segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sequestrado


No submundo,
Numa lúgubre esquina de uma rua deserta.
Na sarjeta escura, de uma noite de chuva.
No cheiro podre de resíduos morais,
Na agonia de amores
Quase letais.

Corpos se curvam perante os deleites falsos do amor.
Esquecem a independência,
Enaltecem uma falsa e cruel sobrevivência.
Se amarram em cordas de espinhos,
Sofrem, machucam, se sequestram,
Se levam, se escutam,
Se choram. Se apodrecem.

Se alimentam de suspiros,
De gemidos de felicidade,
De migalhas de saudade,
De palavras corriqueiras,
De batimentos de corações que não são para si.

E ficam, na sarjeta.

Se humilham,
Se aniquilam,
Sangram,
Derramam suas faltas de vidas.
Suas quase mortes,
Em lágrimas quentes,
O líquido que as entorpece,
E envenenam.
Mas alimentam.
E padecem.

Entristecem.

Apagam.

Desaparecem.


Se prendem ao que não podem ter,
Arriscam-se em saudades do que nunca existiu.
Na sarjeta,
Na lúgubre sarjeta da ilusão.
Ilusão de falsos amores.

E dói.
E vai.

A sarjeta é suja,
A rua é escura,
Não ha paz,
Não ha mais.


Sequestrado.

Gianluca di Valdo para todos aqueles que abrem mão de si mesmos por causa de amores que não valem a pena. 13/06/2011

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