domingo, 8 de março de 2015

Vitrines



Os segredos contados atrás de árvores esguias, 
Onde pessoas pensam que se escondem, 
As palavras são grandes, apesar de sussurradas.
Nem precisam de vento, caminham sozinhas.
Se encontram sozinhas.
E no pérfido encontro de palavras ditas sem querer, 
Formam-se frases capazes de mudar alguns rumos, 
Ou simplesmente a duração da caída das folhas do velho bosque,
Ditam seu ritmo,
Ameaçam seu curso.
Pretendem mudar o rumo das estações,
Pouco modestas, 
Pouco seguras. 
Propensas e intensas.
As idas se tornam longas
E as primaveras indesejadas. 
Chegadas sem querer não tem sentido, 
Partidas sem dor não tem graça.
E no corre e corre ligeiro
De silhuetas tristes pelo bosque,
Na troca de esconderijos revelados, 
Correm junto a elas
As palavras de segredos.
Os mimos das vaidades, 
As dramáticas ansiedades.
As carências mais banais, 
Desejos menos e mais carnais. 
São cenários cinza claro,
Da cor do gelo, quase branco.
É a realidade que padece, 
A vitrine que se mostra, 
A beleza de uma imagem, 
E a crueldade para quem não pode fechar os olhos. 
É tudo frio, trivial, desejado, essencial.
É o velho contraste, 
Uma velha memória.
Um apelo tradicionalmente fracassado.
São segredos da culpa, 
São palavras toscas. Discursos crus. 
Patologias da fé. 
É cruel.
São segredos.
São verdades.
Cenários e vitrines.
São vaidades.
São carnais.
Existenciais.

Finais.
E cinzas, cinzas demais.


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