domingo, 7 de agosto de 2011

Buraco e Lama

E existe um buraco.
E nesse buraco de tanto em tanto eu caio,
E tenho dificuldade em sair, me levantar.
As vezes caio mais bruscamente, as vezes quebro algumas costelas.
As vezes ele parece mais fundo, as vezes bem raso.
E as vezes chove.
E eu estou lá dentro.
E sinto a água caindo, os pingos me molham,
O fundo é de terra, terra vermelha, terra com cheiro da terra vermelha de chuva.
E gota por gota respinga na minha roupa limpa,
Na minha inocência de quem não queria cair num buraco,
E chove mais forte.
E a terra se encharca.
E a água sobe e minha roupa fica também encharcada.
Sinto o peso de cada gota que ouço cair no poço,
Aumentando devagar o nível da água.
Meus pés fazem fadiga a se levantarem.
E talvez eu não queira que se levantem. 
Talvez não possa lutar contra a chuva...
E tudo dói.
A chuva machuca pela intensidade,
O buraco fica cada vez mais e mais escuro.
E não existe sinal de que isso tudo irá passar.
E o cheiro agora é de lama.
Da mesma lama que brinquei quando criança,
quando não haviam buracos...
Ou pelo menos nenhum problema maior que um joelho ralado
Ao cair num deles.
Fato é que, hoje, a chuva caiu forte.
E ainda estou lá dentro.
Dentro do buraco.
Sem esperanças.
A chuva vai cair e cair
E depois cessar
E depois cair de novo e de novo.
E eu apenas vou torcer,
Para não me afogar.

Enquanto vocês riem e não sabem do que falo. 

Gianluca di Valdo, 07 de Agosto de 2011

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