Sem nunca o encontrar.
Seria assim, para o resto da vida?

Confusão e possibilidades,
Destino.

Gianluca di Valdo, 22 de Setembro de 2011




sábado, 17 de setembro de 2011

Silêncios e esperanças

A estrada é sempre a mesma. Talvez não a estrada, mas o destino. Não importa o que você faça ou deixe de fazer, chegará o momento em que vai restar apenas você. Você e a luz de um túnel infinito, você e uma palavra de esperança, você e um adeus de quem não foi. E hoje, particularmente, estou pensando sobre a vida. Na verdade sobre como termina a vida.

Contendo da primeira, à última lágrima, 
Cheirando flores sem perfume, 
Abraçando o ar que nada pergunta,
E tudo entende.
Minha sombra desenhando um labirinto,
E não espelhando minha dor,
Apenas movimentos.
Perdido, apegado,
Esperançoso, desiludido,
Saudoso, Eternizado.
Nas falas fáceis de um discurso antigo,
Me embalando nos conselhos fortes,
De quem tinha o que aconselhar e,
De repente,
Nada. Nada além da esperança, claro.
Lembrando dos passos curtos,
De um jardim de rosas,
Um ipê amarelo, 
A contagem de cada flor,
Num tempo próprio, num silêncio óbvio,
Numa passagem inteira, numa vida serena.
Na lucidez de quem nunca dorme,
E assiste gerações que se vão
Como grãos de areia ao vento,
Alguns um pouco maiores, que demoram um pouco mais,
Que requerem esforço desse tempo cansado,
Cansado de ser tempo.
E são Enigmas da vida.
E o medo da partida.
A espera de uma chance, 
Vida, 
Tempo,
Defina o que é "tarde".


Gianluca di Valdo (aflito) 17 de Setembro de 2011

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Autenticidade

Folhas que assumem suas cores
E não precisam ser verdes para ganhar admiração,
Pastéis que se misturam nas mãos de um artista inseguro.
Almas que se expõem,
Se extraem,
Se compõem...se arriscam.
Favores que não se pedem,
Fatores que se alteram,
Amores que não se conquistam e,
Mesmo assim, sabe, se arriscam.
Indivíduos que se prezam,
Que da importância não sabem e não querem
O sabor,
Apenas se arriscando e descobrindo o que são,
Criando situações,
Esquecendo dos perdões,
Alcançando liberdades mesmo incompletas,
Cansados de histórias de cometas.

Acreditar no que se quer plantar,
Acreditar nas perguntas,
No cheiro do travesseiro ao se deitar.
Procurar e admirar quem tem força num suspiro,
Quem dita sua verdade,
Transforma,
Recria,
Adapta a realidade.
Acredita no inferno ou no paraíso.
Quem canta uma canção sem medo de errar,
Gritar, desafinar...
Quem escreve sem pudor,
Sem rancor,
Sem certezas,
Sem absolutos.
Com respiros.

Procurar relativos, relativos absolutos.
Absolutos que se contradizem e que se mantêm.
Procurar o que está além.
A autenticidade do que não se explica.
A contradição do que não se contradiz.
As palavras, linhas e versos
Que não tem porquê.
Apenas se mantêm
E escorrem pelos dedos férteis de quem já exitou demais.
E as folhas se tingem da cor que quiser, ou precisar,
Individual, atemporal e imortal,

Autentico.

Gianluca di Valdo, 14 de Setembro de 2011



domingo, 4 de setembro de 2011

Somas

Todos os dias acordo, penso no que aconteceu no dia anterior, no que vou fazer no que começa. Penso nos erros e nas mentiras e nos acertos e nas verdades. Penso sobre os propósitos que fiz e os que deixei de fazer, os que adiei e os que eu nunca vou cumprir. Penso em alguns sorrisos, uns rostos bonitos. Uns abraços que desejei, uns que tive e...abandonei. Penso em mim, em alguém, em nós...e é tudo tão inconstante, tão incerto e tão necessário e verdadeiro que tenho apenas a consciência de que estou vivo e de que aquele sou eu por mais um dia.

Colecionando olhares,
sorrisos cúmplices,
verdades insensatas e
por vezes incompletas.

Colecionando desejos de abraços
Carinhos,
Felicidades até o cansaço,
Profecias do além mar,
Estrelas do oriente que se pousam em céus que pintamos de azul.

Colecionando acasos incompreendidos,
Serenidades interpretadas,
Se arriscando em beijos delicados,
Se envolvendo em braços apertados...

Arriscando mundos para um pouco de paixão,

E então se perder em sorrisos as vezes tímidos,
As vezes ousados, arriscados,
Quem sabe, embriagados,
Quem sabe, apaixonados.

E cada um teve sua singularidade,
Cada beijo um sentido,
Sempre tateando entre o inferno e o paraíso.
As vezes mais saborosos por pecado,
As vezes mais simples, angelicais...
Preferi os sensuais.


E cá estamos nós,
Escrevendo sobre paixões
Que se somam, se seguem
E se tornam histórias de vidas amorosas talvez
não tão comuns, ou comuns demais.

E então me despeço do meu mundo de lembranças, abraço meu travesseiro branco e espero acordar amanhã e ter novamente o que pensar, maldita e necessária carência...


Gianluca di Valdo, 05 de Setembro de 2011