procurando lugar na cama grande dos pais.
puxando o lençol, arriscando sussurros,
enfrentando o medo do corredor escuro,
arrastado uma coberta velha,
sentindo o taco, depois o piso frio,
o taco.
a mão da mãe levemente estendida pra fora,
num gesto involuntariamente delicado.
feminino.
nem parece a guerreira que acorda com o sol.
toque de mãe. calor. transmissão de pensamentos.
partilha de emoções.
o coração do menino bate, bate, bate.
o pai respira fundo.
o pai está cansado.
e estende a mão.
o coloca entre seus corpos de adultos.
e o menino recupera os sentidos,
o pesadelo trazido do seu quarto.
partilhado com ursos de pelúcia que não o acompanharam,
não encontra o seu lugar.
alí só cabem o menino, a mãe, o pai.
seus corações batendo forte,
suas emoções crescendo juntas,
seus sorrisos involuntários,
suas felicidades intrínsecas,
suas ingenuidades sensatas,
seus sonos que já vêm.
e seus sonhos sonhados juntos.
não tenha medo menino. de nada.
Não tenha medo, menino! De nada!
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