Eu sempre tive perguntas e incertezas. E geralmente não me achei bom o suficiente. Acreditei menos em mim do que deveria. Sempre achei que não seria o cara mais simpático de uma festa, tampouco o mais bonito. Não acreditei que se interessariam por mim. Não achei meus desenhos tão bons quanto diziam, tampouco que as minhas palavras jogadas nas páginas de um Blog seriam motivo de interesse ou curiosidade. Eu tive constantemente medo. Medo principalmente dos outros. E queria entender de onde vem, como isso surgiu. Dizem que a psicologia desvenda esse tipo de coisa, certo?
Enfim...
Um dia, bom, um dia eu resolvi que encararia algumas questões e que o medo seria um fantasma pra esconder em algum armário velho, quem sabe dentro de uma mala usada. E assim foi. E assimfui adiante.
Acontece que coisas que a gente guarda nunca deixam de existir.

Sentado e cansado.
Meu jeans desbotado.
Minhas palavras secas na garganta.
Meus gritos sufocados pelas palavras que deixei de dizer.
O medo aprisionado,
Encobrindo os meus olhos com vendas escuras,
Fechando meus lábios com mordaça de metal.
Lágrimas em pó,
E o suor que escorre líquido, sujo.
Sabor de sal.
Sal nos lábios secos.
Salobra.
Água,
Preciso de água.
Preciso de fala.
Preciso da mala.
Entreabro os lábios,
Sabores do deserto.
Um asfalto homicida.
A tristeza triste e abafada
Do choro seco,
Da saudade do que se foi.
Deito.
Sabor de ferro nos lábios.
Quase enxofre, quase asfalto.
O vapor de sol,
A luz que mata.
O medo que sufoca.
A vida que escapa.
A essência, a vida da alma.
A necessidade, a saudade.
A verdade.
Não enxergo.
A vida é além dos meus olhos esquecidos,
Do meu azul apagado.
Meus oceanos poluídos.
Meu jeans rasgado.
Meu mundo proibido.
Eu, desbotado.
Acabado, apagado.
Suado.
Cansado.
A mala abriu lá atrás da última duna que consegui subir.
Depois só vi o asfalto.
O medo me encontrou.
Me amordaçou,
Vendou meus olhos.
Me apagou.
E Me deixou aqui esquecido.
Perdido e inacabado.
Gianluca di Valdo
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