terça-feira, 7 de setembro de 2010

Inquieto


Não sei bem, não sei ao certo. Uma sensação estranha, novamente, se vê no direito de invadir a tranquilidade dos meus pensamentos. Não consigo entender porque tudo tem que ser assim, tão complexo, tão intenso, tão verdadeiro. Fico imaginando se, para as pessoas que encontro pela rua, a vida se revela assim, como a mim, tão "intensa".

É isso que se passa hoje em mim. Fico pensando se não preciso de um pouco de frugalidade no que vivo, no que penso, no que quero. O meu dia-a-dia me avassala de responsabilidades, de demandas, de presenças. São tantos Raon..oh, perdão, Gianlucas! Fico dividido, partido, impotente. Nada é simples. Nada é fácil.

E então, são trabalhos que não sei para onde vão me levar. São valores, prioridades, tudo posto em jogo. Qual é minha prioridade? Qual é o meu "projeto"? Chego à conclusão que, apesar de "projetos", nada é exatamente como eu gostaria que fosse e é tão difícil me adaptar, me enquadrar. Não quero me enquadrar, quero que seja do meu jeito. E eu posso sofrer, mas nunca me farão realmente acreditar que não depende de mim.

Existe um vazio, no peito. Existe um "querer mais", um "e agora?". Jovem, olhos apontados para o horizonte e, ainda assim, perdido. É estranho.

Não sei o que é o "vazio". Sei apenas que existem pequenos intervalos felizes entre tantos mais suspiros daquilo que eu não poderia ousar chamar de infelicidade, porém que é mesmo assim, triste. Não tem um nome. É o que sinto. É estranho.

E depois são silêncios, segredos, problemas. São angustias alheias, são deveres de felicidade. São amores de minuto, são eternidades corrompidas, são altos e baixos do que não se ouve e não se diz. São reflexos de uma alma sem espelho. São insanidades de olhos alheios que observam o que não existe em você. São expectativas a atender. São esperanças a desafiar. São dias de branco e preto, cores ao acaso, disturbios. Silêncios. Barulho e, silêncio de novo. Inqueito. Onde está o bom e velho equilibrio?

E existe a nostalgia. A nostalgia de quando era apenas um garoto de 9 ou 10 anos, e meu mundo era tão meu. A janela do meu quarto era tão minha e tanto de mim sabia. O vento a quem confiava meus segredos. As nuves a quem dava os formatos. Era meu, um mundo só meu...Hoje são choros abafados, gritos de uma alma inquieta. Inquieta porque ela quer ser o que era. A alma do menino livre. Livre. Livre!

Choros abafados.

Explosão de sentimentos.

Quem me dera voltar no tempo e ser, apenas um menino.


Gianluca di Valdo, 7 de Setembro de 2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário