segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Mudança de tempo.

Percebi que estava preso a dias mais nublados do que eu queria.
Entendi que nublado cinza escuro não faz bem e 
Temporais só são maravilhosos porque duram pouco.

Andar sozinho na chuva foi bom.
Me molhei bastante.
Confundi algumas lágrimas não tão tímidas com o calor do céu desabando.
Precisei me perder naquele espaço-tempo, 
Onde azuis e cinzas se confundem. 
Onde "estar perdido" é condição obrigatória e "Derrota" é nome próprio.

Foi inesperado quando você chegou.
Você me disse que alguém poderia segurar um guarda-chuva pra mim num dia assim.
E eu, surpreso, acreditei, 
Eu que não costumo acreditar em quase nada,
Mas talvez por estar cansado de me sentir molhado demais.
E talvez seduzido pelo tom não azul do seu guarda-chuva
Consenti.

Guarda-chuva aberto. 
Fica o barulho da chuva, incessante.
Mas o incessante, surpreendentemente, cessa. 
A tempestade aos poucos vai passando, 

Da imersão à suspensão.
Do naufrágio à superfície.
Das águas tumultuadas ao equilíbrio.

Me reencontro, revejo, me esquento, resisto.

A maré baixou.
A chuva passa. 
A gente se seca,
Se esquenta,
Se abraça.

Se alcança.

O guarda-chuva se fecha e eu nem vejo.

De repente sou eu que te alcanço num dia de tons pastéis.
Amarelo claro, azul também, talvez verde.
Sossego.
Mãos.
Cheiros de cabelos iluminados pelo sol.

Me recuperei de um período sem chão,
De quando meus pés ficavam tão suspensos
Que confundia os meus conflitos internos com a falta de gravidade.
Me recupero da tempestade que criei em mim, 
Das obrigações que me obriguei.
Dos porquês e interrogatórios que me dediquei. 

Raios de sol me iluminaram e me trouxeram um espaço-tempo novo, 
Também tão necessário.

E foi você quem trouxe os raios de sol, com seu guarda-chuva. 

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