Um dia pensei ter me perdido.
Atravessei a malha criada por linhas vermelhas e amarelas,
Me permiti quebrar a ordem, espalhar o azul.
Recolhi o verde, rearranjei da minha maneira.
Apaguei rabiscos duros de carvão.
Espalhei um pouco de branco, um pouco de rosa.
Um pouco de um vermelho venenoso.
Arranquei os espinhos de um fúcsia desbotado.
Deixei fluir as águas de um azul, até então sem graça e amarrado.
Esculpi num amarelo de solstício,
Rasguei marrons de folhas de um outono errado,
Rabisquei laranjas, desperdicei cinzas.
Abusei do preto, depois apaguei.
Depois usei, re-usei e apaguei de novo.
Então cobri tudo de anil,
Desenhei círculos magentas e imperfeitos.
Reestruturei. Reedifiquei. Recriei as regras,
De uma paleta de cores qualquer.
Estudei as proporções, as relações.
Amarelo com Lilás,
Vermelho da paixão, com o verde da relva primaveril.
Complementando, segurando.
Limitando.
Cansei.
Recriei.
Amarelo, Vermelho,
Paixão, Veneno.
Um girassol.
Um sol sem céu.
Um azul sem mar.
Uma vida sem o verde do pinheiro de natal.
Um amanhã sem o cinza do passado.
Um cavalo sem o branco da coragem.
Uma vida sem bravura, sem paisagem.
Espalho o laranja do mediterrâneo.
Escrevo com o verde da janela.
Com o cinza do futuro.
O preto do presente,
O vermelho do amanhã,
Às águas anis da eternidade...
E tudo é uma grande confusão,
Um mundo sem maré.
Uma maré sem humanidade,
Uma humanidade incompleta de.
vaidade.
Alma sem limite.
Paleta de cores.
Tela incompreensível.
Mistura de emoções, regras e sabores.
Reflexo da minha alma.
Sou eu, hoje.
tela cheia.
Tela estranha.
Amarrada, solta
Ou desbotada?
Gianluca di Valdo, 05 de Abril de 2012

Ele voltou... E do jeito que eu gosto!
ResponderExcluirQuantas cores... aproveita que todas elas juntas te dão o branco e viva a paz que ele oferece!
Demora a voltar não, ok?!