Não quero dormir.
Porque sempre penso que,
enquanto durmo,
a vida passa.
Intensamente
E de intensamente,
eu só quero que seja meu viver.
E viver significa ir adiante,
dar um tempo
Quando tudo parecer assim,
Sufocante.
E dar valor a alguns detalhes,
Seja ao sabor de lábios sem juízo,
Ou me lembrar do puro inferno
Ou do libertino paraíso.
Significa saborear o vento,
Valorizar o menor, o pior,
O talvez único intento.
Viver significa absorver
O cru azul anil de um céu anilmente cru e...
azul, desse verão perdido
Entre um e outro século escondido
O detalhe de ser grão.
Perdido no deserto do Universo,
Entristecido, Feliz, Disperso.
Quem se importa? Esforço em vão.
Perguntas sem respostas,
Respostas sem juízo.
Inferno, paraíso?
Lábios azuis, tempo adiante,
palavra sufocante.
Mistura de letras sem sentido.
Subconsciente aflorando,
deixando-se ir
no maremoto da pedição
Na absoluta negação,
Na infinita tradição
Do querer, do poder,
Do se colorir de azul.
De se tornar anil.
De ser grão.
E a vida é a contemplação da extasia,
Da eterna, indispensável e romântica
melancolia.
Quero dormir,
Preciso fechar os olhos,
Pensar no amanhã,
mas...
Eu já não escrevi esse texto?
Me libertando das paredes,
Me envolvendo,
Crucificando meus próprios medos,
Mártires da incompetência,
Da injustiça, da prepotência.
São desejos do além verão.
São saudades, confusões,
Beijos sem juízo.
Estou perdido
Entre o inferno, e o Paraíso.
Em vão.
E o que a vida tem a ver com isso?
Gianluca di Valdo (com sono), 10 de Janeiro de 2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário