segunda-feira, 23 de junho de 2014

Não deixa não.



Não me deixa voltar sozinho pra casa.
Não me deixa ver o sol nascer sozinho,
Não me deixa ir embora.

Não me deixa ser fulminado pelos olhos dos que não participaram da mesma festa que nós. 
Não me deixa tropeçar nos meus passos bêbados da alegria que me roubaram.
Não me deixa dormir. 
Não me deixa apagar. 
Não me deixa sofrer.
Não me deixa ouvir uma música antiga. 
A das más lembranças.

A que me levou até você e que vai tocar de novo, quando você for embora.

Não me deixa arrancando ervas daninhas do meu próprio deserto.
Não me deixa escrevendo linhas e linhas e linhas a fio.
Como se o mundo terminasse no encontro do começo e o fim do meu conto. 
Não me deixa envenenar pelas minhas próprias palavras.
Não me deixa soluçar com meus gemidos de ausência.


Não me deixa terminar de escrever.
Não me deixa esperar até amanhã.
Não me deixa morrer nessa minha maldita maneira de ser.

Não me deixa enlouquecer.

Não me deixa voltar sozinho pra casa.
Não deixa a festa terminar.

Gianluca di Valdo, 24 de Junho de 2014


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