Queria saber como começar.
E queria saber, mais ainda, como terminar.
Queria varrer as folhas dos ventos de primavera.
Fechar as portas,
Apagar as luzes,
Aquecer a água para um café,
Me sentir de novo sozinho,
Fechado, tanto quanto apagado.
Melancólico.
Talvez esteja cansado de tantas cores,
De quadros vivazes,
De músicas felizes.
Seria o momento bom
Para se recolher na escuridão.
No aconchego de uma coberta,
Na esperança de um amanhã sereno.
E respirar, aliviado,
A retomada da razão.
Queimando alguns papéis,
Algumas lágrimas inúteis,
Alguns perfumes
Que não valem tanto assim,
Quero paz de espírito.
Esquecer alguns números,
Dados,
Talvez eu tenha demorado.
Talvez eu esteja exagerando.
Estou sentindo um frio na barriga.
Talvez varrer faça doer.
Encaixotar, guardar.
Aguardar.
É o que sei fazer de melhor.
E enquanto não chega
Uma nova estação,
Uma nova música na rádio,
Um novo filme no cinema,
Um novo cheiro de café,
Me contento em ler,
Cantar, sorrir,
Talvez chorar.
E me acostumar.
Que eu nunca deveria ter deixado
De achar que estava bem.
E nunca mais vai ser assim,
Nunca vai ser pra mim.
Nasci pra ver o sol se pôr sozinho,
Nasci pra ver o sol se pôr sozinho,
Pra ser brega sozinho,
Pra escrever sozinho.
Nasci pra dizer adeus
Somente a mim mesmo.
Enquanto isso,
Posso me contentar em
Algumas noites de prazer,
Algumas noites sem dormir,
Alguns papos ao vento.
Algumas risadas,
Xícaras vazias.
Alguns momentos.
Passatempos.
Já é hora de voltar a sentir a brisa,
O cair da noite,
A lua amarela,
No céu escuro.
Gianluca di Valdo (algum dia aí)
Gianluca di Valdo (algum dia aí)
Sabia que eu tinha que passar aqui hoje! E quantos mais guardados, hein Gianuca?! Adorei!
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