Lá onde se contavam histórias de mentira,
Onde o céu, com ou sem estrelas, servia de destino.
Onde se falava sobre tudo.
E sobre nada.
Onde se contava, se esperava,
Se ria, gargalhava.
Lá onde se plantavam choros de saudade.
Onde as árvores verdes da esperança
Demoravam pra crescer,
Onde as alegrias,
Os girassóis da felicidade,
Se espalhavam por campos infinitos,
Se arrasavam por furacões enfurecidos,
Onde a água escoava as sujeiras da vaidade.
Lá onde perfeição e feio,
Se confundiam com amor.
Onde jorravam como sangue,
ódio, mágoa e rancor,
Sujavam cortinas brancas do vermelho intenso,
Cheiro de podre, mas vivo, suspenso.
Lá onde a escuridão era questão de tempo.
Longo, inconstante, perverso e intenso.
Mas apenas tempo.
Onde caia pó de estrelas consumidas,
Onde luzes ora se apagavam,
Oram se acendiam,
Ora se esvaiam.
Onde o tempo de um piscar de olhos parecia imenso.
Lá onde as palavras
Tinham poder de transformar o valor do ouro.
Onde terras duras se tornavam férteis,
Onde era possível cultivar orquídeas em desertos,
Onde tudo não passava de momento.
Lá, lá onde estive por tanto tempo.
Lá onde se vomitavam as sinceras e estúpidas nostalgias de uma vida,
Onde era tudo preto e branco, ou magenta, ou anil,
Onde a mistura fazia a forma,
Onde o sabor fazia a vida,
Onde o pensamento fazia o vento,
Onde o sol fazia medo,
Onde a lua brilhava como brilho,
Onde as mentiras me faziam companhia.
Estive lá, por tanto tempo.
Incerteza, confusão e nostalgia,
Criando uma estúpida e doce harmonia.
E era cruel, estranho, incerto.
E era apenas e sempre,
Já disse,
Um eterno e rápido momento.
Epífano.
Gianluca di Valdo, 07 de Junho de 2012

Um paradoxo, do céu ao inferno, do inferno ao céu... Sutilmente, e felizmente vejo mais céu.
ResponderExcluirBom saber que a mensagem foi transmitida, mesmo não sendo óbvia. Talvez no momento exista mais céu, talvez daqui dois segundos estejamos num inferno completo. Equlibrio, desequilíbrio. A vida não segue receitas...
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