segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ridículo

Existe uma porta que não se fecha, mas não se abre.
Existe algo de interessante atrás dela, alguma coisa que eu sei mais ou menos o que é, que anseio por ter de verdade, mas a porta que me divide desse tesouro não consigo abrir.
Parece que vai ser sempre existir alguma coisa, me impedindo de chegar nesse quarto.
Lembrei de uma música, mas dizer qual é seria revelar demais e hoje não estou disposto a ser transparente.
Não com quem me lê. Se bem que, para algumas pessoas preciso falar pouco. Elas entendem, mesmo as vezes fingindo que não. Segue então o texto de hoje (que ainda não fiz).

Ridículo.

Meu obejtivo é viver.
Crescer,
Alcançar.

Meu objetivo é desbravar.
Abrir caminhos,
Tocar alguns hinos.

Minha felicidade consiste
No arriscar
Em me aventurar.

Conhecer terras distantes,
Torná-las próximas de mim,
Me tornar parte delas e,
Nelas, ser sempre e
Para sempre,
E apenas, Eu.

Que ridículo...

Na realidade, nada disso faz sentido.
Na contradição entre os meus versos
Incertos,
O meu coração segue, iludido.

Pois minhas palavras são
Apenas o parafrasear
De atos incompletos,

O enganar a mim mesmo,
De que posso
Ser mais do que sou.

A tentativa frustrada
De encontrar as rimas certas.
De ser soberano,
No que penso,
E faço.

Não posso abrir a porta,
Será possível?
O quarto que existe alí
Talvez não possa pertencer a mim.

Mero mortal, de versos incompletos.

Gianluca di Valdo, 08 de Novembro de 2010

Um comentário:

  1. Ridículo é achar que será apenas você ["E apenas, Eu."]. Seu texto grita: Egoísmo! E eu gosto assim, pessoas egoístas, que tem amor próprio, que se importam com sua própria opinião. Isso vale muito. Só não seja sempre egoísta. (:

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