sábado, 29 de setembro de 2012

E então

Tenho preferido a beleza imaculada dos meus silêncios.
Tenho compartilhado da minha prazerosa companhia.
Tenho evitado palavras desnecessárias.
Tenho escrito a mim mesmo poesias.
Tenho olhado a lua crescer,
A luz apagar,
O sol sumir,
A tarde cair.

Tenho observado o tempo passar.

E os dias me presenteiam
Com sua interminável repetição,
Sua ausência de monotonia,
Sua vivacidade, tristeza, paz e alegria.
Num contexto dúbio de felicidade,
Numa certeza plena e feliz de realidade.
Porque nem todas as marés são de calmaria,
Nem todas as estações fazem flores germinar
E nem todos sorriem ao me ver chegar.

Tenho abandonado costumes antigos,
Me permitido queimar as mãos,
Sentir o sol invadindo minha pele fria,
Descongelando meu sorriso.
Me expulsando pro paraíso.

Tenho perdido lágrimas no abismo,
Batido as asas num céu sem vento,
Esquecido livros em gavetas velhas,
Perdido a chave de diários superados.

Subo as escadas rumo ao infinito,
Me solto, solto, num chão de vidro.
Me apego na saudade,
Agarro minha vontade,
Mordo meus desejos,
Sigo sem os velhos medos.
Me permito ter saudade,
Crio, recrio, invento e supero
Realidades.

E então eu sentiria.
E então eu seria.

E então.

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