Estou sozinho.
Decidi apagar os Sentimentos,
Entristecer até os mais felizes,
Tenros, contagiosos
E frios, estúpidos e incrédulos,
Momentos.
Resolvi apagar as luzes,
Me olhar no espelho com
Os olhos da verdade.
Encarar a solidão, a melancolia,
O amanhecer que se distancia,
A noite de trás pra frente.
A frenesi de um grito de paixão,
o ardor e o padecer,
de um amor sem coração.
Não dá pra definir,
Chega de manipular, esconder, esculpir.
Sou o meu íntimo revelado,
a maldade, o sonho de um passado.
Crueldade intrínseca na alma,
Traição, prosa e poesia,
De uma vida indignada.
Cada palavra tem sentido,
Uma ligação, um ruído.
Um tique-taque desesperado
Ressalvando conceitos impróprios,
alimentando distâncias inúteis,
Lavando porões de navios que não atracam,
Palavras estancam,
Encantam,
Cansam,
Espancam.
E gritam!
E gritam!
São lágrimas de um futuro que não foi,
Um passado que não será,
Um presente que não é.
E me abandono no canto do meu quarto.
Sinto apenas o cheiro do que perdi,
É o mesmo cheiro de quatro paredes húmidas e frias.
Me revigoro com a esperança do fim,
De um começo, de um adeus,
De um pecado, de um perdão.
Ouço a mesma música mil vezes
Sou o pó de um prédio que ruiu,
E riu, ruiu?
O som arritmado,
O olhar perspicaz,
A tristeza envolvida,
A aliança quebrada,
A esperança perdida.
Estou nu.
Num espelho cego.
E é tudo é vermelho. Vermelho no preto.
vermelho no espelho.
Gianluca di Valdo, 15 de Maio de 2011

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