terça-feira, 31 de maio de 2011

O tempo passa

E os dias se passam,
Um vento sopra,
Uma folha cai.
Um suspirro, um canto fraco,
Um som de morte, Uma voz que não se ouve,
Um passar que não se sente,
Uma luz que não se apaga,
E não se acende.

Uma tempestade de verdades,
Um desafio de saudades,
No amanhecer da relva cor de prata,
no anoitecer da cidade cor de tudo.

Num momento que não se entende,
Num movimento que não se percebe,
No intocável papel dos deuses,
Na imbecíl pergunta sobre a vida,

Nas idas, nas vindas, nas partidas,
No adeus de uma semana,
No até logo de uma vida,
Na distãncia de um porém,
Na proximidade de um entretanto,
Na supérflua maneira de agitar os braços,
Nos inesgotáveis objetos
guardados em um velho armário.

Assim, enfim, em mim e em nós
o tempo passa,
o tempo está,
o tempo esquece,
o tempo envelhece.
o tempo existe.

A cada segundo.
A cada folha que cai.
A cada suspiro.

O tempo passa.


Gianluca di Valdo, 31/05/2011

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