segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Poréns em meus porões

E o próximo post seria para comemorar.
E ele está atrasado, o próximo post está atrasado. Bom, queria comemorar de uma forma mais feliz do que como eu escreveria no momento em que estou. Então, vamos adiar.
Fato é que 2011 começou e as mesmas perguntas que me assombraram em 2010 continuam me perseguindo. E me questiono se não vai existir nada sólido, nada que me conquiste, me cative de verdade. Será que vou passar todos os meus dias nessa ilusão de que o amanhã será como nos meus sonhos? Ah, não sei. Só sei que tem muita a coisa a se dizer e poucas palavras que possa (e queira) proferir. Então, vamos a mais um dos enigmáticos textos que, de alguma forma, traduzem aquilo que o homem ainda não conseguiu colocar no dicionário de qualquer língua. E só para constar, bem sei de tudo que muitos amigos vão querer me aconselhar. Sei de que muito ainda tenho a decidir, e que algumas oportunidades tendem a se apresentar. Sei de tudo, mas nada me impede (muito menos minha ansiedade) de escrever "Poréns em meus porões".




Aqui, no Porão,
    As noites são eternas.
A guerra,
     A sede,
O suspiro,
      A tristeza que assopra,
Um vento gelado.
Um desespero exagerado.
Um sonho, cansado.


                            Um ser, desanimado.


Pois as folhas continuam a cair,
A primavera tarda,
As estações do ano se redefinem.
A vida, estática, passa.

As relações, as ilusões,
         As esperanças, os         amores,
 Os lençóis.
             Tudo de um tênue branco.
Cheiro de algodão,

Mas lançado às traças.

Partes de mim,
Lançadas aos Poréns, 



Sozinho,



Escondido em meus Porões,
Poréns,
                     Porões.
Porões,
                                                           Poréns.

E Porém são        Perguntas      minhas,

Indagadas por outrem.

Perguntas de Porões.



E as vezes o coração pulsa,
Acredita, vai. Alguém pode estar lá,
Esperando, Apoiando.
Porém,
O porão.
Abrir a       porta       ?


Falar,
Já não é suficiente.
É uma mistura de nostalgia, saudades, melancolia.
No conjunto do que mais deprimido existe.


E que considerem meu canto,

               Do porão,
Injusto.
                              Sim, que seja,
Um canto insípido.
                                                                          Porém,

Não tenho mais a lembrança do céu,
A cor do verão,

Porém, Porão.

Aqui dentro,
Sou a esperança que morre,
O destino da pétala de uma rosa murcha.
A cor desbotada da blusa de cetim.
Sozinho, no porão,
Enfim.

Gianluca di Valdo, 25 de Janeiro de 2011


Um comentário:

  1. Normalmente sou obrigada a apenas apreciar seus textos, suas belas palavras, você me não se entende, nem deixa que ninguém o faça. rs

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