Às vezes fico assustado com a quantidade de textos que tenho deixado em rascunhos nos arquivos deste Blog. Não sei se a culpa é do tempo cada vez mais restrito, da preguiça de escrever, da falta de coragem em terminar textos que começo de repente. Talvez seja uma mistura de tudo isso, misturado também à toda essa bagunça, do caos que se faz aqui dentro. Mas a expressão é sempre a de serenidade, não importa qual seja a maré e talvez seja culpa disso também.
Diante do suor escuro de uma noite sem luar.
Respirações profundas,
E reflexões injustas.
Inconstantes como a maré.
Talvez esteja perdido,
Apagado.
Talvez seja inútil ficar de pé.
Talvez seja escuro demais para seguir,
Profundo demais para arriscar,
Perpétuo como a dor da humanidade,
Incerto com a voz de quem diz dizer a verdade.
Talvez seja tempo de apagar as luzes,
Fechar os olhos.
Sonhar com futuros mudos.
Acreditar em pesadelos,
Sentar em muros.
Acreditar que existem ruas sem saída.
Becos sem saudade;
Tristezas sem consolo
E perdas sem reparos.
Talvez seja tempo de reconsiderar a fé,
Esquecer sobre um deus,
Esquecer religiosos, utópicos e ateus.
Perder chãos,
Cavar buracos,
Estampar desertos.
Se vestir de trapos.
Talvez seja a hora de parar.
Aceitar sinais vermelhos,
Insistir em sons discretos.
Ouvir violinos arranhados,
Caminhar em silêncio,
Ouvindo passos,
Desalinhados como o vento.
E Inconstantes como o tempo.
Talvez seja tempo de
Tais reflexões injustas,
Em madrugadas igualmente estúpidas
Clamando por pequenas doses de esperança.
Talvez.
Mas a vida é curta, o tempo passa,
O poeta esquece.
A vida apaga.
O tempo não.
A vida repete:
O suor escuro de uma noite sem luar.
E a maré é alta.
E a vida é vida.
E a vida é chata.

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