quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Barulho de rua, 
De vento que é vento, 
Do vento que é movimento de um carro que passou. 
Luzes, um pouco de Natal. Só um pouco. 
Tá frio. Embora não deveria. 
Vento de uma estação de metrô, 
Fuligem. Sujeira. Pessoas.
Corre, desce, sobe. 
Mantenha-se à direita. 
Mas prefiro a esquerda livre, 
É seco o barulho da porta do trem se fechando.
Caos. celulares, mochilas e sacolas. 
Silêncio. 
Alguém falando mal de um chefe.
Alguém rindo de um colega.
Ninguém chora.
Vento de chuva que vem.
Barulho de um temporal já esperado. 
Sem bateria. 
Subo uma escada.
Subo mais uma.
Atravesso uma esteira. 
Deixo a esquerda livre.
Percorro uma maré de rostos que também não sabem pra onde vão.
Mas fingem que sim.
Olho no olho.
Desvio.
Caráter.
Vaidade.
Melancolia. 
Assepsia. 

Saio.
É seco o ar da cidade. 
Movimento. Caos. Celulares. Bolas e sacolas.
Uma faixa de pedestres. 
Um sinal muito lento para o carro.
Um sinal muito rápido para mim.
O contraste do cinza com o cinza.
A delicadeza do concreto sobre o asfalto.
E pessoas que escorrem, rápidas quase como o vento.
O mesmo vento que é vento.
O vento que é o de um carro que passou.
Algumas luzes de Natal.
O bom dia e o boa noite.

Da cidade. 


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